domingo, 8 de maio de 2016

Uma Nuremberg tupiniquim?

Péricles Capanema

Só para lembrar, terminada a 2ª Guerra Mundial as potências aliadas instituíram o Tribunal Militar Internacional em Nuremberg (Alemanha) para julgar crimes cometidos pelo nazismo [foto acima]. As sessões tiveram lugar entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946. Em fins deste ano começaram, também em Nuremberg, os chamados Processos de Guerra. Só vieram a terminar em outubro de 1948.


Além das condenações penais, a opinião pública, ouvindo o eco dos processos, tomou conhecimento detalhada e documentadamente dos pavorosos crimes cometidos pelo governo e partido nazistas. Constituíram talvez a maior vacina antinazista produzida na História.

No Brasil, tudo leva a crer, estão se fechando as cortinas dos 13 anos de domínio petista. Em cambulhada, nesse período, o pobre brasileiro do seu sofá vendo a televisão teve notícia da ladroagem, incompetência nunca imaginada, intervencionismo maluco, demagogia sem peias, empobrecimento, carestia, destruição do parque industrial, colaborações surpreendentes, cegueira obstinada, leniência com o crime, cumplicidade com desmandos, oportunismos chocantes e silêncios inexplicáveis. Fora o resto. Tudo levava água para um projeto de poder que, para os ideólogos do petismo, propiciaria a criação do homem igualitário e libertário de suas utopias. O PT nunca teria chegado ao poder de que dispôs sem o concurso de pessoas em situações acima aludidas, algumas vezes como companheiras de viagem, outras como inocentes úteis.

Ainda bem, houve reação. O povo escorchado, em sucessivas passeatas ao longo de 2015 e 2016, vociferou seu descontentamento. Atentos ao ronco das ruas, agiram os políticos e o governo tombou. Um pouco precipitadamente escrevi tombou, é o que de momento parece mais provável.

Chegou a hora do balanço. Por óbvio, não estou reclamando tribunais. Inspirando-me em Nuremberg, proponho tão só, de forma algum tanto pesadona, mas no momento necessária, trabalho de pesquisa e análise para conhecer o que aconteceu, uma vacina, se quisermos, benéfica ao povo, que assim terá condições melhores para formar opinião. Sem ela, temo, daqui a pouco estaremos de novo sujeitos aos mesmos vírus que causaram o desastre.

Coloco abaixo alguns dos pontos a serem iluminados. Foi a antipatia ao lucro, à propriedade privada, à livre iniciativa, e ao mercado, acoplada com a credulidade demolidora nas possibilidades do Estado o que, na economia, nos lançaram ao fundo do poço. Era o caminho que nos arrastaria indefectivelmente à situação da Venezuela e de Cuba. Tal mentalidade revolucionária, pouco ativa no povo simples, está muito presente na universidade, nas sacristias e até na alta burguesia. São pessoas formadoras de opinião. Via de regra este pendor esquerdista vem junto com opiniões libertárias em matéria moral. É câncer social agressivo, de extirpação difícil e lenta. Não combatido, mata. Ter o problema claro já é um bom primeiro passo.

Outro ponto. Fomos arrastados até aqui pela cegueira, quando não pela cumplicidade, de boa parte das lideranças que, por missão natural, tinham o dever de defender, como disse acima, a propriedade privada, a livre iniciativa, o lucro e o mercado contra uma seita ideológica cujo objetivo final, nunca abjurado, é a generalizada coletivização do campo e da cidade. Junto exemplos esclarecedores e tristes. Entre os atuais ministros, dois foram presidentes das entidades patronais dos industriais e dos fazendeiros, CNI e CNA. E podem voltar para o Senado para votar contra o impeachment. O vice de Lula foi empresário riquíssimo, ex-presidente da FIEMG; sua presença na chapa agia de forma a anestesiar setores das classes produtoras, e até no povo em geral, de si tendentes à reação ao desastre no qual afundava o Brasil. E foi essa a razão de sua escolha. De outro modo, as mencionadas lideranças, beneficiam por vezes de maneira decisiva, consciente ou inconscientemente, um grupo político que em prazo dilatado quer liquidar a influência dos fazendeiros e dos industriais na vida nacional. Pior, essas não são exceções gritantes. À vera, são situações que se repetem. Exprimem uma forma de anemia das classes produtoras.

Essa constatação me empurra para outras lideranças, agora de âmbito religioso. A esquerda católica foi responsável maior, em trabalho que vem pelo menos desde a década de 40, pela ascensão do PT. Na prática seu apoio favoreceu o homossexualismo, a legalização do aborto, a secularização agressiva. E ainda hoje seus adeptos continuam agindo para impedir que o Brasil escape ao destino da Venezuela e de Cuba. Aqui podemos lembrar a Ação Católica, a Nova Teologia, as Comunidades de Base, a Teologia da Libertação, a Pastoral da Terra, o CIMI, Comissões Justiça e Paz, e até a própria CNBB. Tanta coisa mais. É outro câncer social, mais virulento que o mencionado acima.

Os três fenômenos aqui apontados são exemplos típicos de autodemolição, enfermidade que ajudou enormemente a ascensão lulopetista. Já se vê, um conjunto de coisas contra o que vacinar. 
Título, Imagem e Texto: Péricles Capanema, ABIM, 7-5-2016

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