segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ordem reposta à força nas favelas do Rio

Depois de uma semana  de tensão e medo pelos ataques criminosos, autoridades reconquistaram o território  do Complexo do Alemão, depois de 30 anos nas mãos do crime organizado. Criminosos detidos quando tentavam fugir pelo sistema de esgotos e um traficante que tinha uma mansão de quatro pisos com jacuzzi são  algumas das histórias do dia ontem

Foto: Sergio Moraes/Reuters

Dezenas de tanques cercaram o Complexo do Alemão, na região norte do Rio de Janeiro, na véspera da derradeira investida militar, ontem, na área. Madrugada de vigília. Medo e psicologia de guerra. De um lado moradores da comunidade em pânico, resguardados em casa. De outro criminosos escondidos e armados a engendrar uma forma de fintar o cerco policial. 2600 homens: polícia militar, civil, federal e soldados do Exército e da Marinha, contra o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Rio. Desde domingo são 38 mortos e 80 veículos queimados.

Encenações portuguesas


Entre as encenações e a realidade há uma distância que não pode ser iludida nas cimeiras internacionais ou nas greves gerais portuguesas.
«Os efeitos especiais não são apenas para uso político interno e revelam um potencial de exportação assinalável - sobretudo agora, quando precisamos desesperadamente de equilibrar as nossas contas externas. Não seremos então capazes de (.) fazer render o nosso Hollywood à beira Tejo , como fabricantes de ilusões épicas para um mundo que tanto precisa delas? (.) Somos excelentes a organizar festividades internacionais, a estimular convívios e consensos - como se verificou com as duas presidências portuguesas da UE. Não foi por acaso que o tratado que, a partir de agora, deverá enquadrar a construção europeia, teve a sua gestação na nossa capital e dela recebeu o nome de baptismo. O que nos falta é aprender a rentabilizar essa especialidade e esse talento inato para simular milagres».
Não resisti a esta longa citação de uma crónica que aqui publiquei há quase um ano sobre a cimeira europeia, encenada sob uma tenda em Belém. Menos de doze meses depois, o cenário mudou para o Parque das Nações, mas o sentido do que escrevi poderia ser praticamente o mesmo acerca das cimeiras da NATO do último fim-de-semana. Com uma ressalva: se, então, precisávamos «desesperadamente de equilibrar as nossas contas externas», hoje estamos definitivamente reféns delas e já à mercê da intervenção do FMI.

Um PCP sem rumo

Álvaro Cunhal - de quem acaba de sair uma biografia íntima, de Adelino Cunha - foi coerentemente favorável à ditadura do proletariado, para impor o socialismo.Por isso apoiou a invasão soviética da Checoslováquia, em Agosto de 1968, indiferente ao movimento libertário que estalara em França em Maio desse ano. Nunca se conformou com o legado de Gorbatchov: fim da União Soviética e Rússia capitalista. Essa coerência merece admiração, desde que tivemos a certeza de que as suas ideias não nos esmagariam, ou seja, depois do 25 de Novembro de 1975.
Mas não imaginamos Cunhal a respeitar a ditadura militar da Birmânia (cujo único apoio parece ser hoje Pequim), ou a conformar-se com o novo capitalismo chinês. No entanto, Jorge Cordeiro, na linha oficial do PCP, acusou Francisco Louçã de anticomunista, no Avante!, por não ter comparecido perante o Presidente da China, na visita deste a Lisboa.
O PCP, sem Cunhal, já sem proletariado (que se aburguesou e, em geral, subiu às classes médias), anda mesmo sem rumo. À falta de socialistas, agarra-se aos ditadores, que lideram capitalismos mais cruéis que nunca. O que sustenta o eleitorado ao PCP não é mais a ideologia, mas o folclore - ajudado pela empatia de Jerónimo de Sousa. Já nem sequer tem a grandeza de uma ameaça.
Pedro d'Anunciação, jornal Sol, 26-11-2010

Guerra no Rio: A bandeira!


