sexta-feira, 11 de maio de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Dom Lula Quixote e seus eternos moinhos de ventos e os colóquios intermináveis dos cachorros de rabos presos

 Aparecido Raimundo de Souza

Donec eris felix multos numerabis amicos; tempora si fuerint nubila solus eris”.
Ovídio – “Tristia”.

LULA QUER SAIR DE QUALQUER jeito das garras da cadeia. Embora seja uma cadeia de brincadeira, vigiada por um monte de babacas com fardas e insígnias da PF (Polícia Fedemal) o fato de o cachaceiro estar (não só estar, se ver, se sentir, se pegar recluso), trancafiado, enjaulado ainda que de mentirinha, de não poder ir e vir, vir e ir (a não ser para cagar e mijar numa privadinha malcheirosa), essa desordem toda está sendo demais para a sua cabeça de ameba e acreditem, senhoras e senhores, toda essa porra está lhe tirando do sério. Daqui a pouco ele desaba com uma dessas doenças convencionais, mazelas compradas a preços de ocasião.

Lula quer estar solto, desamarrado, desatado, livre nas ruas, promovendo algazarras, berreiros, rebordosas, arruaças, caravanas, desordens, bagunças, podendo, a seu bel prazer, continuar dando tirinhos em ônibus e se posando de vítima. Lula é uma vítima. Vítima dele mesmo. Vítima da sua imbecilidade, da sua falta de caráter, de decoro, do seu desplante, do seu mau governo, da sua vida desregrada, vivida para roubar e foder a vida dos brasileiros. Há, evidentemente, aqueles imbecis e tapados, de carteirinha, que acreditam na sua inocência. Uma inocência, diga-se de passagem, degenerativa.

Esses hipócritas são capazes de vender suas mães e pais, barganharem mulheres e filhos, sacrificar a própria existência para que Lula não seja hostilizado. Lula é uma espécie de rei sem trono, galo sem poleiro, palhaço sem circo, capeta sem inferno. Todavia, de tridente nas mãos, para fustigar quem não estiver do seu lado, ombro a ombro. Entra em cena, nesta altura do campeonato, aquele velho ditado. “Enquanto houver São Jorge, burro não anda a pé”. Sempre aparecerá, ainda que dos cafundós dos salafrários, um asnático que o apoie incondicionalmente. 

Lula peleja como Dom Quixote, não o de La Mancha, de Cervantes, mas o de La Guarujá, um pequeno vilarejo conhecido mundialmente como Tríplex do Condomínio Solaris, de Cervemdepois, uma região bonita e aconchegante, num lugar incrivelmente paradisíaco, não outra senão a bela e fogosa Praia das Astúrias, mudada recentemente para Praia das Alturas, em vista do imóvel 164-A, dos dezenove dedos ficar muito acima do nível do mar. Dizem que lá do alto, a vista é marisamente  deslumbrante!

Nessa confusão toda, os moinhos de ventos de Lula são muitos. Tantos quantos suas tramoias e trambiques. E tem uns nomes criativos, como os das operações deflagradas pela turminha da Polícia Federal. Vejamos alguns. Moinhos de Moro com ventos fortes de través, Moinhos de Lavagens de dinheiros com aragens vindas do sul, Moinhos das propinas vantajosas com frescores de caudas sem rabos, Moinhos das Reformas triplexianas chamuscadas com altas pressões de mais de trezentos quilômetros por hora, Moinhos do Grupo OAS com bocejos odebrechtcheanos, Moinhos da Lava jato com poeiras de outras aeronaves menores, Moinhos das Corrupções passivas com bafejos petistas, Moinhos do terreno do Instituto Lula com brisas moderadas a Zelote, a “petrobosta”, etc. etc.

 A única diferença de Lula nesses moinhos (por culpa dele mesmo eles se transformaram em centenas de torres de babel) é o cavalo. Sempre quem dança é o cavalo. O corcel não é o capacho Rocinante. Rocinante se bandeou para o lado de Temer. Acha que ao lado de Michel Jackson, colado no saco dele, não sofrerá tanto na pele, ainda que Miguel de Cervantes pire de vez, bata os pés e não retoque o curso de sua história original escrita lá pelos idos de 1616. Mudar da água para o vinho. Lula, infelizmente, perdeu o primoroso Rocinante, mas reavio uma égua antiga. A égua Dilma, aquela quadrúpede de cinco patas que Rouboussett.

