Paulo Hasse Paixão
Um novo relatório revelou que a British Broadcasting
Corporation (BBC) está sob crescente pressão financeira devido à queda nas
subscrições da licença de TV, à medida que o público britânico procura cada vez
mais outras fontes de notícias e entretenimento
De acordo com o relatório anual da corporação, a venda de licenças de TV, que financiam a BBC e são obrigatórias para qualquer pessoa que veja televisão no Reino Unido, mesmo que não seja conteúdo da estação pública, diminuiu na ordem das 540.000. O relatório mostrou também que 23,3 milhões de licenças estavam activas no final do ano fiscal de 2025/2026, enquanto o número de famílias na Grã-Bretanha sem licença subiu para 3,7 milhões, um aumento líquido de 62.000 famílias.
Berangere Michel, a directora
financeira da BBC, disse a este propósito:
“A grande razão para este
declínio é que as pessoas não estão a consumir conteúdo licenciado. Esta é uma
tendência que não vejo inverter-se. Na verdade, vejo-a a acelerar, e essa é uma
das razões pelas quais gostaríamos de uma reforma no financiamento.”
Num mundo normal, a direcção da BBC deveria enquadrar e processar este números como uma rejeição do seu mercado aos produtos que emite e rever essa filosofia de produção e programação. Mas no Reino Unido contemporâneo as coisas não funcionam normalmente e o objectivo “reformista” de Michel é claro: não importa se os cidadãos britânicos apreciam ou não, consomem ou não, a propaganda regimental. Terá que se encontrar uma forma de que a paguem na mesma.
O relatório observou ainda que
o aumento dos custos de produção, as pressões inflacionistas e um mercado de
media em rápida transformação pressionaram ainda mais a organização. As suas
conclusões sugerem um declínio da confiança e do interesse pela BBC. A
corporação já anunciou planos para cortar 500 milhões de libras em custos até
2028/2029, com 160 milhões de libras em poupanças previstas nas suas divisões
de notícias e conteúdos.
É provável que o relatório
pressione o governo britânico a procurar uma reforma no financiamento. A
Secretária da Cultura, Media e Desporto do Reino Unido, Lisa Nandy, já propôs
alargar a Licença de TV para incluir os utilizadores que optam por serviços de streaming pagos,
como o Netflix, Disney+ e Prime Video, em vez de conteúdos da BBC, obrigando-os
a financiar a estação. No mês passado, o Contra noticiou que
o governo britânico estava a elaborar uma proposta para fazer com que as
empresas de redes sociais atribuam visibilidade preferencial aos conteúdos da
BBC.
O diretor-geral da estação
pública britÂnica, Matt Brittin, reagiu ao relatório com característico
alarmismo:
“Este é um momento de
verdadeiro perigo, não só para a BBC, mas para a radiodifusão de serviço
público e para o Reino Unido como um todo.”
Não. Este é só um momento em
que os britânicos estão finalmente a mostrar a fatiga que advém do
corporativismo leninista e dos esforços constantes
de lavagem ao
cérebro dirigidos às
audiências. Este é só o momento em que a BBC está a pagar o preço da sua
infâmia, se bem que o estabelecimento irá por certo encontrar maneira de salvar
a estação, espoliando o contribuinte.
Cada família paga anualmente à BBC cerca de 200 euros para ser insultada, humilhada, estupidificada e enganada pela emissora pública que um dia, no paleolítico inferior dos media, foi uma referência de qualidade em informação e entretenimento da civilização ocidental.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
4-8-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-