domingo, 13 de dezembro de 2015

O problema não está na recusa. Está na obrigação que vem atrás

Helena Matos
O Correio da Manhã volta à questão que tratei na crónica do Observador da passada semana: O guia para “Acolhimento de refugiados” agora editado pela Direcção-Geral da Saúde que entre outras coisas prevê a organização dos serviços de saúde em função de questões religiosas.

Escreve o CM: Refugiadas podem recusar médico homem. E logo o fantástico bastonário da Ordem dos Médicos [foto] diz que sim, que lhe parece normal: “Os profissionais de saúde estão sensibilizados para as questões do doente. Tem de se respeitar as idiossincrasias dos utentes. Existe um livrinho sobre as especificidades de cada religião.”

Esquece o idiossincrático bastonário que não é uma questão de especificidades ou idiossincrasias. Ou até do direito à recusa de um tratamento. As Testemunhas de Jeová recusam as transfusões de sangue e estão no seu direito. Mas não obrigam os serviços de saúde a criar espaços sem sacos de plasma nem transfusões de sangue de modo a que elas não estejam rodeadas de pecado.

A questão que as mulheres muçulmanas ou os seus maridos por elas estão a levantar por essa Europa fora é outra: é simplesmente obrigar os hospitais a criarem serviços diferenciados para as atender.
E essa imposição é a todos os títulos inaceitável.
Título e Texto: Helena Matos, Blasfémias, 12-12-2015

Impressionante os médicos elegerem este (mais um) ponta-de-lança do PCP…

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