sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Porque é que o Governo devia cair (e não cai)

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Os partidos estão empenhados em discutir se a moção de censura do Bloco de Esquerda é oportunista, incoerente e um número de circo que não pretende derrubar o Governo. É seguramente uma discussão útil que acabará por demonstrar a desonestidade do Bloco. Mas a única pergunta que o s eleitores fazem neste momento é: concorda com a forma como o Governo está a governar o país? Se sim, deve-se deixá-lo continuar; se não, deve-se fazê-lo cair. Não há nenhum jogo político, nenhum raciocínio eleitoral que justifique o contrário. Não há nenhum artigo constitucional, nenhuma razão formal que obrigue o Governo a manter-se no poder sem eleições. Neste momento, a decisão é apenas do PSD: abstém-se e continua a apoiar as políticas do PS, ou abstém-se e apresenta a sua própria moção de censura.
O PS foi eleito a prometer uma coisa e governou a fazer o seu oposto. No último ano e meio, os portugueses não votaram aumentos sucessivos de impostos, não decidiram acabar com as deduções fiscais, não escolheram subir os preços dos medicamentos em vez de cortar as despesas correntes na saúde (luz, água, equipamentos). No último ano e meio, os portugueses votaram por uma política e tiveram o seu contrário. Deixar continuar assim é uma escolha – e paga-se.
Gonçalo Bordalo Pinheiro, revista Sábado, nº 355, 17 a 23-02-2011
O primeiro-ministro está radiante porque prometeu para 2010 um crescimento de 0,7% e conseguiu um crescimento de 1,4%. Detalhe: também prometeu não subir impostos e aumentou o IRS em 1,5%, o IRC em 2,5% e o IVA em 3%. Também prometeu não cortar apoios e acabou com dois escalões do abono de família. Assim, é fácil superar as expectativas.

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