segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Direitos humanos e outros valores de um lado, o aliado ditador de outro: o dilema americano, segundo e ex-secretário de Estado James Baker

James Baker
Aos 80 anos ainda uma das vozes de peso no establishment norte-americano, é interessantíssima a entrevista sobre a crise no Egito concedida ao site do Conselho de Relações Exteriores – importante instituição independente americana que realiza estudos e pesquisas sobre política externa de Washington e relações internacionais – por James Baker, ex-secretário de Estado e ex-chefe de gabinete do presidente George Bush pai e ex-secretário de Estado do presidente Ronald Reagan.
– Temos que levar em conta princípios e valores, sim: democracia, direitos humanos, liberdade. Mas também temos que levar em conta o interesse nacional [dos Estados Unidos], se o governo específico com o qual estamos lidando é alinhado aos Estados Unidos ou não. E essas duas considerações estão batendo de frente nesse conflito.
Ou seja, os EUA apóiam esses princípios e valores que sempre defenderam publicamente, sobretudo a partir do governo do presidente democrata Jimmy Carter (1977-1981).

Mas se preocupam com a eventual queda do presidente Hosni Mubarak porque, mesmo governando com mão de ferro de ditador, sempre manteve o Egito como o mais sólido aliado de Washington no Oriente Médio e, junto com a também totalitária monarquia da Arábia Saudita, no mundo árabe em geral.
E, embora a rebelião nas ruas não contenha, até agora, hostilidade aos EUA – pelo contrário, guarda aspectos de movimento pró-valores do Ocidente, como ressaltou hoje o jornalista Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo –, o que virá depois dos 30 anos de Mubarak é uma incógnita para o maior país árabe.
O entrevistador também é de peso: hoje no Conselho, Bernard Gwertzman trabalhou longos anos no jornal The New York Times, onde, entre outras tarefas, foi correspondente em Moscou e editor de assuntos internacionais.
Pena que não haja versão em português da entrevista.
Se quiser, leia aqui a íntegra em inglês.
Ricardo Setti

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