J. R. Guzzo
O nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para a vaga no Supremo Tribunal Federal é o que os agentes das companhias de seguro chamam de “P.T.” — desastre com “perda total”. Em relação a ele, a única coisa que o presidente poderia fazer de útil é dizer que foi tudo um mal-entendido — o tal Kassio Nunes Marques [foto], o homem preferido pelas gangues que operam no Congresso e no baixo mundo do Poder Judiciário em Brasília, “garantista” ao gosto da esquerda e abençoado por Gilmar Mendes, Toffoli e seus parceiros, tem tudo para ser o herói do pior momento dos quase dois anos do governo Bolsonaro.
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| Foto: Samuel Figueira/Proforme |
A reação ao anúncio divulgado no noticiário foi mais uma dessas anomalias que a vida pública brasileira de hoje oferece. A maior parte dos que de uma forma ou de outra apoiam o governo achou que o nome é um horror; sua indignação com ele, e com Bolsonaro, ficou evidente de imediato nas redes sociais.
Quem gostou, vice-versa ao contrário, foi o bonde que circula entre a esquerda nacional e a “Confederação Brasileira da Corrupção Responsável”: PT, Centrão, OAB, escritórios milionários de advocacia criminal, garantistas, intelectuais orgânicos, inimigos da Lava Jato, os ministros do STF que se especializam em proteger acusados de corrupção, a mídia que condena tudo o que Bolsonaro faz, etc. Uns, é claro, não dizem em voz alta que apoiam; mas ficam quietos, o que dá na mesma.
O apoio mais chocante ao nome de Kassio Nunes — que nunca foi juiz, está na magistratura por nomeação de Dilma Rousseff e ficará no STF pelos próximos 27 anos, até 2047 — veio do seu conterrâneo Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e denunciado formalmente em fevereiro de 2020 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, caso que está enfiado numa gaveta do STF. Precisa dizer mais alguma coisa?





















