domingo, 27 de fevereiro de 2011

Marketing de Dilma terá de mudar por causa de seu adversário: Lula!

Entrando no terceiro mês de governo, a marquetagem de Dilma vai mudar um tantinho, sem abrir mão da imagem da soberana austera, que toma decisões acima das paixões —  sentimentos extremados são coisa de gente plebéia.
A prática em curso tem sido, sim, eficiente. Dilma é considerada uma “grata surpresa”, especialmente por setores da imprensa.  O povão deve continuar satisfeito, apesar do aumento de alguns preços — nada ainda que arranhe a imagem da presidente. Então por que a mudança?
Alguém poderia evocar uma questão de fundo: a economia não vai crescer com o mesmo vigor; a inflação vai incomodar o governo por alguns meses, e Dilma precisa ser menos olímpica. Embora faça sentido, acho que isso é o que menos pesa. O problema me parece outro.
Há uma espécie de vácuo de “liderança popular”, o que eu, cá com os meus valores, tendo a achar positivo. Prefiro um país sem demiurgos. Ocorre que Lula está à espreita. Já lhe devolveram a presidência de honra do PT. Ele é um político apto a falar, opinar, palpitar etc.
O petismo precisa de um líder que mantenha a sociedade mais ou menos mobilizada contra adversários abstratos: os inimigos do povo, o atraso, as elites, sei lá eu… É preciso falar com as massas. Se Dilma não o fizer — e vai ter de aprender a fazê-lo!—, Lula se encarrega da tarefa. Ainda que tomasse um cuidado extremo para não competir com a liderança da presidente, isso aconteceria naturalmente.
Ainda voltarei ao assunto, mas, por ora, sintetizo assim: o marketing de Dilma vai ter de mudar porque, em certo sentido, seu único adversário, hoje, é Lula. Fosse só por causa da oposição, tudo poderia ficar como está.
Reinaldo Azevedo

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