Peter Wilm Rosenfeld
É extremamente triste e grave o que aconteceu com a Cia. Vale do Rio Doce.
Por um lado, o que está acontecendo é uma das conseqüências de uma privatização mal feita.
Mal feita porque as regras para a privatização deveriam ter estabelecido que nenhum fundo de pensão de empresa estatal poderia ser admitido como acionista, exatamente para evitar que acontecesse o que aconteceu.
Além disso, jamais deveria ter sido criada uma “golden share” que permitisse ao governo ter um peso decisivo em determinadas deliberações da empresa.
Esses dois fatores permitiram que o governo interferisse e fizesse sua vontade prevalecer. Aliás, esses e o fato de outros interesses do Bradesco estarem em jogo.
O que aconteceu poderia ser esperado do infeliz e ignorante Sr. da Silva, quando presidia o País e declarou sua inconformidade com as demissões de 1500 empregados que a empresa desligou quando a situação de mercado sofreu uma deterioração há não muito tempo.
O então Presidente da República, que nunca entendeu de administração de empresas, acostumado a ser irresponsável com os dinheiros públicos, queria que a Vale fosse irresponsável com o dinheiro dos acionistas.
Aliás, nunca se manifestou quando a empresa, não muito depois, admitiu novos 5000 empregados, amplamente compensando as demissões. As admissões foram efetuadas porque o mercado se havia recuperado.
Outra evidência da irresponsabilidade do Sr. da Silva foi quando ameaçou taxar a exportação de minério para tentar induzir a Vale a investir mais em siderurgia (mais grave ainda, quando o infeliz Ministro Mantega encampou a ameaça. Que economista de araque é essa “otoridade”!)



















