segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Nossas avaliações...

Valdemar Habitzreuter
“Minha tia faleceu com 100 anos de idade e sempre fumou muito”. São exemplos dessa espécie que enunciamos para rebater que o fumo possa ser prejudicial à saúde. Sempre avaliamos pelo que está mais fácil à mente. Não nos detemos a analisar o reverso da moeda, porque nos parece convincente o que está aí patente, e o contrário nos seria penoso executar ou provar. Para provar que o fumo faz mal seria necessário dedicar-se a um estudo científico e isto não estaria ao nosso alcance de imediato. Preferimos então fazer nossas avaliações com exemplos como o acima citado. Sofremos de preguiça intelectual. 

O bias de avaliação nos sugere aceitar mais aquilo que observamos, com o qual estamos envolvido despretensiosamente, do que avaliar aquilo com o qual não estamos familiarizado e que exige mais esforço para saber sua real relevância. Se fizéssemos uma pesquisa e perguntássemos às pessoas se as palavras começadas com a letra x eram mais numerosas do que as palavras em que o x aparecesse como terceira letra, teríamos como resposta a primeira opção, pelo fato de as pessoas se lembrarem de antemão mais palavras começando com a letra x. As xaropadas não exigem esforço de avaliação...

Há um personagem no cenário político brasileiro que repete exaustivamente sempre o mesmo slogan: “nunca antes na História desse país...”, e uma multidão a aplaudir quando ouve este refrão fazendo referência ao progresso que o PT proporcionou ao Brasil. Mas, esta mesma multidão nunca se questionou da intencionalidade desse slogan, o que se esconde por detrás desse engodo malévolo. É a tal história: uma mentira repetida exaustivamente transforma-se numa ‘triste verdade’.

A grande verdade é que o nosso bias avaliativo é falho, preguiçoso, superficial e sem responsabilidade com as coisas sérias. 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 15-2-2016

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