sexta-feira, 25 de maio de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Retrospectivando

Aparecido Raimundo de Souza

ESTIVEMOS ONTEM, DE PASSAGEM por Vila Velha, no Espírito Santo. O Espírito Santo é um estado fantasma. Nunca ninguém viu cara a cara o Espírito, nem tête-à-tête o Santo. Apesar disso, a cidade de Vila Velha, região da Grande Vitória, completou 483 anos. Vila Velha, diga-se de passagem, é uma metrópole de tirar o fôlego de gregos e troianos e até mesmo daqueles que já bateram com as doze e aparentemente (como, aparentemente?!) dormitam tranquilamente o sono eterno dos justos.

Vamos explicar. A indagação “como, aparentemente?!” salta à baila, em vista dos cemitérios locais estarem depredados, devastados, às moscas, notadamente ao descaso de um prefeito pilantra e um poder público, por trás dele, embaçadamente ferro-velhado. Para os senhores terem uma ideia mais ampla, conversamos com alguns “defuntos” em seus respectivos jazigos (e acreditem, as reclamações foram as mais diversificadas).  Na verdade, pulularam como pipocas nos carrinhos frente a um ajuntamento de pequerruchos. Destacamos as que nos chocaram de imediato.

Reparem. Sepulturas quebradas, carneiros sem as proteções necessárias, campas e ossuários esbodegados, sepulcros abandonados, cheios de lixo e matos em volta, muros pichados, capelas (para as famílias velarem seus entes queridos) vandalizadas, servindo a maioria, de banheiros improvisados e residências clandestinas para “noiados”, moradores de ruas, além de uma centena de usuários de drogas e sem teto.

Sem mencionarmos os casais de desocupados que praticam sexo, e nesse cavaquear, reviram os olhinhos a céu aberto, em plena luz do dia, e, à noite (principalmente à noite), sob o dossel fulgurante das estrelas.  

Nessa peregrinação, um falecido recente, nos revelou que, após ter sido enterrado, teve seu buraco (perdão, senhores, sua cova), arrombada. Arrombada não, assaltada. Levaram um cordão de ouro, um relógio de pulso e mil e quinhentos reais em dinheiro, que guardava nos bolsos para lanches durante a viagem até seu destino final. Tentou um Boletim de Ocorrência na delegacia local, mas sem êxito.

O delegado de plantão alegou que “não poderia atender a uma criatura que havia passado desta para melhor. Que ele, o “extinto”, reclamasse com São Pedro, ou outra entidade canonizada, tendo em vista, em sua pocilga (desculpem, de novo) tendo em vista, em sua delegacia, jamais ser importunado para registrar um BO, onde a vítima se constituía num morto vivo em carne e osso”.

Pois bem. Saindo de Vila Velha, demos um pulo na zona rural de Jataipeba, Norte do Estado. Ali senhoras e senhores, a Educação está soterrada até o pescoço em imenso atoleiro. Alunos de várias comunidades se arriscam diariamente acomodados em cima de tratores para chegarem até a escola.

O prefeito de Linhares (onde fica a distante Jataipeba), explicou através de nota que “as crianças estão indo para as aulas de trator porque choveu muito e as condições das estradas não favorecem o tráfego dos ônibus, tampouco para as próprias máquinas que estão sendo usadas e habituadas a chafurdarem no barro”.

O chefe da administração, Guerino Zanon, espera que, “pelo menos metade dessa população de estudantes opte, futuramente, para a profissão de tratorista”. Segundo nota enviada a nós, jornalistas, é escassa a mão de obra de pessoas especializadas em pilotarem tratores e outros veículos dessa linhagem.

Na mesma proa de Linhares, a Polícia Civil concluiu um crime bárbaro e hediondo. Um fato que chocou não só o Estado do Espírito Santo, como o Brasil inteiro. A imprensa deu tanto em cima que o delegado a frente do caso teve que se mexer e dar uma satisfação à sociedade. Em 21 de abril próximo passado, o pastor George Alves, realmente matou o próprio filho, Joaquim Alves Salles, de 3 anos, e o enteado, Kauã Sales Burkovsky, de 6, na casa onde eles moravam, no centro dessa cidade.

