Relatos incluem abordagens insistentes, transporte fora das plataformas e câmbio ilegal no Aeroporto Internacional Tom Jobim, mesmo com presença de agentes públicos
Gabriella Lourenço
Desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) tem sido motivo de queixas de passageiros diante de uma sequência de abordagens insistentes logo após a saída da área restrita. O que deveria marcar o início da estadia na cidade ou o retorno para casa dá lugar, muitas vezes, a um ambiente de pressão e desorganização.
No setor de chegadas
internacionais, viajantes descrevem um “corredor de assédio”, com ofertas
simultâneas de transporte, passeios, chips de celular, limpeza de calçados e
até câmbio de moedas. Em muitos casos, a negativa não encerra a insistência, e
os passageiros seguem acompanhados até deixarem o terminal.
A situação foi registrada em
apuração do Jornal O Globo, que acompanhou o movimento no local e reuniu
relatos de quem passou pelo aeroporto. Ao deixar a área destinada aos táxis
credenciados, o cenário muda. Fora desse espaço, há queixas sobre ausência de
fiscalização e atuação de pessoas sem identificação clara oferecendo corridas
fora das plataformas oficiais. Alguns vestem camisetas com a palavra “táxi”,
mas sem vínculo com cooperativas autorizadas.
De acordo com depoimentos colhidos pelo jornal, mesmo após a recusa, esses intermediários permanecem ao lado dos passageiros tentando convencê-los, muitas vezes com promessas de preços semelhantes aos serviços regulamentados — o que nem sempre se confirma. Em alguns casos, clientes são levados até o setor de embarque para utilizar veículos que operam de forma irregular.
Turistas estrangeiros aparecem
entre os mais vulneráveis. Sem familiaridade com o funcionamento do transporte
na cidade, tornam-se alvos frequentes. Em um dos episódios citados na apuração,
uma turista asiática foi conduzida até a escada rolante que leva ao embarque
sob a promessa de transporte. Pouco depois, retornou ao saguão e procurou o
balcão de informações.
Há ainda registros de
agressividade. Um turista foi xingado após recusar uma oferta. Em outro caso,
uma advogada, de 46 anos, que acompanhava a mãe, de 73, reagiu à insistência. “Isso
é assédio”, afirmou. Segundo ela, a situação se repete com
frequência. “Eles enrolam turistas. Já vi cobrarem US$ 300 (mais de R$
1,5 mil) por uma corrida até Copacabana. Isso precisa acabar”, disse,
em entrevista ao jornal.
Outro foco de queixa envolve
pessoas que oferecem limpeza de calçados. A aproximação costuma começar com
conversa informal, mas evolui para insistência. Em alguns casos, o serviço é
iniciado sem autorização. Um turista americano, que preferiu não se identificar,
disse ter sido insultado após recusar. Também há registros de conflitos entre
os próprios vendedores, motivados pela disputa por clientes.
A reportagem também
identificou práticas de câmbio irregular dentro do terminal. Segundo os
relatos, carregadores de bagagem oferecem troca de moeda em áreas mais
discretas, com valores negociados diretamente com passageiros. Foram observadas
transações em dinheiro e por Pix. A troca de moeda estrangeira só pode ser
realizada por instituições autorizadas, com identificação do cliente e cobrança
de impostos.
As ocorrências se dão mesmo
com a presença de agentes públicos e da segurança do aeroporto, o que também é
alvo de críticas. Há sensação de falta de controle entre passageiros, apesar da
circulação de equipes da Polícia Militar, Guarda Municipal e segurança privada.
As polícias Civil e Federal também mantêm postos no local.
Para representantes do setor
de turismo, o cenário prejudica a imagem da cidade. Procurada, a concessionária
RIOGaleão informou que atua em conjunto com órgãos públicos para coibir
irregularidades e melhorar a experiência dos passageiros. A Aena, que assumirá
a gestão do aeroporto, afirmou que ainda está em fase de planejamento.
A Polícia Federal informou que
apura denúncias de câmbio ilegal, mas não divulga detalhes. A Polícia Civil do
Estado do Rio de Janeiro disse que investiga eventuais crimes. A Guarda
Municipal afirmou que atua no entorno do terminal. Já a Secretaria municipal de
Transportes declarou que realiza ações para garantir segurança e transparência
nos serviços.
*As informações são do
Jornal O Globo.
Título e Texto: Gabriella
Lourenço, Diário do Rio, 3-4-2026

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