segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O Observador troça dos seus leitores e clientes (Se fosse só o Observador...)

Henrique Pereira dos Santos

De maneira geral nem ligo muito às constantes parvoíces que não são notícia a não ser pela vontade de jornalistas fazerem avançar as suas agendas pessoais ou políticas (hoje o Público tem um bom exemplo, com chamada de primeira página, sendo bastante ridícula esta coisa de passar o tempo a copiar peças dos jornais dos Estados Unidos como se tivessem o mínimo interesse para os leitores portugueses).

Mas desta vez o Observador foi longe demais.



Comecei por ver várias referências a esta história, associadas às indignações do costume sobre Trump, os seus apoiantes e a Igreja Católica.

Quando o Observador publicou a primeira versão da notícia, limitei-me a ficar espantado por não perceber afinal qual era a notícia, estranhando que o que eu via nos vídeos que o jornal escolhera publicar não me parecesse confirmar o texto (assinado por uma entidade mais ou menos abstrata, o Observador) que o jornal publicava.

Rapidamente nos comentários à notícia (quer no site do jornal, quer no facebook do jornal), se demonstrava que os factos que o jornal relatava eram tão evidentemente falsos, que fui tendo curiosidade em ver quanto tempo o jornal demorava a alterar a notícia.

Várias e longas horas depois, o jornal altera a notícia (de acordo com a nota sobre essa atualização, para acrescentar a posição da dioceses católica a que pertence a escola, mas na verdade aproveitando para amenizar um bocadinho os disparates, citando os meios próximos de Trump que levantavam dúvidas sobre a versão apresentada pelo Observador), mas sem que assumisse qualquer erro e mantendo o essencial da notícia e o seu título claramente mentiroso.

Meus caros amigos do Observador, eu sei que se os conselhos valessem de alguma coisa eram vendidos, não dados, mas ainda assim, aqui vai, dado, um conselho de um não jornalista: tal como em qualquer outra atividade, o que torna as organizações fortes não é o corporativismo em que todos se defendem uns aos outros, o que torna as organizações fortes é a capacidade para reconhecer erros, assumir responsabilidades e, quando se verifica que alguma coisa correu mal, a coragem para avaliar duramente todo o processo que produziu o erro, para ver o que se pode fazer para diminuir a probabilidade do mesmo erro ocorrer outra vez.

No caso do jornalismo, é o mínimo de respeito pelos leitores que vos exige esse esforço, não o façam se não quiserem, mas não se queixem da concorrência para explicar as vossas próprias responsabilidades e dificuldades de sobrevivência.
Título e Texto: Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas, 21-1-2019

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Um comentário:

  1. Caro José Manuel (publisher do Observador),

    Lamento mas acho que a forma como o Observador está a tratar este case-study de #FakeNews e manipulação dos media por uma organização de activistas está para lá do aceitável.

    Já passaram mais de 48 horas sobre o incidente e já há ampla informação e múltiplos vídeos, um dos quais muito extenso e completo, que permite à vossa redação emitir um "O Observador errou" - em relação a esta notícia.

    Parece que a vossa estratégia é fazer pequenas edições em que no final vão juntando uma ou outra pequena ressalva, mantendo a narrativa original, centrada à volta do actual (14:30 de 2a feira) subtítulo:

    "Jovens com bonés com o slogan de Trump - MAGA - gozaram com nativo-americano da tribo Omaha, que fazia uma marcha em Washington"

    Essa narrativa é sem sombra para qualquer dúvida FALSA!

    Se querem uma narrativa resumo mais próxima da verdade tentem:
    "Nativo-americano e veterano da guerra do Vietname provoca grupo de jovens com bonés com o slogan de Trump - MAGA - e felizmente estes reagem na brincadeira sem mais consequências." É o que facilmente se conclui da visualização dos vídeos completos de toda a situação.

    Se quiserem completar podem comparar o que se vê no vídeo antes da aproximação do nativo-americano Nathan Philips com a narrativa que o mesmo faz, e onde fica evidente que ele mente assim com a personagem citada no vosso artigo: Kaya Taitano! Não houve qualquer tipo de agressividade do grupo de jovens face aos membros do BHI (Black Hebrew Israelites) que, esses sim, fizeram inúmeras agressoões verbais aos mesmos jovens.

    Não é aceitável que depois de pelo menos 2 edições e correções se mantenha a falsidade num artigo do melhor jornal Português. Espero que não queiram seguir as pisadas do Expresso!

    Se me é permitido sugiro que o Observador além da correção e do "Observador Errou" faça uma análise da forma deplorável como o "mainstream media" pegou no tema, e como uma #FakeNews se tornou num evidente "caso de estudo" da intolerância, racismo e do "discurso de ódio" em relação a adolescentes por parte de uma enorme parte da elite da esquerda americana.

    Sinceramente, estou desapontado com a forma leviana como o Observador parece estar a lidar com este caso.

    Com a esperança que este lamentável caso seja uma oportunidade para o Observador melhorar um pouco mais e se afastar da praga das #FakeNews alimentadas pelos media tradicionais,

    Subscrevo Atenciosamente

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