segunda-feira, 3 de abril de 2017

37 [O cão tabagista conversou com…] Marcelo Duarte: “Enquanto pilotávamos os aviões, os que estavam pilotando a empresa estavam quebrando a VARIG e o AERUS”

Arquivo pessoal
Nome completo: Marcelo Duarte Lins

Nome de guerra: na VARIG, Marcelo Duarte

E na TAAG?
Marcelo Lins

Onde nasceu: Rio de Janeiro, em 1957.

Onde estudou: Sempre estudei em escolas públicas que já foram referências de ensino de qualidade no Brasil.
Fiz meu ensino médio na Escola Preparatória de Cadetes do Ar na cidade mineira de Barbacena.

Sou Bacharel em Ciências Aeronáuticas no curso de oficial-aviador pela Academia da Força Aérea Brasileira.

Equivalência a Cursos e continuidade de estudos em cursos e programas de pós-graduação do Sistema Civil de Ensino.

Além desta formação tenho outros cursos na aérea de prevenção e investigação de acidentes aeronáuticos pelo CENIPA, Direito Aeronáutico pelo CBDA, e formação de instrutor.

Quando começou a trabalhar?
Comecei a voar em 1976, quando fui brevetado.
De aviação comercial tenho trinta anos.

Quer dizer, o seu primeiro trabalho foi voar, certo?  Onde?
Certo. Comecei voando na Força Aérea fazendo transporte de passageiros do antigo Correio Aéreo Nacional, missões de misericórdia, apoio a projetos de levar alunos de universidades pelo interior da Amazônia. Servi alguns anos no Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo localizado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Depois, fui comandar uma unidade aérea na cidade de Boa Vista. Em 1987 pedi demissão do serviço ativo da FAB e ingressei na VARIG como copiloto de B727.

Então, com trinta anos ingressa na Varig… quando pediu demissão da FAB já a visava?
Eu pedi demissão para ingressar na Varig. Havia sido aprovado num teste para a companhia, que estava precisando de pilotos com experiência, para começar como copiloto.

E quando se dá a sua primeira promoção?
A primeira promoção se deu cerca de dois anos e meio depois quando fui promovido para ser copiloto 3 e voar o Boeing 747.
Fui da segunda turma de copilotos a voar o jumbo.

Marcelo, se não estou em erro, os dois primeiros B-747 da Varig, PP-VNA e PP-VNB, chegaram em fevereiro de 1981… portanto, em 1999 temos um lapso de tempo de oito anos…
Voei Jumbo por oito anos. Tenho quase seis mil horas voadas no equipamento. Nele conheci o mundo. Estive no baseamento em Los Angeles. Depois saí Comandante no B737/200.



Saudades dos pernoites?
Muitas, a aviação mudou, hoje dificilmente se fica tantos dias parados em hotéis.
Sem dúvida. Costumo declarar que fui um privilegiado, pois peguei a melhor época da aviação civil, sob vários aspectos.

De quais pernoites mais gostava?
Todos! Maravilhoso estar uma semana nos EUA, outra semana na Europa. Passear no Japão. Com certeza esta oportunidade foi a maior riqueza que a VARIG nos proporcionou. A riqueza cultural.

A empresa ‘proporcionou’?
Não entendi a pergunta, mas a Varig teve uma grande importância para o Brasil e "proporcionou" aos seus funcionários ter acesso a outros países, outras culturas, bem como foi motivo de orgulho para todos os brasileiros, prestando um serviço de qualidade reconhecido internacionalmente. Quem não gostava de voar pela Varig?

A empresa era uma ‘mãe’?
Não era uma mãe nem uma madrasta. Foi uma empresa na qual todo brasileiro gostaria de ter trabalhado. A empresa tinha uma preocupação social bem grande, desde a sua fundação.  Afinal, os estatutos estavam baseados no "Contrato Social" de Rousseau e na Encíclica "Rerum Novarum". 

Teve dois grandes líderes, Rubem Berta e Erik de Carvalho, sendo que o segundo veio da Panair do Brasil. Na gestão de ambos a empresa teve um grande crescimento. Eles acreditavam que um funcionário satisfeito iria produzir mais. Isso continua sendo o que há de mais moderno na relação trabalho versus capital.

Infelizmente, o criador (VARIG) foi engolido pela criatura (FRB). Disputas internas pelo poder político-econômico com alterações no estatuto.

Ok. A sua última frase é uma severa conclusão. Você chegou a ela quando voava Jumbo, conhecendo o mundo, baseado em Los Angeles...?
Os fatos e o tempo é que concluem. Eu apenas mostro.
Conheci o mundo voando o Jumbo. No baseamento conheci o Japão.

Sim, é verdade! “O tempo é o senhor da razão”, diz o provérbio. O que eu quis perguntar foi QUANDO é que você se apercebeu dessas ‘disputas internas’? Isto é, quantos anos depois do seu ingresso na RG você se apercebeu disso?
Porque, acredito, essa percepção/conclusão é resultado de experiências, convivências, opções políticas…
Em 2001, quando aceitei o convite para compor a chapa que disputaria as eleições da maior associação de pilotos da América Latina – APVAR, contratamos algumas assessorias respeitadas. Até então desconfiava de que alguma coisa estava mal, mas não tinha a dimensão exata do problema.

Enquanto pilotávamos os aviões, os que estavam pilotando a empresa estavam quebrando a VARIG e o AERUS. Estavam transferindo ativos para outras empresas do grupo, nossos empregos indo embora e o caixa da empresa cada vez pior. Demitindo antigos funcionários e contratando novos funcionários em condições aviltadas de trabalho. Estavam praticando o que o mercado conhece como "Crossing the Street".