Os irmãos Joaquim e Kauã foram achados mortos e queimados após um “incêndio estranho e esquisito”. O ilustre e querido pastor, antes de churrasquear os meninos, abusou deles sexualmente. Esperamos, pois, que a justiça (se é que existe justiça para pastores e dirigentes de igrejas), faça alguma coisa e não ponha de volta, nas ruas, esse pregador vagabundo e pilantra.

Esperamos mais. Que uma alma de Deus dê um jeito de assar esse assassino aos poucos, no presídio onde atualmente se acha engaiolado. E que ele, com todas as honras, e por conta desse pavoroso e inesquecível evento, vá fazer seus cultos e falar da palavra nos confins dos quintos.

Enquanto isso, nosso “onroso” presidente Michel Jackson Temer, depois de um evento às carreiras no Palácio do Planalto, pediu “trégua de três dias” aos caminhoneiros. Essa galera de estradeiros reclama, a altos brados, dos preços altos dos combustíveis. Michelzinho pensando em se reeleger, e, sobretudo, não tirar a bunda gorda da cadeira do poder, prometeu (kikikikikiki) uma “solução satisfatória”.

Pelo menos um desenlace viável, que não desgaste, que não amarrote que não corroa ou carcoma, a sua cara de ET de Varginha. No pior dos mundos, que não o leve a bancarrotear. Observem caros leitores, que Temer se assemelha a um desses seres vindos de outro planeta, quando as coisas não acontecem como ele espera. O Poder, sempre o PODER falando mais alto. Ditando normas. Arquitetando planos e “mumunhas” por debaixo dos tapetes.

Pena que essa desgraça, esse câncer, ainda que detenha o poder, o PODER, O PODER, um dia, federá. Exalará mal cheiro. Fedentinará pior que catinga de cu, como todos os cadáveres desprovidos do ar benfazejo para continuar respirando. Afinal de contas, nenhum de nós ficará para semente. Esperamos, todavia, no Altíssimo, ver essa infâmia e outras mais que sujam que digladiam que enlameiam que enfeiam b-r-a-z-z-i-l-i-a a caminho das profundezas de Belzebu.  

Outro cidadão simpático que sumiu das luzes holofoteanas. Luiz Inácio Mula da Silva. Cantou tanto de galo, esperneou, bufou, latiu, rosnou, engordou os bolsos de seus “devogados” e morreu na praia. Coitado! Ainda por cima, perdeu o famoso 161-A, aquele “tripex”, “trispéis”, “trispies”, “tiprés”, pedimos perdão aos amigos leitores, por não conseguirmos pronunciar essa palavra direito.

Enfim, a fogosa e acolhedora cobertura milionária “Minha casa, minha vida”, o suntuoso edifício incrustrado no Condomínio Solaris, na linda e aconchegante (porque não asseverarmos paradisíaca?) Praia das Astúrias, na polvorosa Guarujá. Entre tropéis e arruaças, invasões e arrombamentos, urros e ulalás, a pergunta que não quer calar: e o humilde sitiozinho de Atibaia? Será que, ao menos esse espaço o ex-presidente Fula conseguirá reaver??!! 

Resumindo: em Vila Velha, por conta do aniversário dos 483 anos, assistimos a um bando de palhaços do Exército, da Aeronáutica e da Marinha marchando, como robôs comandados, desfilando, cada um deles mostrando suas armas, seus carros e seus canhões.

Vimos a Polícia Militar, com seus coronéis de pijamas seus homens com suas impecáveis fardas, espadas nas cinturas, uma dezena de condecorações no peito, as botas brilhando ao sol, enquanto os ladrões, do outro lado da praça, assaltavam os transeuntes. Registramos também um punhado enorme de crianças na mais completa e descomedida algazarra, fazendo figuração como abestalhados e lunáticos, com seus respectivos pais a tiracolo, mais tontos e aloprados que seus rebentos.