Caetano Veloso não gosta muito do que escrevo — sabendo quem sou, e bem, me chama “Ronaldo Azevedo” (ver post abaixo). Entendo! Ele agora é o meu Zé Dirceu, que chama Diogo Mainardi de “Diego”… Ele não gosta, mas, vejam vocês!, não é que até me orgulho do que andei escrevendo aqui para vocês? Vejam bem essa imagem que vai aí no alto., de Rafael Andrade, da Folhapress. Viram?
Agora leiam isto:
“Como já escrevi aqui algumas vezes, apelando a certo simbolismo: é preciso subir o morro, arriar a bandeira do Comando Vermelho  ou  dos Amigos dos Amigos e hastear a Bandeira Nacional. Quem o fará?”
Escrevi isso no dia 27 de outubro do ano passado, repetindo o que afrimava havia uns 15 pelo menos. Sempre recorri à imagem da bandeira para enfatizar justamente o caráter de retomada do território. O link está  aqui. Mas eu o reproduzo abaixo, para que vocês percebam a sua incrível atualidade. Em outubro do ano passado, fazia 13 meses que a Polícia não pisava no Complexo do Alemão! Ontem, portanto, quebrou-se um jejum de mais de dois anos. Por quê? Os motivos estão explicado abaixo. Leiam. Volto em seguida.
O BRASIL E AS RELAÇÕES COM “FB”, O PRESIDENTE DO COMPLEXO DA IDEOLOGIA ALEMÃ
Estivesse a infra-estrutura necessária já instalada, a Olimpíada que vai acontecer no Rio em 2016 poderia começar amanhã. Não acho que ela corra riscos - não por causa da segurança pública. Pensar, aliás, a questão apenas segundo essa perspectiva não deixa de ser uma rendição ao humanismo brucutu abraçado pelo lulo-petismo. Se os atletas ficassem confinados à Vila Olímpica ou fizessem passeios monitorados, em áreas previamente definidas, estaria tudo certo. É possível, aliás, viver no Rio de Janeiro - e em qualquer cidade - ignorando como e por que “aqueles povos” se matam. O risco não é a Olimpíada ser cancelada por causa da violência. O risco é ela acontecer apesar da violência. Explico.

Chico, devolve o Jabuti!: Reinaldo Azevedo responde a Caetano Veloso


Queridos, vai um texto longo. As forças da reação estão assanhadas. Fazer o quê? Fica evidenciado que a firme determinação de calar qualquer crítica no país não se resume à política. Estamos diante de algo que começa a se anunciar como um sistema.

Caetano Veloso na capa da revista Rolling Stone Brasil,
 agosto 2007/ Divulgação
Em sua coluna no Globo deste domingo, Caetano Veloso resolveu entrar na polêmica do Prêmio Jabuti. Ataca-me e aos signatários honestos (mais de 10 mil) da petição “Chico, devolve o Jabuti”. Para evidenciar a minha desimportância, escreve errado meu nome, chama-me, obliquamente, “carola e grosseiro”, representante das “forças da reação”, e mente sobre o conteúdo da minha crítica àquela patuscada. Não é a primeira vez que faz alusão a um texto meu — pelo visto, ele anda lendo o blog. Ok. É uma relação desigual porque há muito tempo não ouço o que ele canta. Da outra vez, reclamou da expressão “esquerdopatas da USP”. Caetano pertence ao ADA do mundo das artes, espetáculos & celebridades. É um verdadeiro “amigo dos amigos”: sai em defesa de Chico e dá uma força a Luiz Schwarcz, dono da Cia. das Letras, que editou “Leite Derramado”, de Chico, e “Verdade Tropical”, de… Caetano. No texto que escreveu na Folha, Shwarcz sugeriu que eu não poderia ter criticado a premiação porque sou autor da Editora Record. Mas Caetano pode defendê-la porque é autor da Cia. das Letras. Entenderam ou não?

Farei um vermelho-e-azul com Caetano, sim. Relembro: fui, de fato, o primeiro a reagir. Mas não fiz a petição. Eu apenas a assinei e publiquei o link. Estava mais no terreno da brincadeira. Tornou-se coisa séria quando uma simples crítica a um cantor, romancista para alguns, transformou-se numa ofensa à cultura nacional e aos valores fundadores da pátria! Acho, ou achava, Caetano uma figura divertida. Ele tem, não é de hoje, faro para a polêmica. Está certo de que confronto de que ele não participa não vale. É uma questão de temperamento. No moço, o comportamento ambicionava a gravidade do “homem velho”; no “homem velho”, revela que persiste o que era fatuidade no moço. Caetano ainda não está certo de suja imortalidade… Deve ser apovarante quando se a deseja. Adiante. Ele em vermelho; eu em azul.