Quem presidia a empresa nessa altura?
Ozires Silva era o presidente, mas quem de fato controlava a empresa era o Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta. Yutaka Imagawa era quem presidia o Conselho de Curadores na ocasião. O presidente era quase que uma figura decorativa. O modelo de Governança Corporativa era o grande problema na gestão e precisava ser mudado para a empresa sobreviver.

Neste ano de 2017 a VARIG estaria fazendo 90 anos, e nos últimos anos de sobrevida a empresa teve mais presidentes do que em toda a sua história.

Então era Yutaka Imagawa quem ‘presidia’ a empresa?
Era quem detinha o Poder naquela ocasião. Tinha a hegemonia política da empresa e controlava a distribuição de cargos naquele modelo viciado de governança corporativa.

Que vícios?
Membros do Conselho de Curadores ocupando cargos executivos nas empresas do grupo. Na prática, eles eram executivos e fiscalizavam-se a eles próprios numa "ação entre amigos".

Odilon Junqueira ocupando cargo na Varig e na presidência do Aerus, sendo que a Varig devia para o Aerus…

Existiam mais vícios, não?
Possivelmente, mas me referi ao modelo inadequado de gestão. Pode ter funcionado num determinado momento, mas as mudanças nos Estatutos da Fundação foram nocivas para a Varig e seus funcionários, que foi a mãe de todas as empresas.

O que o motivou a integrar uma chapa concorrente à direção da APVAR?
Defender os interesses profissionais da classe. É para isso que serve uma associação de classe.

Defender os Estatutos da APVAR.

Em última instância, aplicar o exercício da cidadania que todo profissional deve exercer no futuro da sua profissão.

A diretoria em função não defendia esses interesses?
Fui convidado a participar pelas duas chapas que estavam concorrendo à diretoria da APVAR. As visões desta defesa eram bem diferentes.

A que atribui esse (mesmo) convite pelas duas chapas?
Esta pergunta deve ser feita aos candidatos a presidente das chapas concorrentes. Possivelmente enxergaram um potencial que pudesse atrair votos para a chapa.

Perfeito. Já agora, quem eram, então, os dois cabeça de chapa?
Comte. Caio Cesar Lacerda Rozelli - Chapa Participação

Comte. Carlos Flavio Pereira de Souza - Chapa Mais APVAR

Participei pela Chapa “Mais APVAR”. Vencedora, com 56,37% dos votos válidos numa eleição apertada com 1 480 associados votantes.

Aí, a sua chapa vence as eleições, e você responde por qual cargo?
Diretor Administrativo e Financeiro.

E você ficou muito contente com essa vitória. Era importante derrotar a chapa adversária? Se sim, por quê?
Quando se disputa uma eleição o objetivo é vencer. Para se implementar um projeto no qual você acredita o primeiro passo importante é vencer a eleição. O que não necessariamente significa que você vai conseguir. A maior autoridade numa associação de classe não é o seu presidente, como muitos acreditam. É a assembleia! O presidente deve acatar as decisões das assembleias e ser o maior de todos os guardiões dos Estatutos da entidade que ele está representando. Não pode se achar acima dos demais e nem estar ali para defender os interesses da empresa num relacionamento de compadrismo. A relação tem de ser institucional e haverá pontos de convergência e divergência que deverão ser tratados numa mesa de negociação. Jamais poderia imaginar que a minha vida e de milhares de pessoas iria mudar nos próximos anos.

Você acredita mesmo na “espontaneidade” de assembleias gerais?
Eu acredito na Democracia.

Estamos em 2002, você continua voando B-737… como você percebe o mood da aviação?
Percebo participando de congressos, seminários, lendo, estudando o que vinha acontecendo neste setor e nesta indústria no Brasil e no mundo nos anos anteriores.

Em fevereiro de 2002 sou demitido num ato arbitrário com mais trinta e um pilotos por uma forjada justa causa. Todos, diretores e colaboradores da APVAR. Não satisfeitos, ainda expuseram nossas fotografias nas dependências da empresa e em aeroportos do país.

Qual a causa para essa demissão em massa? Quem era o diretor de Operações?
A causa alegada pela empresa foi de "falta grave funcional em decorrência de ato doloso consciente, caracterizado procedimento irregular a divulgação de Manual de Ação Industrial fase 1, e divulgação de boletins".

O verdadeiro motivo foi que ao se retirarem da mesa de negociações os representantes da empresa deixaram claro que estavam quebrando a empresa. Estavam fazendo transferência de ativos para outras empresas e deixando passivos na Varig. O rei estava nu.

O diretor de Operações na ocasião era o Comandante Alberto Fajerman.

Os graves problemas da Empresa (que a levaram aonde levaram) começam nessa época?
Não, mas se agravaram cada vez mais com o passar do tempo.  Havia fatores internos e externos. Se o dever de casa tivesse sido feito, os fatores internos estariam resolvidos e ficaria mais fácil resolver os outros problemas. A empresa estaria menos fragilizada a outros ataques. Como o professor Paulo Rabello de Castro gostava de dizer: existiam Dráculas internos e externos. Deixar quebrar a VARIG foi uma burrice. A empresa era viável!

Dê exemplo(s) de deveres de casa.
Mudar modelo de governança corporativa. As decisões dos dirigentes da FRB e do Conselho de Curadores eram equivocadas, lentas e não atendiam aos interesses da empresa, dos credores e dos funcionários em geral. Atendiam muito mais a interesses individuais do que coletivos e empresariais.

