Queridos, vai um texto longo. As forças da reação estão assanhadas. Fazer o quê? Fica evidenciado que a firme determinação de calar qualquer crítica no país não se resume à política. Estamos diante de algo que começa a se anunciar como um sistema.
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Caetano Veloso na capa da revista Rolling Stone Brasil,
agosto 2007/ Divulgação
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Em sua coluna no Globo deste domingo, Caetano Veloso resolveu entrar na polêmica do Prêmio Jabuti. Ataca-me e aos signatários honestos (mais de 10 mil) da petição “Chico, devolve o Jabuti”. Para evidenciar a minha desimportância, escreve errado meu nome, chama-me, obliquamente, “carola e grosseiro”, representante das “forças da reação”, e mente sobre o conteúdo da minha crítica àquela patuscada. Não é a primeira vez que faz alusão a um texto meu — pelo visto, ele anda lendo o blog. Ok. É uma relação desigual porque há muito tempo não ouço o que ele canta. Da outra vez, reclamou da expressão “esquerdopatas da USP”. Caetano pertence ao ADA do mundo das artes, espetáculos & celebridades. É um verdadeiro “amigo dos amigos”: sai em defesa de Chico e dá uma força a Luiz Schwarcz, dono da Cia. das Letras, que editou “Leite Derramado”, de Chico, e “Verdade Tropical”, de… Caetano. No texto que escreveu na Folha, Shwarcz sugeriu que eu não poderia ter criticado a premiação porque sou autor da Editora Record. Mas Caetano pode defendê-la porque é autor da Cia. das Letras. Entenderam ou não?
Farei um vermelho-e-azul com Caetano, sim. Relembro: fui, de fato, o primeiro a reagir. Mas não fiz a petição. Eu apenas a assinei e publiquei o link. Estava mais no terreno da brincadeira. Tornou-se coisa séria quando uma simples crítica a um cantor, romancista para alguns, transformou-se numa ofensa à cultura nacional e aos valores fundadores da pátria! Acho, ou achava, Caetano uma figura divertida. Ele tem, não é de hoje, faro para a polêmica. Está certo de que confronto de que ele não participa não vale. É uma questão de temperamento. No moço, o comportamento ambicionava a gravidade do “homem velho”; no “homem velho”, revela que persiste o que era fatuidade no moço. Caetano ainda não está certo de suja imortalidade… Deve ser apovarante quando se a deseja. Adiante. Ele em vermelho; eu em azul.