Guerra do Rio: os heróis foram esquecidos (novamente!)


A operação deste domingo no Complexo do Alemão poderá ser um grande sucesso, mas poderá ser o maior fracasso da história da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, o passar do tempo responderá está pergunta, portanto, nos resta torcer para que o futuro demonstre que foi uma grande vitória.
Independente do resultado futuro, os últimos dias ratificaram pela bilionéssima vez que o Rio de Janeiro tem heróis: os Policiais Militares, os Policiais Civis e os Bombeiros Militares.
Aos heróis do Rio se juntaram integrantes das Forças Armadas e da Polícia Federal, que também tiveram uma participação marcante.
Pena que na entrevista coletiva realizada na Secretaria de Segurança, no início da noite deste domingo, os representantes dos verdadeiros heróis não falaram. Aliás, nem sei se Mário Sérgio e o delegado Allan Turnowsky estavam presentes no local.
Falaram Beltrame e os representantes do Exército; da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Confesso, tenho dormido pouco, posso ter deixado escapar algum pedaço da entrevista coletiva pelo cansaço, o secretário me dá sono, assim sendo, solicito que me corrijam se estiver errado.
É extremamente triste ser a não valorização dos heróis do Rio.
Amanhã, dia 29 NOV 2010, vamos homenagear os Bombeiros Militares, os Policiais Civis e os Policiais Militares, protestando contra os salários miseráveis que eles recebem, em frente ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, a partir das 14 horas.
É a luta pela aprovação da PEC 300.
Una-se a nós.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 28 de novembro de 2010

Devem-me dinheiro

Mário Crespo
José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou. Deve-me dinheiro. António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP. Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano. Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil.

OE’2011 abre as portas à intervenção do FMI

O OE’2011 escolhe a via da fragilização da economia e, como tal, abre as portas a uma intervenção do FMI. A resposta da democracia à agressão social foi dada por três milhões de trabalhadores que fizeram greve na quarta-feira.

A semana parlamentar foi totalmente ocupada com a discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2011. Um debate com resultado antecipado e com guião de votações religiosamente cumprido por PS e PSD. Ainda assim, deve assinalar-se que o Bloco de Esquerda fez aprovar duas propostas: uma que obriga à publicação de uma lista detalhada de todos os financiamentos públicos para fundações e outra que mantém em vigor a norma que responsabiliza pessoalmente os autarcas pela utilização de dinheiros públicos no exercício das suas funções.

Assembleia da República
Este orçamento escolhe a via da fragilização da economia e, como tal, abre as portas a uma intervenção do FMI. O Governo abdicou de quaisquer escolhas difíceis de transformação do sistema fiscal ou de corte em despesas erradas para manter os salários e as prestações sociais. Foi ao que é mais fácil, penalizando ainda mais os mais pobres e privatizando a esmo os bens públicos, pondo assim o país num caminho de recessão que nos exigirá sempre mais cortes e mais afundamento da economia. A espiral de empobrecimento tem neste orçamento uma expressão clara.

Guerra do Rio: resultados - avaliação preliminar

No Rio governo estadual vive uma fase extraordinária, não lembro de um governador que tenha obtido tanto apoio da mídia, algo que ficou mais evidente na campanha eleitoral através da glamurização das UPPs.
Faço este preâmbulo para comentar uma pergunta recorrente que tenho recebido:
- Coronel Paúl, a tomada do Complexo do Alemão foi um sucesso ou um fracasso?
Preliminarmente, respondo que precisamos que os dias se sucedam para que os resultados sejam avaliados com a devida extensão, toda avaliação, neste momento, é completamente precipitada.
Escrito isso, tenho a obrigação de pelo menos registrar uma vitória importantíssima, a mais importante, o número de vítimas foi muito pequeno.
Os fatos que provocaram esse resultado ainda são ainda desconhecidos e me reservo o direito de discordar do comentarista da Rede Globo, que várias vezes citou o uso dos blindados como a causa da redução com relação à Primeira Batalha do Alemão (2007). Esqueceu o comentarista que o elevado número de mortes em 2007, ocorreu do lado dos criminosos e, talvez, dos inocentes, portanto, o fato da tropa estar melhor protegida não interfere nesta redução de forma decisiva, embora possa ter diminuído a disposição dos traficantes de confrontarem, o que pode significar um fator para a redução, mais não determinante, diante da diferença enorme, pois em 2007 foram dezenas de mortos.