A FRB precisava se afastar da gestão da empresa. Tinha que se limitar a receber um percentual e cuidar da parte social.

Muito bem. Quer dizer, muito mal, estamos em 2003… já dá para perceber qual a pista aonde a RG irá pousar?
Sim! A conjuntura macroeconômica e o cenário levavam para um "hard land" da VARIG, e o AERUS que havia sido criado para dar tranquilidade na aposentadoria estava tirando o nosso sono.

Então, como a APVAR se posiciona e o que ela faz para evitar essa terrível aterrissagem?
A APVAR se articula. Contrata bons profissionais no mercado. Passa a frequentar o Congresso Nacional montando uma ampla frente política para ajudar a salvar a empresa. Na verdade, monta três frentes políticas: uma no Rio de Janeiro, outra em Porto Alegre e outra em Brasília.

Apresenta um plano de Recuperação de mercado ao BNDES; por sinal, o único entregue.

Consegue investidores e parceiros estratégicos e os controladores da VARIG não queriam conversa. Insistiam que eles é que resolveriam. Deu no que deu.

Pois é, se os deveres de casa tivessem sido feitos não teria sido necessário andar mendigando…
A empresa estaria voando até hoje! O grande problema era de gestão. Precisava um choque de gestão. Claro que teriam de se fazer os ajustes necessários: de postos de trabalho racionais para o número de aviões, ajustes em rotas deficitárias, renegociar leasing, dívidas, etc...

Enquanto alguns setores da empresa faziam seu trabalho bem feito, como comissários prestando um bom atendimento ao passageiro, check-in, manutenção trabalhando, pilotos transportando com segurança os clientes, parte de vendas vendendo passagens e tantos outros setores trabalhando corretamente, quem pilotava a empresa estava nos levando para um Hard Land. Para uma tragédia! O caixa da empresa cada vez pior! Preferiram ficar agarrados ao manche da empresa, ocasionando a maior tragédia da aviação brasileira.

Enquanto isso, os presidentes – executivos e do conselho de Administração –, se sucedem, revezam-se diretores, entrevistas mais entrevistas de uns e de outros, e também de aqueloutros, eis que chega um personagem que viraria uma celebridade: Luiz Roberto Ayoub.
Por favor, Marcelo, explique-nos porque este juiz torna-se tão famoso.
A VARIG foi a primeira empresa a recorrer da Lei de Falências e Recuperação de Empresa – Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005.
Pela importância do caso deu visibilidade aos Juízes da Vara Empresarial, em especial ao Luiz Roberto Ayoub.
Esta lei estava há anos parada no Congresso Nacional antes de ser sancionada.
Inicialmente, não amparava empresas prestadoras de serviço público.

O juiz era muito querido pelos trabalhadores, certo?
Até o primeiro leilão a grande maioria dos trabalhadores tinha esperança no juízo da Vara Empresarial. O tempo trouxe verdades. A "pseudo" recuperação judicial da VARIG não passou da maior fraude trabalhista e previdenciária da história do Brasil. Foi uma barbárie praticada contra milhares de famílias.

Pequeno vídeo mostrando o Dr. Ayoub sendo aplaudido de pé por todos nós ao subir para compor a mesa:


Sei. Esse primeiro leilão é aquele arrematado pela TGV?
É. Aquele que nenhum dos interessados apareceu para dar lance, e que os trabalhadores das associações de classe, através da NV participações, empresa criada para este fim, ofereceu o lance vencedor. (Em 8 de junho de 2006.)

Vamos, por favor, voltar à ‘janela’ entre 2003 e 2006. Nesses três anos surge a TGV – Trabalhadores do Grupo Varig. Uma iniciativa da APVAR para arregimentar os ‘trabalhadores’ da Varig em torno e sob a sua liderança…
O movimento iniciado isoladamente pelos pilotos da APVAR, por razões óbvias de maior dificuldade de demissões e substituição de mão de obra pelo tempo de formação tomou outra dimensão com o ingresso das coirmãs AMVVAR e ACVAR, bem como pelas associações da Rio Sul e da Nordeste Linhas Aéreas.

Todos juntaram-se nesta luta para salvar a VARIG, sob a sigla TGV - Trabalhadores do Grupo Varig, esvaziando o discurso e a campanha difamatória da direção da empresa e de direções de sindicatos pelegos de que se tratava de apenas um capricho dos pilotos, que queriam assumir o comando da empresa.

A briga entre a APVAR/TGV e o SNA era terrível…
Sim, é verdade. As agendas e os projetos eram completamente diferentes.

O SNA que já tinha tido papel importante na luta dos trabalhadores estava completamente esvaziado e desacreditado. Os trabalhadores da VARIG não tinham esquecido o escândalo do FAD, cujo dinheiro desapareceu.

O SNA contava com menos de 10% da categoria associada e sua direção vivia do imposto sindical.

Já as associações tinham um expressivo número de associados pagando mensalidade. A APVAR contava com mais de 90% dos pilotos associados.

A burocratização da máquina sindical conspirava contra a participação dos trabalhadores na base das decisões. Constituiu-se num entrave na luta para salvar a VARIG.

A direção sindical servia de correia de transmissão para o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores que estava no Poder.

Aeronauta sindicalizado era uma espécie em extinção por falta de decoro de diretores que se encastelaram no SNA.

