O líder do governo britânico revelou planos para uma nova agência destinada a combater a “desinformação”, ou seja: todo e qualquer ponto de vista que desagrade ao regime
Paulo Hasse Paixão
O primeiro-ministro britânico,
Andy Burnham, anunciou a criação de um Centro Nacional de Defesa da Informação,
com o objetivo de combater a alegada desinformação estrangeira e os “ataques de
informação”. O centro irá colaborar com agências de inteligência, forças
policiais e plataformas de redes sociais para lidar com o que o governo
caracteriza como ameaças, usando a Rússia como principal pretexto.
Discursando na Assembleia Geral das Nações Unidas esta semana, Burnham descreveu a iniciativa como uma resposta a campanhas estrangeiras que espalham narrativas “distorcidas e falsas”, que, segundo ele, minam a unidade e a confiança nacionais. Acusou especificamente a Rússia de gastar anualmente 1,3 mil milhões de libras (aproximadamente 1,7 mil milhões de euros) em esforços de desinformação, incluindo o uso de bots e sites editoriais fraudulentos.
Burnham alegou ainda a interferência russa nas eleições gerais britânicas de 2019 e a amplificação das chamadas “narrativas de extrema-direita”, revelando nas entrelinhas que o verdadeiro propósito do centro é o de suprimir as críticas à imigração em massa e à diversidade, equidade e inclusão patrocinadas pelo Estado, bem como o de calar as vozes que se levantam contra uma guerra contra a Rússia, que os regimes europeus estão a tentar fomentar, com algum desespero.
🚨 WATCH: Andy Burnham announces he will create a "National Centre for Information Defence" to combat foreign interference https://t.co/EEWSVdEWpc
— Politics UK (@PolitlcsUK) September 23, 2026
O anúncio atraiu fortes
críticas de grupos de liberdades civis e figuras políticas que alertam que a
iniciativa pode levar à censura e ao abuso de poder. O líder do partido Reform
UK, Nigel Farage, comparou a medida a um “Ministério da Verdade”, enquanto a
organização Big Brother Watch levantou preocupações sobre o potencial ataque à
liberdade de expressão sob o pretexto de combater a desinformação.
“Andy Burnham está a criar um Ministério da Verdade para reprimir a liberdade de expressão.”
Andy Burnham is setting up a Ministry of Truth to clamp down on free speech. https://t.co/UbIOpgahWR
— Nigel Farage (@Nigel_Farage) September 23, 2026
Esta não é uma iniciativa
isolada de Burnham com vista a cercear por completo a liberdade de expressão no
Reino Unido. Como o ContraCultura documentou
recentemente, uma nova unidade de elite criada pelo governo trabalhista, que
monitoriza “atividades relacionadas com protestos online”, já sinalizou mais de
100 publicações nas redes sociais para serem seguidas pelas autoridades locais.
A polícia britânica deteve
mais de 62 mil pessoas por crimes de opinião nos últimos cinco anos.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
29-9-2026

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