O acordo, a ocupação pacífica do Complexo do Alemão e o futuro

Fuzileiros navais nesta sexta-feira, 26 de novembro. Foto: AE

Reinaldo Azevedo
Como vocês estão cansados de saber a esta altura, a polícia entrou no Complexo do Alemão praticamente sem resistência. Bandido é bandido, mas não é burro. Resistir ao aparato que reúne PM (Bope), PF e Forças Armadas seria suicídio coletivo. Muita droga foi apreendida. Não se sabe ao certo o número de presos até agora, mas não são muitos. Também é pequena a apreensão de armas, dado o arsenal já exibido pelos bandidos. A ocupação não rende um filme de ação, algo como Tropa de Elite 3. Acabou sendo chocha. Melhor assim em certo sentido. Do contrário, haveria muitas mortes: de bandidos, de militares e também de moradores. Depois de cantar o Hino Nacional, o Hino da Proclamação da República, o Hino à Bandeira e o Hino da Independência, a gente pode começar a pensar.
Esse desdobramento não é acidental. Desde o cerco ao complexo, as forças de segurança negociam com a bandidagem. O, como é mesmo?, “mediador social” (ou coisa assim) José Júnior, da ONG AfroReggae, foi uma das pessoas que fizeram o meio-de-campo. A “ocupação” só foi decidida depois de um acordo. Ficou estabelecido que as forças de segurança “invadiriam” a área sem resistência. Os bandidos ofereceram a passividade, e o Estado lhes deu o direito de tentar fugir. A região é gigantesca. Bem poucos trazem estampado no corpo a marca “sou bandido”, a exemplo de um tal Leandro Sedano, 20 anos. Ele mandou tatuar três vezes o nome de “Fernandinho Bera Mar” (sic) nos braços; numa das mãos, um folha de maconha; nas costas, a expressão “eu cheiro”. Ou seja: Leandro é um Zé Mané. O tráfico não confiaria a ele um papelote de cocaína para vender - ele cheiraria o pó… A polícia não tem o retrato de todos os traficantes, e ninguém  pode ser preso se estiver em casa, assistindo ao confronto Corinthians X Fluminense…

Não desisti da verdade: fatos e números sobre o Rio. Ou: Querem matar o sentido das palavras, mas sou teimoso!

