Tito Walker, ex-comandante na Varig,
escreveu uma carta aberta a Alexandre Freyesleben, também ex-comandante na
Varig, acusando este de “jamais ter trabalhado a favor e em prol do coletivo” e
outras.
Em sua resposta, Alexandre
Freyesleben reputa as intervenções de Walker de “aqueles discursos inflamáveis,
mas de conteúdo que mais parecia uma gelatina!”
Leia abaixo as cartas de
Walker e de Freyesleben.
Klute, O Passado Condena (filme de 1971)
Alexandre Freyesleben,
Alguns colegas que têm
confiança em minha boa-fé, pediram-me para participar de seu grupo “Credores
Varig” porque tinham dúvida de várias afirmações peremptórias suas. Acham-nas,
talvez, não-coincidentes à realidade do caso VARIG que pensam ter vivido. Fui
solicitado para ou corroborar as suas narrativas ou, caso contrário ― em debate
argumentativo ― esclarecermos os fatos e procurarmos um consenso. Aferindo,
elucidando "fatos", não ideologias, mas ideias. A busca de um
encontro para o bem comum.
Verifiquei, todavia, que você
tergiversa, altera o âmbito daquilo que se pretende definir argumentativamente.
Provavelmente, se esqueceu de que foi você que optou por se afastar da APVAR e
virar as costas para seus colegas. E isto, já em 2002, logo após a demissão em
massa dos bravos colegas que trouxeram às claras o problema de Administração da
FRB, problema que vem levar (e levou, com imensa ajuda do governo) a
"Nossa VARIG" ao ocaso.
Em seu grupo, você também
alega que teria tentado ajudar o Movimento histórico dos pilotos, comissários e
mecânicos de voo, através de seu cargo na administração (francamente,
‘mádministração’). Ora, sabemos todos que nada está mais distante da realidade!
Engana aí, mas não a você mesmo, ou a nós, pois foi você que fez essa opção
moral para a sua vida. Continuou a trabalhar com e para uma Chefia de Pilotos
que recém havia demitido sumariamente seus colegas pilotos da “resistência” de
forma vil e ilegal. Foi com aquela Chefia que você se alinhou. Se você se
esqueceu disto, nós não.
Você jamais trabalhou a favor
e em prol do coletivo levando em conta “o Outro”. Tal característica sua é o
que mais importa quando você se apresenta candidato a representante do Comitê
de Credores. Esta é tarefa para altruístas. Para muitos de nós, que sofremos na
pele a demissão da truculenta FRB, alguns por longo tempo, outros em várias
vezes, ver como candidato um que fez parte daquela Chefia de Pilotos por opção
interesseira, é um acinte e um perigo. Seria a completa e muito injusta
inversão de valores nesta história. E mais, por eivada de interesses
não-coletivos, um grave risco para a necessidade de isenta fiscalização do
processo.
Cá para nós, isto muito se
assemelha àquela sua perversidade na CPI, ao declarar que o colega de sua
fixação pessoal jamais ganhou alguma coisa na vida. Ledo e desarrazoado engano!
Não se vive ou se aufere "sucesso” apenas de ações jurídicas com o fito de
ganhar dinheiro. Nem para se obter uma posição próxima “ao poder". Se
assim fosse, pessoas como Gandhi e o Papa Francisco seriam perdedores e outros,
como a turma da Odebrecht, seriam vencedores.