terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Escola Viva gargalha em uníssono

Vitor Cunha
Vamos por partes. Primeiro, toda a gente sabe que exames não são a melhor forma de aferir a aprendizagem de um aluno. A melhor forma é, obviamente, um interrogatório seguido de psicanálise que culmine na dissecação do cérebro do aluno; isto permite encontrar todas as sinapses estabelecidas para cada patamar etário. Este método permite uma aferição rigorosa e perfeitamente mensurável, de acordo com o trabalho notável levado a cabo pelo Dr. Mengele e a sua equipa de brilhantes académicos. Porém, esta precisão acarreta um custo um pouco elevado para alguns pais: com a morte necessária dos alunos a aferir, muitos poderão optar pelo ensino privado, colocando em risco a sustentabilidade do ensino público de qualidade.

Sem dissecar o cérebro, uma forma menos rigorosa – mas, mesmo assim, dotada de maior precisão que um exame – é a contagem de gargalhadas. Criança feliz é criança que gargalha amiúde, nomeadamente enquanto outra esborracha a mona contra a parede de revestimento tartaruguinha. Seria fácil transformar a escola num local de gargalhada constante, bastando para isso a remoção de bueiros e a proibição opressora de manifestações culturais humanas como o arremesso de cadeiras, particularmente se os professores envergarem trajes de palhaço e maquiagem como a da imagem. A escola ideal foi descrita por Golding – apesar do nome que pode bem ser de um opressor do sionismo internacional – em “O Senhor das Moscas”.

Menos rigoroso que os métodos anteriores mas, mesmo assim, ainda melhor que exames, seria a caracterização sócio-económica dos alunos prévia ao exame informal. És cigano? 10 pontos de bónus. Vives no barraco? 15 pontos de bónus. Acumulas? Temos uma fórmula para isso. Curtes Monty Python mesmo que não percebas peva? 1500 pontos. És filho de um militante do Bloco? 5000 pontos. O teu género é indefinido? 10000 pontos. Claro, ao abrigo da igualdade, é suposto todos terem a mesma nota ou seja, nenhuma. Este método permitiria assegurar a igualdade de todos os alunos, incluíndo os imbecis diagnosticados, que, coitadinhos, também são filhos de Deus mesmo segundo o sistema retrógrado de crendice dos antigos.

À falta destes métodos, o facilitismo e a ignorância em ciências da educação da geração mais bem preparada de sempre que vota Bloco de Esquerda, utilizam-se exames, tentando colocar alunos num ranking maldoso e desprovido de significado. De que adianta ser o melhor aluno do país num dado ano se basta aos restantes alunos somarem as notas de forma a garantir que é o segundo classificado quem entra no curso pretendido? Numa verdadeira sociedade sem classes não são necessários exames, nem classes, nem professores e, convenhamos, nem sociedade.
Título, Imagem e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 1-12-2015

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