Foto: Jadson Marques/AE
No tempo em que o sentido das palavras já dava sinais de fraqueza, escrevi muitos textos neste blog (e antes, ao longo de anos) defendendo que as Forças Armadas ajudassem a recuperar o território tomado pelo narcotráfico. Há três dias, escrevi um artigo aqui com links para aqueles posts antigos (Violência no Rio: dois a zero para o óbvio). Minha argumentação era simples: a intervenção está prevista no Artigo 142 da Constituição, explicitada depois pela Lei Complementar 97. Por alguma razão, muitos dos que agora aplaudem a ação das Forças Armadas achavam, então, que aquelas eram idéias autoritárias, coisa, como eles gostam de dizer sobre seus inimigos, de “fascistas”. Hoje, quando o sentido das palavras agoniza, leio alguns bobalhões me acusando, imaginem só!, de ser contra a ação das Forças Armadas ou o cerco ao Morro do Alemão! Eu? Indiquem-me um só texto em que isso tenha sido, ainda que lateral ou obliquamente, sugerido. Não existem! Até porque não sou. Sou contra a mistificação e os mistificadores.
E também não sou contra as Unidades da Polícia Pacificadora (UPPs). Desde que elas sejam isso mesmo, não uma acomodação das forças de segurança ao narcotráfico, numa espécie de regulamentação branca da atividade, desde que obedecido certo decoro. E, infelizmente, isso está em curso. Qualquer pessoa razoável sabe que é assim — já volto a esse particular para responder à indagação: “Então a UPP é um mal?”. Respondo com um enigmático “depende”. A explicação mais detalhada vem daqui a pouco.
Não! Não vão conseguir me atribuir o que não escrevi nem me tirar o que já escrevi, que está em arquivo e reproduzido em milhares de páginas por aí. Eu sou efetivamente favorável a um plano organizado, pensado, planejado no detalhe, de recuperação dos territórios brasileiros perdidos para o narcotráfico — sempre considerando, como já fiz outras vezes, que a cocaína e as armas dos morros não foram produzidas no Brasil; passaram por nossas fronteiras, e vigiá-las é responsabilidade do governo Federal. Antes de alguns bobalhões se entusiasmarem com os soldados, eu já entedia que as áreas tomadas pelo narcotráfico de várias cidades do Brasil são uma questão, sim, que dizem respeito à segurança do país. É um “presente” que nos dão os consumidores de drogas ilícitas! É inaceitável que o narcotráfico ou as milícias imponham a sua própria “Constituição” a milhares, provavelmente milhões, de brasileiros. Não tentem os subitamente convertidos me convencer daquilo de que eu tentava convencê-los! Qual é???  Plano de recuperação do território e de asfixia do narcotráfico, no entanto, não se confunde com: “Ih, deu merda! Chamem as Forças Armadas!”

Cachorrinho perdido

Maria Piedade do Rego, moradora em Sobralinho, perdeu o seu pequeno Chihuahua e está desesperada para encontrá-lo. Ontem, ela estava sentada no sofá a ver TV quando percebeu que o cachorrinho não estava a seu lado.  Ela chamou-o e ele não respondeu. Então, ela percebeu que a porta estava aberta e que ele pode ter fugido. E tem colocado a foto dele em todos os locais.
Por favor AJUDE, REPASSANDO!!! 

Colaboração: Daniel Torres

sábado, 27 de novembro de 2010

Milhares de manifestantes em Roma contra medidas de austeridade

Milhares de manifestantes responderam ao apelo da Confederação Geral Italiana do Trabalho e desfilaram pelas ruas de Roma em protesto contra a política económica de Berlusconi.
A manifestação convocada pela Confederação Geral Italiana do Trabalho teve como lema “O futuro é dos jovens e do trabalho: mais direitos e mais democracia”: Foto do portal Diário Liberdade.
Segundo o lema “ O futuro é dos jovens e do trabalho: mais direitos e mais democracia”, a manifestação, que terminou na praça San Juan de Letrán, juntou não só trabalhadores como aposentados, estudantes, pensionistas e políticos vindos de todo o país.
 A Confederação Geral Italiana do Trabalho ameaça agora convocar uma nova greve geral, à semelhança do que aconteceu no passado dia 25 de junho, quando os italianos se manifestaram contra o plano de austeridade do governo, caso Berlusconi não implemente verdadeiras medidas de combate à crise. Os sindicatos exigem ainda a Berlusconi que “deixe de fingir que é uma vítima do mundo” e de “lançar alarmes à população” e que dê as respostas que têm sido solicitadas.
Os cortes dos fundos para a Universidade pública para aumentar os destinados à Universidade privada, também têm motivado enorme contestação e os protestos dos estudantes por todo o país. Os estudantes que, segundo Gorka Larrabeiti, do Rebelión, saíram à rua munidos “com escudos de cortiça carregando títulos da literatura clássica universal” foram acusados pelos meios de comunicação social de assédio e o Senado, contra o qual foram lançados ovos, classificou os protestos de “vil agressão” e “acto de violência”.

O abandono da Zona de Leopoldina já soma umas três décadas

Sônia d'Azevedo
O abandono, pelo poder público, da Zona da Leopoldina do Rio de Janeiro, onde se localizam os bairros da Penha, Olaria, Ramos, Bonsucesso e outros, já soma umas três décadas.
Governos sucessivos priorizaram as Zonas Sul (turismo) e Oeste (especulação imobiliária). A Zona da Leopoldina, tradicionamente, era uma região industrial e bem importante. O quadro atual foi gerado pelo descaso, o abandono, o "virar as costas" do poder público aos contribuintes que sempre trabalharam, pagaram impostos, mas se calaram sempre, em vez de gritar, quando ainda era possível, sua indignação.
As indústrias se foram. Suas estruturas se transformaram em esqueletos abandonados depois invadidos, tornando-se moradias de migrantes e até mesmo imigrantes!