Essa multidão de boçais aplaudia toda aquela putaria “legalizada”, à custa de um trânsito caótico, enrolado e engarrafado, atrelado a um dia de trabalho perdido.  Devemos lembrar que todo comercio local parou para prestigiar o fabuloso evento.

Não deixamos de ver também em meio àquela balburdia, uma banda barulhenta, onde vozes, instrumentos e música (música??) se misturavam num abraço pandemônico, como se fosse o prenúncio de um começo de hecatombe. Sem contar as autoridades locais, o prefeito, o secretário de saúde, e delegado e outros jumentos grudados na prefeitura de terninhos de grife que não deixaram de discursar bonito. E o povinho, em massa, aplaudindo...     

Ficamos de dar um retorno ao defunto que perdeu seu dinheiro relógio e cordão. Avançamos. O delegado (outro policial) registrou a ocorrência e prometeu investigar. Quanto ao prefeito de Linhares, comunicou, ainda a pouco, que tirará os alunos de cima dos tratores e que os substituirá por carroças e cavalos. O pastor George Alves, pretende mudar de defensor e observou enfático, que se o novo procurador não o resgatar das grades até o final deste mês, contratará os causídicos que trabalharam para a Suzane von Richthofen.

Michel Jackson Temer em vista da suposta greve dos caminhoneiros, fará um pronunciamento em rede nacional alegando que mandará abastecer todos os carros da presidência, bem ainda o de sua esposa Marcela e da filha Maristela, esta última, por ter decorado bonitinho tudo o que papai sabichão e malandro mandou que ela falasse na Polícia Federal, com relação à reforma de seu barraquinho, na rua Silvia Celeste, zona oeste de São Paulo.  Em seguida, nosso presidente dará um pulinho logo ali, na República Bolivariana da Venezuela, para comemorar, com Nicolás Maduro, a sua reeleição.  

Lula (chaveado na PF, “Porra de Foda”) prometeu arranjar uma doença ocasionativa, ou seja, “da hora” para se livrar das barbas frias da cadeia solitária. Talvez um problema na próstata, um câncer no reto, ou uma dessas síndromes fabricadas ou maquiadas, para “inglês ver”, em que precise se locomover em cadeiras de rodas, com alguns bundas moles empurrando a sua frisgorófica figura maquiavélica pra lá e pra cá.  Conversará longamente com seus caríssimos doutores. Só nos resta a todos, esperar.

Poderá, igualmente, o fenômeno petista, para engambelar mais uma vez os trouxas e os manés de plantão, pintar dentro de algumas semanas, com uma simples dor no coração, ou nos fundilhos do cotovelo. Ou dependendo do papo com seus “home”, uma dor mais aguda, tipo assim, de Sergio Moro. Se for de Moro, Lula promete fugirá disfarçado de Dilma Rouboussett, ou de Pablo Vittar, para um desses paraísos fiscais, onde tem um bocadinho de dinheiro guardado, dando uma banana bem grande para todos nós BRASILEIROS DE MERDA.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Vitória, Vila Velha e Linhares, no Espírito Santo.  25-5-2018

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2 comentários:

  1. Amigo Jim, boa noite. Desculpe a curiosidade. Coisa de mulher. Por que o texto de Aparecido "Retrospectivando" não figurou na lista logo após "Homem de verdade ou a eterna veleidade do idilio inexistente?". Beijo grande.
    Carina. Ca.
    Secretária e Assessora de Imprensa do jornalista e escritor Aparecido Raimundo de Souza. Vila Velha ES.

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    Respostas
    1. Ótimo!
      Carina, estou no Rio, trouxe uma outra máquina. E, embora tenha trazido um HD externo, ficou patente que o backup nele contido teve falhas.

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