terça-feira, 7 de abril de 2026

Passageiros denunciam ‘corredor de assédio’ no Galeão com xingamentos e oferta irregular de serviços

Relatos incluem abordagens insistentes, transporte fora das plataformas e câmbio ilegal no Aeroporto Internacional Tom Jobim, mesmo com presença de agentes públicos

Gabriella Lourenço

Desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) tem sido motivo de queixas de passageiros diante de uma sequência de abordagens insistentes logo após a saída da área restrita. O que deveria marcar o início da estadia na cidade ou o retorno para casa dá lugar, muitas vezes, a um ambiente de pressão e desorganização.

No setor de chegadas internacionais, viajantes descrevem um “corredor de assédio”, com ofertas simultâneas de transporte, passeios, chips de celular, limpeza de calçados e até câmbio de moedas. Em muitos casos, a negativa não encerra a insistência, e os passageiros seguem acompanhados até deixarem o terminal.

A situação foi registrada em apuração do Jornal O Globo, que acompanhou o movimento no local e reuniu relatos de quem passou pelo aeroporto. Ao deixar a área destinada aos táxis credenciados, o cenário muda. Fora desse espaço, há queixas sobre ausência de fiscalização e atuação de pessoas sem identificação clara oferecendo corridas fora das plataformas oficiais. Alguns vestem camisetas com a palavra “táxi”, mas sem vínculo com cooperativas autorizadas.

De acordo com depoimentos colhidos pelo jornal, mesmo após a recusa, esses intermediários permanecem ao lado dos passageiros tentando convencê-los, muitas vezes com promessas de preços semelhantes aos serviços regulamentados — o que nem sempre se confirma. Em alguns casos, clientes são levados até o setor de embarque para utilizar veículos que operam de forma irregular.

Turistas estrangeiros aparecem entre os mais vulneráveis. Sem familiaridade com o funcionamento do transporte na cidade, tornam-se alvos frequentes. Em um dos episódios citados na apuração, uma turista asiática foi conduzida até a escada rolante que leva ao embarque sob a promessa de transporte. Pouco depois, retornou ao saguão e procurou o balcão de informações.

Há ainda registros de agressividade. Um turista foi xingado após recusar uma oferta. Em outro caso, uma advogada, de 46 anos, que acompanhava a mãe, de 73, reagiu à insistência. “Isso é assédio”, afirmou. Segundo ela, a situação se repete com frequência. “Eles enrolam turistas. Já vi cobrarem US$ 300 (mais de R$ 1,5 mil) por uma corrida até Copacabana. Isso precisa acabar”, disse, em entrevista ao jornal.

Outro foco de queixa envolve pessoas que oferecem limpeza de calçados. A aproximação costuma começar com conversa informal, mas evolui para insistência. Em alguns casos, o serviço é iniciado sem autorização. Um turista americano, que preferiu não se identificar, disse ter sido insultado após recusar. Também há registros de conflitos entre os próprios vendedores, motivados pela disputa por clientes.

A reportagem também identificou práticas de câmbio irregular dentro do terminal. Segundo os relatos, carregadores de bagagem oferecem troca de moeda em áreas mais discretas, com valores negociados diretamente com passageiros. Foram observadas transações em dinheiro e por Pix. A troca de moeda estrangeira só pode ser realizada por instituições autorizadas, com identificação do cliente e cobrança de impostos.

As ocorrências se dão mesmo com a presença de agentes públicos e da segurança do aeroporto, o que também é alvo de críticas. Há sensação de falta de controle entre passageiros, apesar da circulação de equipes da Polícia Militar, Guarda Municipal e segurança privada. As polícias Civil e Federal também mantêm postos no local.

Para representantes do setor de turismo, o cenário prejudica a imagem da cidade. Procurada, a concessionária RIOGaleão informou que atua em conjunto com órgãos públicos para coibir irregularidades e melhorar a experiência dos passageiros. A Aena, que assumirá a gestão do aeroporto, afirmou que ainda está em fase de planejamento.

A Polícia Federal informou que apura denúncias de câmbio ilegal, mas não divulga detalhes. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro disse que investiga eventuais crimes. A Guarda Municipal afirmou que atua no entorno do terminal. Já a Secretaria municipal de Transportes declarou que realiza ações para garantir segurança e transparência nos serviços.

*As informações são do Jornal O Globo.

Título e Texto: Gabriella Lourenço, Diário do Rio, 3-4-2026

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