quarta-feira, 25 de março de 2015

Governo (dos Trabalhadores) faz manobra contra reajuste de aposentados e pensionistas do INSS

Priscila Belmonte
Por essa os nove milhões de aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima do salário mínimo (R$ 788) não esperavam. Após idas e vindas na Câmara dos Deputados, o projeto que estendia a mesma política de reajuste do salário mínimo aos segurados da Previdência Social não chegou a ser votado ontem, graças a uma manobra do governo. À tarde, a presidente Dilma Rousseff editou uma Medida Provisória (MP) às pressas, para desvincular um aumento do outro, pois temia que os parlamentares aprovassem a proposta em favor dos beneficiários do INSS. Se a política fosse estendida, estes passariam a ter um reajuste anual maior.

O texto principal que tratava do aumento do salário mínimo até 2019 já tinha sido aprovado no Congresso, na semana passada. Mas, na pauta de ontem da Câmara, estava uma emenda que favorecia, também, os segurados do INSS. O texto, porém, foi retirado da pauta pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assim que o governo informou a estratégia de editar a medida provisória.

Horas depois, Dilma Rousseff anunciou a assinatura da MP, que valida somente a correção do piso nacional pela inflação do ano anterior, mais o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) de dois anos antes. O debate sobre os aposentados, então, foi adiado por tempo indeterminado.

O interesse urgente em desvincular os dois aumentos se deve ao temido impacto sobre os cofres públicos. De acordo com uma projeção do governo federal, com um aumento maior para os aposentados — que hoje têm reajuste apenas com base na inflação — seriam gastos mais R$ 4 bilhões por ano.

A solução de última hora adotada pelo governo foi articulada, ontem de manhã, pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e de Relações Institucionais, Pepe Vargas, com os líderes da base aliada. Em princípio, seria apresentada, hoje, uma alternativa ao Congresso, mas acabou prevalecendo a antecipação da assinatura da MP, a fim de evitar surpresas. 
Texto: Priscila Belmonte, EXTRA, 25-3-2015

Um comentário:

  1. São nos momentos como este que me vem uma tristeza profunda, sofrida, porque há 12 anos que venho exortando aos aposentados e aos insatisfeitos em geral com as gestões petistas, que unifiquem seus votos nos candidatos da oposição, única maneira de alijar a dupla Lula/Dilma sem depender de ninguém. O povo unido nunca poderá ser vencido. Ignoramos essa verdade e hoje estamos pagando por tamanha pasmaceira, obrigados ainda a escutar que não queremos aceitar o resultado das urnas! Passaram-se três eleições, quando não soubemos nos livrar das ações petistas. Perdemos na reeleição de Lula, na eleição e reeleição de Dilma, o que, confesso, me deixou rubro de vergonha, porque nos atropelaram por falha nossa por exclusiva e pura bobeira! Se o PSDB não era o ideal pela mágoa que nos causou ao tolher nossos direitos previdenciários, foi o único partido oposicionista que competiu com os petistas nas eleições presidenciáveis citadas acima. A ora era de mudanças, até porque não tínhamos certeza absoluta que Alckmin, Serra e Aécio iriam repetir os mesmos passos de FHC. Se fomos carrancudos em não dar os votos aos candidatos petistas, fomos muito mais ingênuos e passíveis ao aceitar a manutenção de manobras muito mais perniciosas contra nossos direitos, conforme o PT tem feito sem piedade alguma! Até hoje não entendo, embora não goste de lamentar os erros passados, como fomos capazes de esnobar os 10% que Serra nos daria de aumento, aceitando os 5% dado por Dilma! Como se não bastasse, tivemos para aumentar nosso castigo dois reajustes abaixo da inflação, coisa que nem FHC nem Lula foram capazes de fazer. Demos um tiro no próprio pé, quando Aécio perdeu a eleição para a Dilma, com menos 3,5 milhões de votos, enquanto 37 milhões de eleitores jogaram seus votos na lixeira...
    Almir Papalardo.

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