Reparações domésticas pagas em sexo

Uma nova tendência de anúncios de oferta de trabalhos domésticos, que dá sentido à expressão “pagamento em géneros”, está a agitar os franceses. A história, contada no jornal francês, Le Parisien, conta como está a virar moda trocar certos serviços como arranjos de canalização ou traduções e explicações em casa, por favores sexuais.



Serge, 62 anos, profissional liberal, lembra-se da primeira vez que alguém lhe propôs pagar os seus serviços de bricolage ao domicílio por sexo: “Coloquei um anúncio a oferecer-me para fazer certos trabalhos domésticos de bricolage. Recebi uma mensagem de uma senhora de 52 anos que perguntava se podia pagar-me com sexo. Aceitei e acabei por repetir em várias ocasiões”, conta à reportagem do Le Parisien.
Nos últimos tempos multiplicaram-se os anúncios do tipo: “homem efectua tarefas domésticas a troco de mimos”, ou “diplomado em ciência política dá aulas de francês, inglês, filosofia ou cultura geral a troco de carinhos de aluna maior de idade ou da mãe da aluna”. E isto está a agitar a opinião pública francesa.
Eric, de 55 anos, contou também ao Le Parisien como começou a aceitar trabalhar a troco de sexo. “A primeira cliente procurava apenas uma aventura”, confessa. As tarefas domésticas foram um pretexto para a aproximação. A segunda era uma senhora de 51 anos que vivia sozinha e que precisava mesmo de certas reparações domésticas mas que não tinha dinheiro para as pagar.”

Jovem natural da Somália detido nos EUA quando julgava que ia cometer um atentado

As autoridades norte-americanas prenderam ontem um somali de 19 anos, naturalizado norte-americano, que tencionava fazer explodir um carro armadilhado quando fosse acesa a árvore de Natal em Portland, no estado de Oregon.
Segundo as autoridades, Mohamud já partilhava o conceito de jihad desde os 15 anos (Multnomah County Sheriff's Office/Reuters)

Mohamed Osman Mohamud foi detido às 17h40 locais de ontem (01h40 da manhã de hoje em Lisboa) depois de ter dedilhado num telemóvel os números que, segundo pensava, iriam fazer explodir uma carrinha cheia de explosivos.
No entanto, o que lá havia era apenas uma imitação de bombas, fornecidas por agentes secretos para testar a determinação daquele adolescente, que assim foi atraído a uma armadilha.
A chamada que o jovem fez apenas levou polícias federais e locais a deterem-no, sob a acusação de que estaria disposto a cometer um atentado durante uma cerimónia natalícia.
“Uma acção secreta fez malograr os seus esforços e garantiu que ninguém seria ferido”, disse o procurador-geral adjunto para questões de segurança nacional, David Kris.

Se a situação no Complexo do Alemão era essa, por que não foi feita uma operação antes, por que se esperou tanto tempo?

Tropa do BOPE, foto: Carlos Trindade/Flickr/Creative Commons

No momento há um clima de guerra, com setores da imprensa sentindo-se inspiradores e autores do script. Não há espaço para perguntas, nem para dúvidas. Em todas as guerras, dúvidas e perguntas são confundidas com capitulação ou cumplicidade com o inimigo.
Mas timidamente, como se fossem pauteiros  populares, menos suspeitos que a oposição, os leitores de jornal vão fazendo suas perguntas. Uma delas, aparece nas cartas do Globo: se a situação no Complexo do Alemão era essa, por que não foi feita uma operação antes, por que se esperou tanto tempo?
Mas existem outras perguntas que dizem respeito a planejamento que não são feitas pelos jornalistas porque estão, o que acho interessante também, preocupados em mobilizar favoravelmente a opinião pública. Quando mencionei , durante a campanha, que no Alemão estavam concentrado um grande número de homens armados, o próprio governo não gostou. Quando afirmei que as obras do PAC deveriam ser feitas com a presença de forças pacificadoras, a critica também se perdeu.

