terça-feira, 15 de janeiro de 2019

[Aparecido rasga o verbo] O que é a vida? – Parte quatro

Aparecido Raimundo de Souza

“A vida é um ofício difícil de ser vivido, todavia, fácil demais para quem completou todas as etapas de aprendizado que ela nos ofereceu sem ter faltado um dia sequer”.
Carina Bratt

DANDO SEQUÊNCIA À SÉRIE “O que é a vida?” falemos, agora, da árvore da vida, do caminho da vida, do manancial da vida, do livro da vida e do país da vida. Naturalmente, como já vimos nos textos anteriores, esta vida dada, ou doada por misericórdia de Deus não pode ser outra, senão a vida sedimentada na prosperidade, na felicidade e na paz, incluindo a longa duração por ela propiciada.

No antigo Israel, visto que a morte era a descida à morada das sombras perpétuas e distanciadas de Deus, se considerava a benção suprema um prolongamento dos dias do homem sobre a Terra, antes de se juntar a seus entes já partidos para além-túmulo.

Alguns escritos do Velho Testamento parecem indicar, entretanto, em termos vagos e misteriosos, que o fiel (aquele que não se desvia da retidão nem por reza braba) poderia conhecer uma vida perene, inacabável ou ininterrupta junto ao Pai Maior. Vamos conferir isto em (Sl 16.10-11; 73.22-28 e Jó 19.25-26).

Todavia, se constituem uma exceção nos livros do Velho Testamento. Costumeiramente neles se encontra a crença de que o homem recebe, no decurso de seus dias aqui vividos, a sua retribuição por parte do Altíssimo, e que precisamente uma carreira longa é a condecoração ou ainda a bonificação aos bens talhados e os justos de espírito.

Porém, a passagem violenta para o mundo dos falecidos, ou o final prematuro (aquele não esperado) de um certo ou de um justo, parecia colocar em xeque, ou em dúvida, a justiça do Senhor e apresentava um problema doloroso para a fé inabalável dos imbuídos de corpo e alma nos evangelhos. Voltando ao livro de Jó observamos que é disto testemunha comovedora, e a resposta a tal quesito aparece apenas desordenadamente atrapalhada.      

Precisas e duras, duras e precisas serão as experiências de perseguição, de morte brutal dos mais fiéis, sob a opressão dos impérios pagãos (gregos e romanos) para que nasça nos entes de luz uma esperança, qual seja a de uma ressurreição dos mortos no final dos tempos, e do julgamento do Altíssimo condenando uns e outorgando a outros, a felicidade da vida eterna no reino santo do Soberano Maior.

Por falar em Soberano Maior, devemos lembrar que a vida suprema e perfeita, sem máculas, será uma imortalidade do ser espiritual, posto que todo vivente passa impreterivelmente pelos caminhos da morte. Trata-se de uma nova via um novo carreiro a partir da ressurreição no derradeiro dia, até os confins da eternidade. A palavra vida nas traduções do Novo Testamento corresponde a um dos três termos gregos: “zoê”, “psychê” e “bios”.

O primeiro é bem mais usado. O segundo, menos frequente. Significa exatamente alma. Da mesma forma que o hebreu “néphesch” designa o alento da vida, ou o princípio da vida e, por conseguinte, o ser vivente, especialmente o ser humano. O terceiro, que é ainda menos comum, se aplica distintamente à vida considerada em suas modalidades, dito de outra maneira, nas circunstâncias das quais decorrem ou nos recursos necessários para a sua total e dura manutenção.

Se a noção que temos da vida no Velho Testamento (ou que se tem visto por uma ótica paralela), se encerra geralmente nos limites deste mundo. O mesmo não acontece no Novo Testamento. A ressurreição de Jesus, por um lado, o dom do Espírito Santo por outro, renovam profundamente esta noção, dilatando as fronteiras deste conceito. Isto não obstacula os autores do Novo Testamento de falarem da vida tal como a conhecem na experiência comum.

A ideia da vida se associa se relaciona, se arregimenta, assim, à de agitação, energia, peleja, dinamismo. Em outras palavras, movimento. Vivente é aquele que é dotado de força e eficácia. A vida é passageira confinada a um lapso de tempo indeterminado, sendo a morte, seu término ou a consumação definitiva e sem volta.

Não podemos viver realmente se não tivermos, ou se não desfrutarmos de uma boa saúde, um estado pleno de excelência. A vida (como dissemos em outros textos deste trabalho) é o maior dos bens. O homem pode dispor livremente dele e viver a seu bel prazer.

Consultem por exemplo (Lc 15.13; Cl 3.7 e 2Tm 3.12). Até aqui estamos conversados? OK. Fechamos então nosso pensamento sobre “O que é a vida?” observando que seria bom, aliás, ótimo, que ele, o homem, vivesse em paz consigo mesmo e, sobretudo... sobretudo com o Pai Maior, Deus.

PS: Em nosso próximo encontro, que se dará dia 18 de janeiro, sexta-feira, encerraremos a nossa conversa sobre “O que é a vida?” falando um pouquinho do “Dia do Senhor”. Até.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De São Paulo, Capital. 15-1-2019

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