Apesar disso, Lula, como excelente samaritano (ou ministro frustrado de Vana, o outro nome de Dilminha) tem reservado, para ela, uma cocheira de primeira, lá para as bandas de Atibaia. Dizem tratar-se de um sítio impecável, que está dando, apesar dessa primazia, uma encrenca da “moléstia”. Segundo comentam, a quadrúpede, em tempos que reinava Dulcineia, ganhou vários páreos quando corria nos hipódromos dos Palácios da Alvorada, do Janucú (não confundam com Jaburú) e do Planalto. Como nada é eterno e imperecível a eguinha pocotó-pocotó, perdeu a mamata.

Virou La Senõra Cornélia no momento fatídico em que Michelzinho Jackson Temer meteu-lhe um belo chute no traseiro balofo e sentou, ele próprio, em carne e sem-vergonhice a bundinha magra na cadeira de Regente desta republiqueta de anarquistas e mazorqueiros. Enfim, caros leitores e amigos, tantas águas rolaram e ainda fluirão por debaixo da ponte, que não é possível, atualmente, a qualquer pessoa de senso prático, dizer quem é mais ladrão ou que figura a lá Tiririca está capacitada (ou apta) a continuar comendo às nossas custas e expensas.        

Nesse merdeiro sem fim, Lula, para muitos, continua Dom Quixote. Com ou sem Rocinante. Com ou sem Dulcineia. Talvez a Dulcinéia de Lula, hoje, esteja mais (não para Dilminha) certamente para a fogosa Altisidora, aquela “pulcela” da corte da Duquesa do romance de Cervantes, que simulou estar apaixonada por ele, e atentem, botem tempo nisso! A mesma putinha que dissimulou uma espécie de melancolia erótica, numa farsa burlesca planejada pelos Duques imortais. Indagações convergem desesperadas. Saindo um pouquinho da historinha de Dom Quixote.

Em dias atuais, caros leitores e amigos: quem seriam esses Duques imortais? O juiz Moro? Gleisi Hoffmann? A galera do STJ, o “Tribuanimal” da Cidadania?  Os “amigos” que ele (quando presidente em exercício de meus bolsos primeiro), concedeu altos cargos com salários estratosféricos e agora o deixaram a ver navios?  Navios não, agentes de óculos escuros, sujeitos com caras de maus. Pensem amadas, raciocinem amados. Que fim levou Sancho Pança?

Quem seria nessa hora em que Lula se pega enclausurado como um noviço virgem à espera da sua consagração futura, qual seja (cumprir doze anos e um mês vendo o sol nascer com barras de ferro), a pessoa austera, batuta e digna, a ser considerada sua (seu) fiel escudeiro? Talvez o companheiro Bolsonaro, a amiga Marina Silva, o chegado “brother” Palocci? Quem faria parte da sua matilha? Quem seriam os pulguentos com as retaguardas comprometidas? Em verdade, senhoras e senhores (“Non bene pro toto libertas venditur auro”). Em português seria mais ou menos “Liberdade e soltura não é por ouro comprado”.

“Liberdade e soltura não é...”.  Liberdade e soltura são coisas distintas, como o joio e o trigo, para homens nobres, para criaturas distintas, para os conspícuos que não se vendem. Liberdade e soltura são para os machos que não se desbaratam, não se dispersam, para os que não se deixam ser levados pelo poder. TODO PODER É PODRE. Somente os desgraçados e descaídos de espírito, os vazios de alma, têm coragem de se corromper e morrer por ele. Nosso brazzilzinho, a bem da verdade, prolifera decadente, cheio de ratos de esgotos. Está entupido até o nariz dessa gentalha. “Gentalha, gentalha, gentalha”.
Tradução da frase de Ovídeo citada acima: “Quando és feliz tem muitos amigos; em tempos nublados, ficas só”.
Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De São Paulo, Capital. 11-5-2018

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