segunda-feira, 2 de março de 2015

Crônica de Shangri-La: o incrível exército de Brancaleone

José Manuel
Recentemente, tivemos na sede da ABI, aqui no Rio de Janeiro, um revival da produção clássica Italiana de 1966, e dirigida  por Mário Monicelli, que retrata os costumes da cavalaria medieval, através da comédia satírica.

“Na Itália medieval, um grupo de maltrapilhos rouba de um cavaleiro o título de um castelo, situado no feudo de Aurocastro. Mas para se apossarem do feudo, eles necessitam de um cavaleiro, e acabam por encontrar Brancaleone da Nórcia!

Brancaleone é pobre e atrapalhado, mas bem-intencionado. Em sua jornada para tomar posse do feudo de Aurocastro, objetivo do qual (tal como Dom Quixote) é desviado em diversas oportunidades, muitas aventuras bizarras e surpresas acontecem, sempre acompanhado de sua fiel "Armata" - o bando de maltrapilhos ladrões que o seguem com a promessa de muitas riquezas no futuro feudo de Brancaleone.

Em uma destas aventuras, quando salva a donzela Matelda, Brancaleone se apaixona pela moça. Matelda, contudo, deve ser enviada a um nobre para se casar, e casar virgem. Ela não quer o casamento e tenta convencer Brancaleone a fugir com ela e deflorá-la. Mas o cavaleiro não quer quebrar o "código da cavalaria" e levará a moça a seu destino. Após chegar ao local de encontro é acusado de abusar da moça, e preso em uma jaula, até à morte. Contudo, seus amigos o salvam.”

O texto acima, é a sinopse do filme satírico de 1966, mas um escopo perfeito para ser colocado em uma mesa de autópsia e dissecar cada palavra escrita, cada personagem, cada situação crítica, cada pseudo herói.

Parece que não há a menor dúvida em identificar o principal herói deste filme, com a manifestação supostamente em favor da nossa empresa maior.

Também nota-se, assim como no filme, a encenação satírica ao ato pelos atores de sempre, exatamente aqueles que foram retratados como um grupo de maltrapilhos, na célebre comédia italiana, roubando um título, ou para ser mais preciso o nome dessa empresa hipoteticamente situada no feudo de Aurocastro, indiscutivelmente a própria empresa maior. Como diz o texto, para se apossarem desse feudo, precisavam sem dúvida de alguém, um cavaleiro, a que se dispusesse a fazê-lo e é aqui que entra o nosso Brancaleone tupiniquim.

Há doze anos Brancaleone e seus maltrapilhos, vinha demonstrando interesse em se apoderar não só de Aurocastro, mas também de outros feudos muito próximos e de fácil captura.
Como relata o texto, Brancaleone é pobre e atrapalhado na história Italiana, mas ao que parece por aqui, não tão bem intencionado e sempre acompanhado pelo seu bando de maltrapilhos ladrões com a promessa de muitas riquezas nos futuros feudos do pseudo herói das bravatas.

Brancaleone, uma contradição em si próprio, é geralmente confundido pela elite dirigente de um pseudo país, em que por meios não conhecidos exerce de fato o poder sem que queira o trono, pois odeia trabalhar. A verdade, é que o trono é o último lugar em que ele deseja ser visto, pois como eminência parda, um Richelieu dos trópicos, maneja as cordas da sua marionete e usufrui dos privilégios que só o poder propicia, com a vantagem de nunca ter de dar o expediente que tanto odeia, no palácio com tetos de cristal.

Os exércitos boquirrotos, maltrapilhos, vermelhos e com raiva da classe média, a quem como o seu líder tanto odeiam mas que fielmente  o acompanham neste ato da ABI, foram conclamados a ir para as ruas, para como disse o falastrão, preservar aquilo que é nosso   (que eles acham ser deles), para não perder o butim maior que os supre há anos, mas que por ironia do destino não compartilham com os seus correligionários fiéis, ignorantes e famintos.


A estes, os indigentes de camisas vermelhas, napoleonicamente diz que os exércitos marcham sobre os seus estômagos, liberando-os assim para o saque à sociedade.

Ele se acha o fiel escudeiro da donzela Matelda e faz de tudo, até conclamar os seus exércitos que não são os conhecidos de todos, para que o seu objetivo de a levar ao destino que ele está convencido de ser o verdadeiro, se cumpra fielmente. Ela quer que ele a deflore, mas como bom cavaleiro a seu modo, não quer quebrar o  "código da cavalaria", que poderíamos traduzir aqui pelos conhecidos " não sei de nada, não vi, nunca estive "

O seu destino está traçado, e quando chega ao seu imaginário local, acaba preso numa jaula até à morte, por ter abusado da moça, (há 12 anos).

Como sempre, e a história o confirma, é salvo pelas figuras proeminentes do reino, seus velhos amigos, sempre prontos a livrarem a cara do seu líder maior, e brindam à farta com Romanée Conti e uma grande e suculenta pizza Italiana. 


Quem seria Matelda?
Parece que a história não evolui, mesmo depois de séculos.
Título e Texto: José Manuel, 27-2-2015

Nota: a descritiva nas crônicas por mim publicadas é o resultado de pesquisa em notícias veiculadas em mídia nacional idônea, apenas compondo um pensamento lastreado em liberdade de expressão e ancorado no Artigo 5 inciso IX, da constituição Federal de 1988.

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