domingo, 5 de março de 2017

As verdadeiras definições de esquerda e direita não estão em Marx ou Mises, mas na realidade dos jogos de poder

Luciano Ayan


Este blog se chama Ceticismo Político exatamente por considerar o ceticismo uma ferramenta essencial para a avaliação das questões políticas, principalmente as alegações políticas. Por isso sempre repudiei a ideia de discussões políticas unicamente com base em autores focados em filosofia e economia. Eles geralmente confrontam teorias de “como as coisas deveriam ser” em vez de como as coisas são. Em outros casos, eles confrontam não a realidade, mas aquilo que seu adversário disse.

Esta é provavelmente a origem da fé cega na crença, um dos maiores flagelos que já acometeram um agrupamento humano na história da humanidade. No caso, é a direita que ainda acredita que “o socialismo fracassou” (pois eles julgam aquilo que Marx disse na teoria e não o que o socialismo sempre foi na prática). Em oposição, eu luto contra o socialismo, por que ele teve sucesso em seu real objetivo, o de criar totalitarismo a partir do controle total da economia. Observe: é uma oposição de visão de mundo. Em relação à direita, eu defino isso como direita crítica, em oposição à direita paternal (ou paternalista).

O detalhe duro é que os donos do poder (que são os que definem esquerda e direita) estão morrendo de rir daqueles que buscam descrever a política em termos filosóficos. É mais seguro visualizar a política em termos céticos.

No livro “Em Busca da Política”, Zygmunt Bauman escreveu:

“O casamento entre saber e poderes terrenos, abençoado no apogeu das esperanças iluministas, foi submetido a uma pressão brutal. Os investigadores e guardiões da verdade não podiam mais contar com o apoio dos governantes no mesmo nível de confiança total (considerada agora ingênua) que foi outrora privilégio e marca dos philosophes.”

E prossegue:
“Com o transcorrer do século XX, cada vez menos filósofos importantes repetiriam de boa vontade o gesto de Platão e pediriam aos tiranos da moderna Siracusa que fizessem do discurso filosófico o seu projeto político. Os poucos que fizeram isso logo descobriram, horrorizados, que a única função na qual os tiranos estariam dispostos a empregá-los era a de cortesãos – mensageiros do rei, poetas e por vezes bufões, porém mais provavelmente como bobos da corte.”

Essa é uma visão extremamente realista. Exatamente por isso, não podemos dizer que aquilo que os filósofos dizem sobre a política descreve como a política é. Ao contrário, eles no máximo fornecem serviços (ideológicos, em muitos casos) que servem como artefato para os donos do poder, que irão aproveitar o que quiserem, de acordo com seus interesses reais.

Observando a ótica dos donos do poder, é preciso saber que embora todos eles tenham interesses focados em aumentar seu capital político e garantir a próxima eleição, esses interesses ficam à sombra, não sendo declarados ao público. Seja lá como for, precisamos entender o que significa extrema-direita, direita, esquerda e extrema-esquerda nesse contexto a partir da seguinte pergunta:

Como o dono do poder quer ganhar dinheiro e aumentar/manter o poder?

·    Extrema-Direita: Dinheiro e poder devem ser adquiridos em um cenário sem estado. Não existem projetos de poder de extrema-direita. São geralmente libertários que não conseguiram fazer a teoria sair do papel. Adotam o anarco-capitalismo, mas apenas em sonho.

·   Direita: Dinheiro e poder devem ser adquiridos em um cenário baseado na iniciativa privada, mas que não ignore a existência do estado, que deve ser limitado. Geralmente são conservadores e liberais pragmáticos. Adotam o capitalismo de livre mercado.

·     Esquerda: Dinheiro e poder devem adquiridos em um cenário baseado principalmente no estado, mesmo que ainda exista espaço para a iniciativa privada, excessivamente controlada. Geralmente são socialdemocratas. Ou a esquerda globalista. Adotam o capitalismo de laços, principalmente.

·  Extrema-esquerda: Dinheiro e poder devem ser adquiridos em um cenário baseado principalmente em um estado totalitário, no qual a iniciativa privada não passa de um bando de serviçais. São os marxistas, nazistas e fascistas. Adotam o capitalismo de estado, junto ao capitalismo de compadrio.

Muitas pessoas dirão que a definição acima é simplista e ignora várias nuances da guerra cultural, mas no fundo a guerra cultural é apenas mais um artefato para cada uma das vertentes acima. Por exemplo, usar o marxismo cultural é um artefato tanto para a esquerda norte-americana, como para a extrema-esquerda brasileira.

Assim, meu modelo não ignora esses aspectos, mas busca saber a que interesse eles atendem.

Este modelo mostra porque ninguém deveria se espantar ao ver a esquerdista Hillary Clinton receber $ 1 bilhão de doação, ou mesmo o PT ser integralmente apoiado por grandes empresários. Também sabemos porque a extrema-esquerda depende tanto da manutenção de empresas estatizadas.

Hoje, finalmente os Estados Unidos começam a ver a possibilidade de se moverem da esquerda globalista para a direita. Os Bush, pai e filho, não foram nesta direção, ficando mais próximos de uma centro-esquerda lutando contra a esquerda tradicional. No Brasil, hoje, o poder se move da extrema-esquerda para a esquerda, o que nos dá perspectivas interessantes.

O que importa é que é vital lutar contra a esquerda do jeito que ela é, não da forma fantasiosa como ela é descrita nos livros de filósofos.
Título, Imagem e Texto: Luciano Ayan, Ceticismo Político, 28-2-2017

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2 comentários:

  1. Marx e Mises, dois racistas-talmudistas judeus que enganam os trouxas até hoje! Porcaria judaica!

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  2. MARX TALMUDISTA E JUDEU?
    NEM EM OUTRA ENCARNAÇÃO!!!!!

    ResponderExcluir

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