quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tráfico de drogas

Regina Mas
A cidade do Rio de Janeiro, um dos postais do nosso Brasil e onde nasci e resido ainda, tem sido palco de tristes acontecimentos que se agravam dia após dia. Pessoas, vítimas de balas perdidas, morrem ou sofrem lesões graves. Policiais, tentando enfrentar bandidos, ou passar por determinados locais onde o perigo é evidente. Enfim, vivemos uma guerra, onde impera o medo, quando comerciantes são obrigados a fechar suas portas em virtude das ameaças de bandidos.


Todo o caos em que vivemos atualmente tem uma origem: A DROGA E O TRÁFICO DA MESMA. Tudo isso vem ocupando meus pensamentos que tenta vislumbrar uma solução para o grave problema que vivemos, ainda que eu nada possa fazer em relação a ele, a não ser escrever e manifestar minha opinião a quem me queira ler. É possível que eu esteja completamente errada ao admitir a solução que desejo apresentar a vocês, aqui e agora, como a única viável no momento.


Nunca foi de meu agrado analisar pontualmente qualquer problema, visto que eles não acontecem isolados, mas conectados a outros fatores e o primeiro deles é que, só há traficantes de drogas porque há os que as consomem. Se abrimos um negócio e tentamos vender um produto que ninguém compra, falimos – isso é óbvio!

A rede do tráfico de drogas é poderosa e não se restringe ao nosso território.
Fora a droga produzida aqui mesmo que não tem que atravessar fronteiras, há a droga vinda de fora e é quase inútil se tentar impedir essa entrada visto que o Brasil é imenso e caso ela não entre via aeroportos ou portos, entrará via florestas e rios sobre os quais é praticamente impossível manter-se uma vigilância permanente ou não.

Enfim, o que se constata é que quem quer usar droga usa, ainda que seja proibida a venda.
Isso não é mistério para ninguém. Qualquer um que queira comprar cocaína, maconha ou outra droga que seja, vai comprá-la com relativa facilidade, se tiver dinheiro.

Para cada traficante, de segundo ou terceiro escalão, que seja preso ou que morra no “cumprimento de dever”, surgem dois ou três para substituí-lo, pois a rede é poderosa, rendosa e encontra interessados em todos os níveis de nossa sociedade.
Tudo o que falo nesse texto é do conhecimento de todos. Não possuo nenhuma informação secreta.

Durante a Lei Seca, quando a bebida alcoólica teve proibida sua venda nos Estados Unidos, foi quando surgiram os grandes e legendários bandidos que se dedicavam à compra e venda ilegal de álcool. O álcool É UMA DROGA, quer queiram quer não queiram os apreciadores de bebidas alcoólicas.
Sua venda é absolutamente liberada e bebe-se à vontade embora haja um tênue e quase imperceptível alerta que recomenda moderação nas propagadas de cerveja na TV.

O cigarro, também nocivo à saúde, sofre uma implacável propaganda contra, que, felizmente, tem dado bons resultados. Entretanto, sua venda jamais foi proibida e, tanto se fuma um cigarro comum como se consome um baseado (maconha). O cigarro comum tem sofrido restrições até mesmo de lugar onde se pode ou não fumar e, embora a venda não seja proibida, o número de consumidores diminuiu razoavelmente em razão da propaganda maciça contra.

Caso a venda de bebidas alcoólicas fosse proibida, certamente surgiria o mercado ilegal, comandado por marginais bandidos que disputariam pontos de venda como são atualmente disputados os pontos de venda das drogas.

É fácil constatar que a proibição gera o crime, pelo menos os crimes ligados às drogas que, no momento, são os que vêm causando tantos distúrbios à população.
Se, proibida ou não a venda e o consumo de drogas, quem deseja consumi-la a consome e, sendo proibida, vem gerando tantos problemas como mortes de inocentes, gastos com a polícia de plantão em favelas, terror na cidade a quem jamais provou um cigarro de maconha ou cheirou o tal do pó, eu pergunto:
PORQUE NÃO SE LIBERA A VENDA DA DROGA A QUEM A QUEIRA COMPRAR e usar?

Você, leitor, compraria? Eu não! Comprariam os que sempre compraram e continuarão comprando, com uma vantagem, os traficantes de primeiro, segundo, terceiro ou quarto escalões ficariam desempregados. Certamente a criminalidade ligada a drogas deixaria de existir. Alguém por acaso já ouviu falar em tráfico de bebida alcoólica? Só nos tempos da Lei Seca nos Estados Unidos. Comprovadamente, o álcool é DROGA SIM! E MATA! E FAZ COM QUE O HOMEM PACATO MATE QUANDO ALCOOLIZADO. O bêbado provoca acidentes de tráfego, o bêbado bate na mulher, nos filhos e comete desatinos também.
O alcoólatra, se não tratado, tem um triste fim. Mas o álcool é liberado!
Ninguém alicia menores em portas de escola para a compra de álcool mas, para a compra de maconha, de coca ou de outras drogas proibidas, sim.

Se a propaganda contra o cigarro deu tão certo porque não se libera de uma vez a venda de outras drogas e não se gasta o dinheiro que se gasta no combate aos traficantes, estando eles soltos ou presos, numa campanha antidrogas eficaz e maciça? Campanhas através da televisão, das escolas, das Igrejas, enfim campanhas espalhadas por toda a cidade.
Todos sabem que proibição gera vontade. O que é proibido tem mais sabor.
Libere-se a droga e o jovem terá menos curiosidade e saberá por intermédio da mídia (filmes, palestras em escolas, etc) o mal que faz e como terminam os pobres viciados.
A quem não interessa a liberação? Creio que há muitos que lucram com o tráfico.

Eu sei que Mao Tse Tung acabou com o uso do ópio (introduzido no país pelos ingleses) na China. Mas tratava-se de um regime totalitário e as leis (ou falta delas) eram outras.
Quem deseja isso para o Brasil?
Não sei como poderia ser feita essa liberação. Não sei mesmo se estou correta em meu raciocínio, mas não vislumbro outra solução para este grande mal que está afetando não somente os viciados, mas também quem nunca se meteu com drogas e que morre por causa delas.

Sei também que a droga não é liberada no mundo. Mas moro no Brasil, no Rio de Janeiro e tenho que pensar em termos de Brasil. Se aqui enfrentamos uma verdadeira guerra, onde o comando do tráfico domina a sociedade impondo suas leis e regras, é aqui que temos que encarar o problema.
A quem leu esse texto até agora, peço que opine e me diga se tenho ou não razão e mostre uma outra saída para esse gravíssimo problema que enfrentamos.
Título e Texto: Regina Mas, 31-10-2013

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