Voltando ao leilão… este foi anulado pelo juiz Ayoub porque “o grupo não conseguiu depositar o sinal de US$ 75 milhões, que validaria a proposta, de US$ 449 milhões.”. E cito a Folha de S. Paulo, do dia 24 de junho de 2006:

“A TGV esteve ontem na Justiça do Rio e anunciou que não conseguiu atrair parceiros financeiros para o negócio. Segundo Márcio Marsillac, coordenador da TGV, a cobrança de uma dívida de R$ 41 milhões da Rio Sul - empresa que está em recuperação judicial com a Varig e a Nordeste - pelo INSS prejudicou o aparecimento de investidores. Marsillac afirmou que a posição do governo ante a Varig era de descaso e que faltou empenho das autoridades para ajudar na recuperação da empresa.

A Justiça informou que só homologou a proposta do TGV porque representantes das empresas Syn Logística, do ex-presidente da VarigLog José Carlos Rocha Lima, e Fontidec Brasil Investimentos apresentaram garantias de que poderiam efetuar o pagamento.”
A imprensa é livre para escrever o que quer, o que é conveniente e o que interessa para algum grupo econômico ou corporação.

O fato incontestável é que dos quatorze interessados anunciados que queriam comprar a VARIG na abertura do leilão apenas cinco empresas se cadastraram: TAM, Gol, Ocean Air, Brooksfield e a NV, e não houve proposta pelo lance mínimo.

Na segunda rodada do leilão para ofertas abaixo do lance mínimo, a NV entregou o envelope faltando poucos segundos. Fez uma oferta de US$ 449 milhões pela Varig Operações (parte doméstica e internacional). A proposta foi de pagar R$ 225 milhões em créditos concursados, que faziam parte da Recuperação Judicial, incluindo os trabalhistas e extra concursais que estavam fora da recuperação judicial; R$ 500 milhões em debêntures da nova empresa e R$285 milhões em dinheiro.

A protelação injustificável para homologação de arrematação no leilão gerou prejuízos graves e irreparáveis para companhia com arresto de várias aeronaves.

Todos os interesses contrários à recuperação e que ganhavam com a quebra da empresa se uniram para que não levássemos o leilão.

A própria Folha de São Paulo que iria publicar uma matéria bomba da respeitada jornalista Janaína Lage mostrando o jogo pesado das cartas marcadas, nunca publicou a matéria escrita por ela.



O que revelaria essa ‘matéria bomba’, você sabe?
Claro que sei! Era uma gravação devidamente periciada pelo instituto de criminalística Carlos Éboli confirmando a veracidade, na qual o chinês Lap Chan se dirigindo aos funcionários da VARIG se apresenta e diz que estava em casa quando recebeu um telefonema do juiz perguntando se ele não queria ficar com a VARIG. Esta gravação faz parte da CPI da ALERJ que investigou a venda da VARIG.

A propósito, para que serviu a CPI da ALERJ?
Diria que foi o mais importante fato até hoje, sobre a investigação da quebra da Varig e do AERUS. Se, no futuro, viermos a receber algo devemos a esta CPI que ouviu muita gente. Entre tantos atores envolvidos foi o único local onde o advogado Roberto Teixeira foi depor.

E o presidente dos afetos e dos “guerreiros”, foi ele mesmo um “guerreiro”?
Cada um que escolha seus guerreiros. Na minha opinião quis servir a vários senhores. Esta é a fórmula do insucesso.

Falando em presidente, nos diga uma coisa, por que presidentes, diretores e gerentes, responsáveis pela hard landing, ou pior, pela catastrophic landing, não foram processados por gestão temerária?
Os primeiros foram por uma ação da TGV. No Brasil, com a operação Lava Jato, as coisas estão começando a mudar. É um processo lento. Estes responsáveis pelo hard landing saíram pela porta da frente.
O escandaloso caso VARIG/AERUS se situa entre o "Mensalão" e o "Petrolão".
Quem sabe a Lava Jato não chegue neles?

Quer nomear esses primeiros?
Teria que procurar o processo, mas abrangeu aquelas pessoas que estavam no comando da empresa em 2002 quando fomos demitidos.

Você acha que a APVAR fez bem o seu trabalho? Tem resultados para apresentar?
Fizemos o que deveríamos ter feito enquanto entidade de classe. Fizemos a nossa parte.
"Pior que o medo de ser punido é a vergonha de não ter lutado".
Perdemos a luta, mas não gostaria de estar no lugar dos que nos venceram.

Perfeito. Bom, aí chegamos ao “The End”. Agosto de 2006, você foi demitido por telegrama?
Fui demitido em 2002. Fui integrado e "desintegrado" várias vezes. Não voltei a voar na VARIG.
Vivenciei na própria pele o personagem de Franz Kafka no livro "O Processo".

Acabei ganhando na Justiça Trabalhista, na Primeira Instância, por unanimidade na segunda Instância, e finalmente no TST com todos meus direitos retroativos.

Além da vitória na Justiça do Trabalho, nos estertores da VARIG em 18 de maio de 2006, o Bottini, por pressão política, assinou a minha reintegração também por um acordo entre a VARIG e APVAR.

Nunca recebi um centavo nem cheguei a voar mais na empresa.
Tornei-me um piloto expatriado.

Se entendi bem, depois da demissão em 2002, você não mais trabalhou na RG?
Isso! Foram tantos recursos protelatórios, advogados para nos sufocar que não deu mais tempo para voltar a voar na VARIG.

Mais uma derrota!? Como você reagiu?
"Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo" - Nietzsche.
Acabei aprendendo a lidar com a raiva e a dor.

