Paulo Hasse Paixão
Não haverá por certo registo
histórico de um momento, como o que vivemos agora, em que tantos dirigentes
políticos se tenham mostrado tão desejosos de serem bombardeados pelo inimigo.
Os líderes ocidentais têm
feito tudo o que podem e não podem para provocar o Kremlin, com uma profusão
demente de falsas bandeiras, sabotagens inventadas, retórica incendiária,
sanções draconianas e apoio financeiro, militar e de inteligência à Ucrânia, que
tem resultado em ataques devastadores no interior do território russo. A ideia
é clara: levar os poderes instituídos em Moscovo a atacar um país europeu para
depois invocar o artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que em teoria
colocaria os Estados Unidos e todos os países membros da Nato, de Portugal à
Turquia, em pé de guerra com a Rússia.
Mesmo que isso implique, ou
precisamente porque isso implica, necessariamente, um conflito termo-nuclear.
Mas o Kremlin tem mostrado uma
contenção quase insuportável de testemunhar. E Putin tem dito e redito que não
planeia atacar a Europa. Ainda no fim de semana passado recusou a ideia, mesmo
depois da capital russa ter sofrido um ataque massivo com milhares de drones e
dezenas de mísseis de fabrico ocidental, conduzido por dados de inteligência e
navegação ocidentais.
📍🇷🇺🇪🇺 NEW:
— Jackson Hinkle 🇺🇸 (@jacksonhinkle) September 19, 2026
Putin on Europe: I want to say once again: Russia has no aggressive intentions toward Europe or European countries. We simply have no basis for this whatsoever. pic.twitter.com/GtI7mjEiAR
Confrontados com esta teimosia dos russos, que recusam o engodo, por farto e guloso que seja, os suspeitos do costume sobem a parada, anunciam que estão já em guerra, que a Rússia já atacou, que temos que estar preparados para morrer no conflito, que devemos sacrificar tudo em nome da russofobia.
Nesta entrevista
trágico-cómica que concedeu à ABC, Emmanuel Macron diz que não acredita em
Putin. Que Putin mente quando diz que não pretende atacar a Europa. Que Putin
sonha com uma invasão do velho continente. Mas o que lemos nas entrelinhas do
que ele diz, o que vemos na sua pose de Anão Napoleão, é uma coisa
completamente diferente: um homem que aposta tudo na guerra, que espera
ansiosamente pelo ataque que não acontece. Que deve rezar todas as noites no
altar satânico que montou no Palácio do Eliseu por uma bomba russa que caia em
Paris.
Macron: I do not believe Putin when he says he wants peace. That was not true before.
— Tymofiy Mylovanov (@Mylovanov) September 23, 2026
I do not believe him when he says Russia has no aggressive intent toward Europe. That is not true either.
1/ pic.twitter.com/Krp8QbzPv6
Para Macron, como para Merz,
como para Burnham, como para von der Leyen, esta é a solução derradeira para a
permanência no poder, livres que serão, na circunstância de uma guerra mundial
e apocalíptica, do incómodo escrutínio das massas e do regular funcionamento
dos sistemas democráticos e do Estado de direito, de base constitucional.
The globalists want total destruction because their ideology is failing spectacularly and their crimes are being exposed. Rather than admit defeat and give up power they are going to take us all down with them.
— The Architect. (@TheMarcitect) September 22, 2026
Só não vê quem não quer ver.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
25-9-2026
Sobre as razões do ódio à Rússia
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