terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Incompreensíveis elogios de Francisco à Cuba comunista

Gonzalo Guimaraens - Destaque Internacional (*)

1. O Papa Francisco e Kirill, patriarca ortodoxo de Moscou, em documento conjunto assinado em Havana [foto acima], tentam justificar o local escolhido alegando, entre outras coisas, que Cuba seria “um símbolo de esperança no Novo Mundo”.

O Papa Francisco e Kirill, patriarca da igreja cismática ortodoxa russa, assinaram no dia 12 p.p. uma declaração conjunta em Havana. À direita, alguns agentes de tal igreja russa e o ditador de Cuba, Raul Castro (à esq. da bandeira da ilha-presídio).

2. Sinceramente, não se compreende em que sentido uma ilha-prisão comunista, com quase 60 anos de sinistra existência, poderia ser considerada como símbolo de “esperança”.

3. Com efeito, trata-se de uma prisão subjugada pelos mesmos carcereiros que perseguiram os anticomunistas com centros de “reeducação”, cárceres, e até mesmo com o famoso “paredón” de fuzilamento para se livrar de jovens católicos, muitos dos quais — é de justiça lembrá-los — morriam bradando “Viva Cristo Rei! Abaixo o comunismo!” É a mesma prisão que, com o consentimento de bispos submissos aos carcereiros e o silêncio da própria diplomacia vaticana, continua perseguindo os católicos por meio de torniquetes legais e constitucionais iníquos, que qualificam como “punível” (Constituição, art . 62) o simples fato de se opor em nome da fé, ainda que verbalmente, aos objetivos do comunismo. Uma prisão que atualmente combina repressão institucional com sofisticados métodos policialescos de repressão física e psicológica.


4. Francisco, em posterior conversa com os jornalistas, disse que o texto assinado por ambos não é uma “declaração política”. Entretanto, pelo menos no que se refere à Cuba comunista, a própria declaração se encarregou de politizar esse delicado tema.

5. O pontífice disse ainda aos jornalistas que não queria sair do país sem antes manifestar um “sentimento de agradecimento” ao ditador Castro, elogiando sua suposta “disponibilidade ativa”. E concluiu afirmando que, “se continuar assim, Cuba será a capital da unidade”. Trata-se de uma conclusão particularmente incompreensível, pelo fato de a ilha-presídio ter sido e continuar sendo a capital da desunião e da discórdia no seio das Américas, mediante a constante difusão de germes revolucionários.

6. No tocante à Cuba comunista, tanto a declaração conjunta quanto as mencionadas palavras de Francisco não fazem senão aumentar e prolongar o sofrimento dos desditosos habitantes da ilha-prisão, que presenciam a incompreensível benevolência dos Pastores para com os lobos cubanos. Os defensores da liberdade no mundo inteiro têm o direito e até o dever de apontar publicamente essa situação paradoxal, de modo invariavelmente respeitoso, mas firme.

(*) Notas de “Destaque Internacional” — uma visão “politicamente incorreta” feita a partir da América do Sul. Documento de trabalho (Domingo, 14 de fevereiro de 2016). Este texto, traduzido do original espanhol por Paulo Roberto Campos, pode ser divulgado livremente.

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