Luciano Henrique
De que maneira rebater a fúria
psicopática da extrema-esquerda? Lobão fez uma
carta aberta sensacional a Caetano, Gil e Chico:
Carta Aberta para Caetano, Gil e Chico
Caros amigos,
Decidi escrever uma carta aberta a vocês por inúmeros motivos, mas
confesso que dentre todos esses tais motivos que me moveram, estava lá, para
minha surpresa, no fundo do meu peito a me gritar, o maior e mais importante
deles todos: O meu amor por vocês.
Não poderia haver momento mais emblemático, um domingo de Páscoa, me
permitir (não sem alguma resistência) ser flagrado em minhas próprias
contradições. Pois bem: na madrugada de hoje, tomei fôlego e sintonizei o
programa do Serginho Groissmann no intuito (um tanto beligerante) de verificar
as declarações do Caetano que vazaram na imprensa sobre as passeatas, a
situação política etc e tal, imaginando colher não somente o que foi dito, mas
como foi dito, gesticulado e contextualizado. Até então, o clima era de afiar
unhas e dentes.
Contudo, algo muito possante tomou conta de mim, uma força estranha foi
me conduzindo para áreas da minha memória afetiva e quando dei por mim, estava
lá eu olhando para a TV inundado de carinho e amor, com um enorme sentimento de
parentesco por aquelas duas figuras (Caetano e Gil) que há tantos anos venho me
digladiando e divergindo.
Essa tal força estranha também dragou uma outra figura, na tela ausente,
para a ribalta do meu coração, o Chico.
E a partir daquele instante me vi numa tremenda sinuca de bico: se
estou eu, lutando pela verdade dos fatos, por alguma razoabilidade nos gestos,
por justiça, honestidade intelectual, tolerância e entendimento, cabe a mim
adotar esse rigor, antes de mais nada, a mim mesmo e por isso mesmo venho a
público pedir minhas desculpas por ter sido durante todos esses anos, desonesto
a diminuir o talento de vocês três por pura birra, competição, autoafirmação ou
até, vá lá, uma discordância genuína quanto a princípios ideológicos, políticos
e metodológicos.