Qual foi o resultado prático dessa raiva e dor?
Cresci e me tornei melhor como ser humano. Aprendi que a raiva é como um veneno que você toma e quer que o outro morra. Para lidar com a raiva você precisa aprender a ter paciência e tolerância.
Aprendi que a dor é inevitável e o sofrimento opcional.
Que neste nosso pequeno mundo somos irrelevantes.

Marcelo, ok, a minha pergunta anterior é a responsável pela sua resposta. Mas, o que eu quis perguntar foi: e você foi fazer o quê, de prático, para sobreviver?
Os pilotos, quando iniciaram o movimento de ação industrial, tinham um acordo decidido em assembleia, de que quem fosse demitido devido ao estrito cumprimento do que previa a cartilha do movimento teria seu salário pago pelos demais colegas.

Sobrevivi muito tempo com o pagamento feito por estes colegas. Este foi o motivo da APVAR ter iniciado o processo isoladamente, além da maior dificuldade de substituir a mão de obra.

Seria um verdadeiro massacre com os colegas comissários e engenheiros de voo.

Sou muito grato a todos. Foram os anos que mais trabalhei na minha vida. Evidentemente que muitos colegas foram ameaçados e se desligaram da associação e os nossos recursos foram diminuindo.

Eram as reuniões que a Diretoria de Operações começou a fazer sistematicamente com um pequeno grupo de pilotos para intimidar. Ficaram conhecidas como "café com bobagens".

Ok. Percebo que você se refere ao período entre 2002, quando você (e outros) foi demitido, e 2006. Mas, o que perguntei refere-se ao após 2006…
Deixei o país e fui trabalhar para poder sustentar minha família.

Vivo do dinheiro fruto do meu trabalho. Não vivo de "bolsa ditadura", nem de imposto sindical.

Vale lembrar ainda que, como fomos demitidos por uma forjada "justa causa", não tivemos como liberar o Fundo de Garantia.

Também ficamos impedidos de vender o imóvel que morávamos para ir para um mais modesto devido a uma ação indenizatória.

Tentaram nos sufocar de todas as formas.

E foi trabalhar onde?
Inicialmente fui para uma empresa no Panamá. Depois, fui para a China e, finalmente, na África.

Tem algum piloto da falecida Varig que não tenha conseguido arrumar emprego/trabalho?
Sim. Alguns não conseguiram se colocar no mercado de trabalho. Dentro do quadro de funcionários os pilotos foram os que mais tiveram oportunidade de trabalho, principalmente no mercado externo.

Você não acha que essa narrativa de pilotos ‘expatriados’ agride muitos trabalhadores na aviação que não tiveram essa chance de… serem expatriados? Ou não entendemos o real significado desse vocábulo…
Não acho. É o termo internacionalmente utilizado no mundo inteiro para pilotos que trabalham fora do seu país.

Mas que a APVAR/TGV transformou em um vocábulo de coitadinhos e refugiados…
Engano seu.  Para alguns de nós que entramos numa "black list" realmente não houve outra alternativa. As portas do mercado interno se fecharam. Muitos dos nossos algozes se encontravam ou se encontram em posições chaves nas empresas que ocuparam o mercado. Se tem uma coisa que não fizemos foi a vitimização. Muitas autoridades com as quais mantínhamos contato, sequer sabiam que estávamos demitidos.

Atualmente está voando nos B777 da TAAG, certo? Quando começou?
Voo B737/700 na TAAG - Linhas Aéreas de Angola, desde 2008.

Arquivo Pessoal

Aponte semelhanças e diferenças com a Varig.
A VARIG não era uma empresa estatal, como muitos no exterior e até mesmo no Brasil acreditavam que fosse. A TAAG é uma empresa pública. Assim como na VARIG, muitos familiares trabalham na mesma empresa: marido, mulher, filhos etc…

A VARIG voava para Angola inicialmente com o B707 e depois o DC-10. Agora é a TAAG que voa para o Brasil com o B-777.

Esta foto foi eu fazendo o cheque de Comando da primeira Comandante mulher da TAAG. Hoje ela pilota o B-777, arquivo pessoal

Quais outros países destinos da TAAG?
Voos diretos para Portugal, Cuba, África do Sul, Namíbia, República Democrática do Congo, São Tomé, Namíbia, Moçambique, Brasil.

Voos suspensos temporariamente e que devem voltar ainda este ano, para a China e Cabo Verde, além de vários codeshares.

Primeira mulher comandante em Angola, arquivo pessoal

Luanda continua linda?
A beira-mar na Avenida Marginal foi toda reformada e transformada numa linda área de lazer. A cidade cresceu e novos bairros surgiram. O antigo Hotel Luanda foi totalmente reformado e transformado no espaço cultural Brasil/Angola.

Conhece a Vila Clotilde?
Não. Conheço a Vila Alice.

É em frente à Escola Industrial… Quando você passar na rua José Anchieta, ou na Travessa do mesmo nome, receba e mande um belo abraço…
Agora vendo o mapa sei onde é. Não sabia que ali se chamava Vila Clotilde. É onde fica a Liga Africana. Morei na Maianga.
(Exatamente! Esse edifício, o da Liga, já está com mais de setenta anos!)

Foi em Luanda que você escreveu o livro “CASO VARIG”?
Terminei de escrever o livro em Luanda.

"Programa Hora Quente", arquivo pessoal

Pelo título depreende-se que o livro trata dos últimos anos da Varig, correto?
Trata-se de um documentário que abrange fatos ocorridos entre 1999 até 2008.