O atestado de óbito de uma política de segurança baseada na criminalização das comunidades pobres

“Isso é uma guerra. É uma guerra e guerra tem de ser enfrentada como guerra. Direitos humanos devem ser respeitados sempre, é nossa filosofia, Mas isso é uma guerra”.
Sérgio Cabral, 11 de novembro de 2007.

Quase 20 ônibus foram incendiados nos últimos dias nessa onda de ataques

Como no filme TROPA DE ELITE 2 (obra prima do cinema nacional que você não pode deixar de ver) essa interminável sequência de desafiadores ataques criminosos, responsáveis por um clima de pavor generalizado no Estado do Rio de Janeiro, é, antes de mais nada, o atestado de óbito da política de segurança do governador Sérgio Cabral, que engabelou muitos cidadãos ingênuos com a idéia de que assegurava proteção aos burgos com a ocupação policial de algumas favelas, enquanto bancava a tática dos confrontos e o patrocínio da maior matança de jovens das comunidades pobres.
Essa política parte do princípio de que a um cidadão apavorado serve-se o cardápio daSENSAÇÃO de segurança como calmante para seus nervos à flor da pele. A violência urbana pode continuar em alta, mas a notificação da presença policial em algumas comunidades pobres e criminalizadas, numa declarada disputa de territórios, sugere o bloqueio de redutos e a imobilização do “poder paralelo”, com a consequente redução da criminalidade.
A essa cortina de fumaça adiciona-se o espetáculo da matança em pencas, como aconteceu no Complexo do Alemão, em 2007 (convém ler o Relatório do Comissário da ONU, Philip Alston, sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias no Rio de Janeiro) e a sucessão de massacres na favela da Coréia, em Senador Camará.

As UPPs do Rio eram um programa mais turístico do que segurança pública

Lula conversa com o prefeito Eduardo Paes em visita ao morro Santa Marta. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação


Caras e caros, este é um texto bastante importante para entender o que estava e o que está em  curso. Vamos lá!

A bagunça no Rio está nos jornais e sites noticiosos do mundo inteiro. Seria notícia a qualquer tempo e em qualquer circunstância, mas chama ainda mais a atenção porque a cidade sediará a Olimpíada de 2016, e o Brasil, a Copa do Mundo de 2014 — a capital fluminense é “o” cartão postal da disputa. E todos se fazem a pergunta óbvia: terá uma cidade com essas características condições de receber esses dois mega-eventos? Falta ainda bastante tempo. Até lá, políticas sensatas, se aplicadas, podem render frutos. Mas cumpre fazer algumas considerações.
As UPPs já eram parte de uma bem-urdida política de marketing. Com ela, o governo conseguiria duas coisas: pacificar a “comunidade”, este substantivo de sentido cada vez mais etéreo, combater o crime e evitar a violência. Uma coleção de objetivos louváveis não faz necessariamente uma política pública eficiente. Bem, a coisa deu no que deu. Em algum momento, alguém rompeu algum acordo — quando o jornalismo parar de aplaudir Sérgio Cabral, talvez se descubra o que houve —, e a situação desandou. Mas reitero: a UPP, ainda que possa trazer algum benefício para os sem-estado, era um programa mais turístico do que de segurança pública. Como? Estou exagerando? Então leiam esta reportagem do Estadão de 18 de agosto (leiam com atenção). ESCULHAMBEI ESTE TROÇO AQUI. FALEI SOZINHO!!!