Você conta TUDO no livro?
No documentário, com 406 páginas, muitas coisas são contadas. Existem documentos anexos, depoimentos e testemunho pessoal. Inicialmente tinha cerca de 700 páginas. Sempre fica alguma coisa de fora e até fatos importantes.

Em que ano foi publicado?
Foi lançado na Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, em novembro de 2015. Depois, lançado em Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, São José dos Campos e em Luanda.

Arquivo pessoal

Lembra-se de algum(s) fato importante que não tenha sido relatado no livro?
Sim. Existe um documento assinado pelo atual presidente da República, Michel Temer, e por outras lideranças do Congresso Nacional que pediam ao presidente Lula para salvar a VARIG acatando o plano de Recuperação da Empresa apresentado pelo Congresso.

Dois ofícios assinados pelo então presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azedo, que também são documentos históricos. Um dirigido ao Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, e outro ao presidente da VARIG, Luís Carlos Martins.

Manifestação em frente à ABI, 24 de novembro de 2009

Os destinatários marimbaram-se para os ofícios…
Pode ser, mas estão no panteão da desonra.

No livro você narra todas as iniciativas e passos da APVAR/TGV no período entre 1999 e 2008?
Sim. Não só da TGV, mas de vários atores neste processo. Sindicatos, FRB, Governo, Judiciário.

E sobre a administração da empresa, também conta tudo?
O que sei e posso provar, contei.
Falei somente sobre a má gestão como causa para a quebra da Varig. Assim como num acidente de aviação, existem mais de uma causa ainda que esta tenha sido a principal

O que diria sobre esta pergunta: “Por que ele não cita no livro, que os cargos de chefia e de checadores muitas vezes eram de pessoas sem gabarito profissional, apenas amigos dos chefetes?”
Eu cito que o sistema era viciado, e que quando os instrutores entregaram os cargos durante o movimento, muitas pessoas sem qualificação assumiram.

Tem este outro zum-zum-zum sobre “propinas recebidas para as compras do MD-11 em troca de uma frota de DC-10 totalmente quitada.”?
Não tenho provas nem conhecimento sobre isso, mas não me causaria qualquer espanto se tivesse tido vantagens financeiras para algumas pessoas.

No livro, você senta a pua na FRB e arrasa a então presidente do SNA, Graziella Baggio…
Não acho que sento a pua nem arraso. A verdade é que dói.

Onde e como adquirir o seu livro?
Foi lançado pelas livrarias Da Travessa, Saraiva, Cultura, Livrarias Curitiba, Leitura. No Brasil, caso alguém se interesse e tenha alguma dificuldade, pode entrar em contato inbox que dou o número de uma conta e posto pelos Correios com frete grátis.

(No 2º Encontro Europeu de ex-Trabalhadores da Varig, Familiares e Amigos serão sorteados três exemplares do livro “CASO VARIG”, oferecidos pelo autor.)

Os nossos amigos leitores podem deixar perguntas na caixa de comentários?
Podem.

Saudades do Rio de Janeiro?
No momento estou no Rio de Janeiro. Sempre sinto saudades dos amigos, da família e da cidade.

E o Brasil, como vai?
O Brasil atravessa uma fase muito difícil em todos os sentidos.
O jornal 'O Globo' de hoje (1 de abril) tem como manchete na primeira página: "Retomada Difícil - País chega a 13,5 milhões sem emprego, e melhora será lenta.”


Na aviação não é diferente. Aviação só cresce se o PIB crescer.

A previsão de qualquer melhora só para 2018.

Estudos apontam que o crescimento mundial médio para a aviação doméstica até 2022 será de 4,7%. Para a América Latina apenas 2,2%.

Não sou pessimista nem otimista. Como diria Ariano Suassuna, me considero um realista esperançoso.

A pergunta que não foi feita?
Muitas perguntas poderiam ser feitas e estou à disposição para futuras perguntas.

Qual a sua mensagem final?
O tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas, mas acima de tudo, o tempo traz verdades.
"Nunca permita que alguém corte suas asas, estreite seus horizontes e tire as estrelas do seu céu. Nunca deixe que o seu medo seja maior que a sua vontade de voar. O valor da vida está nos sonhos que lutamos para conquistar".

A razão porque escrevi este livro?

A resposta é "Não permitis que o vosso direito seja pisoteado impunemente" - Rudolf Von Ihering no livro ‘A Luta pelo Direito’.




Muito obrigado, Marcelo!

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25 comentários:

  1. Poxa, que Odisseia!!! parabéns pela luta e vitória.
    Janda.

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  2. Belíssimo depoimento
    Merece ser divulgado SEMPRE para que jamais seja esquecida esta verdadeira TRAGÉDIA SOCIAL SILENCIOSA.
    TRAGÉDIA porque resultou perdas irreparáveis, humanas e materiais; SILENCIOSA, porque o apoio da mídia era raro.
    Parabéns Jim
    Parabéns Marcelo Duarte
    Vilmar Mota

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  3. Excelente entrevista ; o rosto do Marcelo Duarte nos é familiar ; que seja feliz e próspero no trilhar do seu ofício e na vida particular.
    As respostas dadas pelo entrevistado são assertivas e , poderíamos até afirmar, conclusivas. À época da gestão Erik de Carvalho, a Varig parecia prosperar de "vento em popa". Eram cerca de vinte e sete mil empregados "worldwide" . A fórmula "funcionário satisfeito produz mais e melhor" funcionava a plena carga , dando bons resultados. Não obstante, no início dos anos oitenta começava a corrida da globalização; aos poucos , disputas internas pelo poder , mais político do que econômico faziam com que a empresa aérea iniciasse a lenta curva descendente. Divisões internas de grupos "separatistas" mas cujos salários provinham da mesma fonte pagadora parece não terem surtido o efeito desejado.
    APVAR, AMVAR, ACVAR, TGV... afinal de contas , éramos todos trabalhadores de um mega grupo: a Varig! Havia, sempre houve ou transparecia, certa "distinção" dos núcleos Terra/Ar , inclusive por força de leis que regiam/regem as diversas funções e suas características ; é parte integrante dos respectivos ofícios . Nada a obstar ou criticar, apenas constatar que na hora do aperto, no apagar das luzes, vendo as coisas piorar e os governantes dizendo "esfola!" , deveriam todos darem as mãos e partir para uma transformação , a bem da Varig e dos seus empregados .

    Hoje, agora aposentados, se um ex-diretor, ex-comandante, ex-gerente, esbarrar em um ex-atendente de vendas, catering ou agente de aeroportos, por exemplo, em um domingo ensolarado comprando o jornal na banca da esquina , estarão todos nivelados no mesmo patamar de "idosos assistidos" . Ali, nenhum será considerado mais "bonito ou gostoso" do que o outro ...
    Outra questão importante foram alguns (talvez muitos) descaminhos e irregularidades supostamente atribuídos e praticados por pessoas do alto escalão da empresa, segundo rumores que corriam ( ou ainda correm ...) aos quatro cantos e durante um bom tempo. Que se saiba, até hoje não foram apresentadas quaisquer denúncias formalizadas em juízo, nomeando membros diretores do escalão superior da aérea. Nunca houve publicidade. Mesmo por quê , corrupção e propina jamais forneceram recibos de quitação de débitos. Em toda e qualquer relação entre duas partes , cada qual contribui com 50 % da responsabilidade. Os governos tiveram a metade desse quinhão no envolvimento e ações que esquartejaram e aniquilaram a VARIG. Acredita-se que as tais disputas acima mencionadas, pessoas embevecidas pelo "status quo" e o receio diário dos sucessivos cortes de custos e "downsizing" gerando incertezas no universo dos empregados trabalhadores do grupo Varig , assim como as diversas ações covardes, maliciosas e dilapidadoras da parte dos governantes, começaram lentamente a pôr um ponto final na trajetória ascendente da Varig , levando a maior empresa da América do sul a encerrar suas atividades a partir de 2006 , culminando com a extinção definitiva da razão social ao final de 2010.

    A Varig ficará para sempre na memória dos que dela usufruíram , bem como nos livros editados e estórias contadas , aqui e acolá. Tudo na vida passa ; as boas recordações e as amizades são eternas. O que todos devemos ter em mente é que a união sempre fortalece ; a divisão deve ser apenas por motivo de alegria. Dividir alegria e prazer é sempre bom!

    Grande abraço a todos.

    Sidnei Oliveira

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  4. Realmente, preciso parabenizar o "Cão" por esta Entrevista, primeiramente ao Entrevistador, pois o mérito é dele, e em segundo o Entrevistado Marcelo, parabéns, belíssima entrevista.

    Nós que vivemos e testemunhamos os fatos, sabemos o quão verdadeiras são as palavras e as respostas.

    É lastimável que tudo ocorreu desta maneira, creio que, se culpa tivemos, como funcionários, não tínhamos o foco da vigilância e sim somente a preocupação de desempenhar nossas funções, nossos treinamentos, simuladores, cumprir nossas escalas, e estar sempre à disposição da Empresa, e também a internet e as redes sociais não estavam em nosso dia a dia, para estarmos sempre "up to date" como hoje.

    A VARIG, não é possível salvá-la mais, pois foi assassinada, mas o Aerus, este ainda tenho esperanças na Justiça, para recuperarmos nossa dignidade de Aposentados definitivamente, pois os danos foram irreparáveis, onde muitos faleceram, sem terem seu direito restituído.
    Mais uma vez, Cmte Marcelo Duarte, Parabéns pela Entrevista.
    Abs,
    Heitor Volkart

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  5. Caro Jim,
    Agradeço a todos os leitores e comentários do blog. Não consigo responder aos autores dos comentários.
    Caso possa, retransmita aos mesmos.

    Janda,
    "A vida é luta renhida: viver é lutar" - Gonçalves Dias.
    Lutamos o bom combate. Estávamos do lado certo e perdemos a batalha, mas não perdemos a guerra nem a capacidade de nos indignar.
    Continuamos a lutar por um país mais ético, justo e solidário.
    Só perde quem desiste e isso jamais!
    "Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer"- Santo Agostinho
    Abraço,
    Marcelo

    Vilmar, meu companheiro e amigo de várias batalhas.
    Vivemos muitos momentos juntos em idas e vindas a diversos locais, manifestações, etc...
    Você faz parte desta luta como membro ativo.
    Conhece bem a história. Foi muito bom tê-lo ao meu lado.
    A você desejo muita saúde e Paz no coração.
    Aquele abraço
    Marcelo

    Sidnei Oliveira,
    A verdade tem uma vantagem biológica sobre a mentira.
    Este caso precisava ser contado em detalhes.
    Os brasileiros de hoje, principalmente os mais jovens precisam entender o que aconteceu, como aconteceu e porque aconteceu.
    A VARIG teve uma importância histórica para o Brasil.
    Quanto à nossa luta...
    Faço minhas as palavras de Henfil:
    "Se não der frutos
    Valeu pela beleza das flores
    Se não der flores
    Valeu pela sombra das folhas
    Se não der folhas
    Valeu pela intenção da semente".
    Abraço
    Marcelo

    Heitor,
    Voltamos à reflexão do brilhante artigo do Cdte Flavio Souza que se encontra no livro CASO VARIG. Cujo título é: Protestar: Dever cívico ou subversão?