Guerra no Rio: mais uma opinião do Coronel PM, Paulo Paúl


É ISSO MESMO! PARA CIMA DELES! SÓ NÃO PODE ACERTAR EM MIM E NA MINHA FAMÍLIA.
É plenamente aceitável que a população do Rio de Janeiro e do Brasil esteja aplaudindo a invasão do território da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, afinal o povo fluminense vive há muito tempo sofrendo com a violência urbana, que provoca a morte de pessoas de bem, de policiais e de criminosos, em todos os lugares e em qualquer horário.
A presença do BOPE, os heróis do Rio, aumenta tal emoção, que cresce geometricamente com a presença das Forças Armadas, pois muitos sempre acreditaram que o problema do Rio só seria resolvido com a presença delas.
Os aplausos são compreensíveis, pois a avaliação do povo é nesta direção, todavia, tecnicamente não pode ser a mesma interpretação.
O artigo que encerra este artigo será crucificado com expressões como "lá vem os protetores dos bandidos" e semelhantes, entretanto, para avaliar tecnicamente cada fato, precisamos avaliar os fatos sem emoção e com razão.
Cidadão, o que você está assistindo pela televisão?
Uma invasão militar em um território onde 99% dos residentes são pessoas de bem, como o próprio governo reconhece.

Eles têm pavor do FMI

CONSULTORES E CONSULTORIAS - 2
Podem encontrar-se exemplos caricatos de recurso a consultorias e a consultores. Este é um deles.
Há uns meses, foi substituído o Conselho de Administração (CA) do Metropolitano de Lisboa, uma empresa pública que sobrevive à custa dos contribuintes. Não apenas dos de Lisboa, mas de todo o País. Mesmo daqueles que, por exemplo, por nunca terem ido a Lisboa, nunca obviamente dele fizeram uso.
Como de costume, verificou-se rotação de “cadeiras”, melhor dizendo de sinecuras, entre os membros da Nomenklatura dos chamados gestores públicos. Saltou para Presidente do CA o gestor que antes tinha estado a presidir à gestão da CP.
Feita a substituição, a primeira preocupação dos novos-velhos gestores públicos foi obviamente para a re-decoração dos respectivos gabinetes, contemplando em geral a substituição dos seus mobiliários.Depois, como quem não sabe nada de gestão das organizações, e como desconheciam qual seria o melhor “modelo organizacional” para bem governar a empresa pública, vai daí, resolveram consultar os consultores de uma empresa de consultoria.

A ideologia do pudor

A opressão sexual no Oriente Médio é, em parte, uma invenção recente. Durante séculos, o prazer feminino e a homossexualidade foram tabus no Ocidente, mas não no Islã
Diogo Schelp
A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 42 anos, foi condenada a uma morte cruel. Acusada de adultério, Sakineh será enterrada viva até o pescoço e sua cabeça oferecida como alvo de pedras jogadas por seus carrascos. O caso ganhou repercussão internacional, mas, na semana passada, o governo do Irã confirmou a sentença. “Esse é um castigo medieval que não deveria ter mais lugar no mundo moderno”, disse William Hague, ministro de Relações Exteriores da Inglaterra. Ele está certo em não tolerar as leis sexuais repressivas e abomináveis existentes no Irã e em outros países. Engana-se parcialmente, no entanto, em classificá-las como uma herança antiga do islamismo. O Islã já foi menos opressor em matéria de sexo, como mostra História da Sexualidade (Contexto; 288 páginas; 47 reais), do americano Peter Stearns, recém-chegado às livrarias.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A vida que levei... (6º capítulo - Formigas)

Capítulo anterior:
Da série "A vida que levei...": um escrito antigo
Em 1962, o meu pai foi para Brazzaville, República do Congo (o “Popular” virá depois).
Fui passar as férias grandes, de 1963 e 1964, em Brazzaville. Nossa! Que deslumbre! Uma outra cultura, outra língua!...
Em 1964, “vivenciei” a revolução que derrubou o então presidente daquele país: o abade Fulbert Youlou. Foi em Agosto. Penso que até agora comemoram essa data como “Les trois glorieuses” (Os três – dias – gloriosos).
Foi lá que cruzei, pela primeira vez, com o pessoal do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola.
Meu pai trabalhava como Mestre de Obras. Achava um barato o horário de trabalho que lá praticavam na construção civil: das 7 às 13h!
Também me “chocou” o horário institucionalizado da sesta. O comércio fechava, penso que às 13h, não me lembro, e reabria às 15h.
Enquanto os meus pais sesteavam, eu ficava brincando no quintal com… as formigas. É isso mesmo! Adorava desviar o engarrafado caminho delas. Ficava desviando com cuidado e paciência. Aí, em vez de uma reta, elas iam e vinham por um caminho sinuoso…

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