    Qual o papel de um trabalhador no futuro de sua profissão? Qual o papel de um cidadão na formação de uma sociedade?
    De expectador ou ser pró ativo e participar das decisões que afetarão o seu futuro?

    Se patrões têm medo de trabalhadores que pensam, políticos têm medo de povo nas ruas!

    Arthur Schpenhauer nos ensina que só existem dois métodos de pensar: a lógica, caminho da demonstração da verdade, e a dialética, arte de argumentar independente da verdade.

    Infelizmente vemos muito mais sofistas argumentando diariamente em todos os lugares.
    Sejamos Sócrates!
    Aquele abraço
    Marcelo

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  6. Jim,
    Para sua informação temos 86 compartilhamentos da entrevista ao blog. 436 reações e 14 comentários.
    Entre os que reagiram temos ator Carlos Vereza.
    Abraço
    Marcelo

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  7. Maravilha! Parabéns!
    Por aqui, faltando uma hora e meia para completar 72 horas (3 dias), estamos com 1.165 visualizações e 10 comentários!

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  8. Maus funcionarios que deveriam lutar por um intresse comum defendiam seus interesses proprios em detrimento da EMPRESA.Essa divisao acabou por acarretetar prejuizos que com o passar do tempo inviabilizaram qualquer açao salvadora

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    1. Sinceramente, Rubens, Vc não sabe o que fala!!!

      Heitor Volkart

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  9. Dez maneiras de acabar com uma empresa: 1 - Ocupe um cargo na administração, faça um "Cavalo de Troia" trazendo os seus "parceiros" para implantar um Conselho de Administração; 2 - Pegue os funcionários mais antigos, sem muita escolaridade e coloque-os na presidência; 3 - Pegue os funcionários modestos, que não sejam contestadores e coloque-os no Colégio Deliberante para avalizar as decisões; 4 - Substitua os antigões da presidência pelos "parceiros" de confiança; 5 - Domine o departamento de auditoria; 6 - Venda os equipamentos quitados e faça "leasing" de equipamentos novos, com sobrepreço; 7 - Alugue escritórios e instalações sofisticadas, com sobrepreço; 8- Venda a Cozinha Industrial e passe a comprar os produtos do concorrente; 9 - Venda a carga aérea da empresa para a empresa concorrente para fazer fluxo de caixa; 10 - Peça para os funcionários colaborarem até o fim pois, afinal de contas são todos "guerreiros"! Alberto José

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    1. Os que fizeram isso ainda saíram pela porta da frente e estão muito bem de vida.
      Já os demais funcionários...

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  10. Grande trabalho do comandante e autor Marcelo Duarte Lins. Tenho o prazer de conhece-lo pessoalmente e de trabalhar em parceria com o mesmo na tradução do livro "CASO VARIG" para o alemao. Ao decorrer da leitura do livro e da tradução aprendi muito e continuo aprendendo. Um ditado que me faz ir a frente, por exemplo, é: "Enquanto houver vontade de lutar, haverá chances de vencer!" do Sto. Agostinho. Até entao nao o conhecia. Um grande abraço à todos os Variguianos de coração e em especial aí para o nosso comando! Belo blog! Sérgio Daniel Bitelo

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  11. António Lourenço,de Lisboa- Portugal.Sou apaixonado pela aviação,e consegui adquirir o livro "O CASO VARIG", de Marcelo Duarte Lins,onde já o li todo.Quanto a comentários sobre o caso,não é preciso dizer,porque vocês sabem melhor do que eu, e já aqui referido.Sou filho de um ex funcionário da TWA, companhia Americana tambem desaparecida em 2001 e adquirida pela AA, daí a minha infancia ser no meio dos aviões.Ainda me lembro da comp.ª Brasileira Panair do Brasil e mais tarde as instalações e os hangares da VARIG em Lisboa serem ao lado das instalações da TWA, assim como as da PAM NAN. Grandes companhias de aviação, que só restam as recordações.

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  12. Excelente entrevista.
    Marcelo Lins é o maior divulgador da tragédia Varig.
    Tem conhecimento como ninguém do assunto. Parabéns, Marcelo e Jim!

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    Respostas
    1. Caro Vieira Dutra,

      Obrigado pelas gentis palavras.
      O tempo passa rápido mas a solução para este grave problema que aflige milhares de famílias se arrasta por muitos anos.
      Abraço,
      Marcelo

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  13. Rubens Fish,
    Pois é... o desvirtuamento de uma grande ideia que foi a Fundação dos Funcionários deu nisso.
    Se o preço da liberdade é a eterna vigilância, não podemos deixar nas mãos de outros o nosso destino.
    Se faz necessário participar ativamente para que se tenha um futuro melhor.
    Abraço
    Marcelo

    Caro Bitelo,
    Parceiro nesta empreitada de divulgação em breve no idioma de Goeth o CASO VARIG.
    Aquele abraço
    Marcelo

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  14. Jim
    Bom dia,
    Esteja a vontade para perguntar e abrir perguntas para os leitores!
    Viu que ontem abriram para 100% do capital estrangeiro para as empresas brasileiras?
    Abraço,
    Marcelo

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  15. Tá aí!
    Quem quiser continuar a conversa, por favor...

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  16. Conversa já lida por 3 878 pessoas!

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