terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cinismo nível capeta: Paulo Nogueira quer que no Brasil, um país miserável, paguemos a mesma taxa de impostos que na Suécia

Luciano Henrique
Quando eu digo que lidamos com seres cujos padrões éticos são monstruosos, não estou exagerando. Em um recente texto, Paulo Nogueira, da BLOSTA, mostrou-se como um eterno ser rastejante à busca de verbas estatais para seus líderes (e para si próprio, talvez?), mesmo que tenha que fazer um discurso afrontoso à dignidade humana, como este:

Em sua passagem pelo Brasil, Piketty [foto] falou sobre os impostos nacionais com mais riqueza e mais profundidade do que o conjunto do conteúdo produzido, em muitos anos, pelas empresas jornalísticas.

Vamos do básico.

A carga tributária do Brasil se situa em torno de 35% do PIB. O país está mais ou menos no meio do caminho, como notou Piketty em seu divertido inglês afrancesado ao falar para plateias brasileiras. Mais para cima, com cargas na casa dos 50%, você tem os países escandinavos, os mais avançados socialmente do mundo. Mais para baixo, com cargas na casa dos 20%, você tem países como Romênia e Bulgária, socialmente primitivos. Perguntou Piketty: o que vocês querem ser, Escandinávia ou Romênia?

A Folha não quer que o Brasil seja a Escandinávia, é claro. Nem as demais grandes corporações jornalísticas.

Isto é de um cinismo aterrador. Quando o indivíduo chega a este nível, ele já se apresenta naquela categoria “sem nada a perder”.

E é muito bom que ele tenha citado o Thomas Piketty, que, assim como Paul Krugman, não tem nada de útil a dizer a quem quer uma discussão a sério sobre economia.

Demonstremos:
·         Suécia: Renda Per Capita US$ 44 695
·         Brasil: Renda Per Capita US$ 15 153

Quer dizer que o Brasil tem renda per capita três vezes menor do que a dos suecos e ele quer que nós paguemos a mesma taxa de imposto que eles? Ué, para onde foi o pensamento socialista que diz “quem tem mais, paga mais”? Como sempre, eles vão mudando o discurso conforme a conveniência. Coisa de psicopata.

Se fôssemos aplicar a ótica de Pikaretty e Nojeira, então bastaria aplicar a alíquota de 27,5% sobre quem ganha salário mínimo, já que pagar mais aumentará a riqueza do pagador. Mas é claro que isso só seria categorizado como loucura ou safadeza. No caso da duplinha de socialistas, podemos apostar na última opção.

Alias, se o objetivo é “virar Suécia”, os procedimentos são simples:
1. Pare de conviver com porcos (líderes de países como Venezuela e Argentina) e se alinhe a países civilizados
2.  Crie um livre mercado, com no máximo de 10% do PIB de carga tributária, mas não faça isso por um ou dois mandatos, mas por três ou quatro décadas, no mínimo (garanta liberdade de expressão e liberdade de imprensa neste período)
3.  Aproveite essas três ou quatro décadas para enriquecer o país, triplicando a renda per capita
4. Aí, e somente aí, discuta um estado de bem-estar social

Estou dizendo que “vamos” fazer isso? Não. Eu duvido. Até porque somos um país esquerdista demais para aceitar três ou quatro décadas de livre mercado. Mas se não passarmos pelos quatro passos, não viraremos Suécia coisíssima nenhuma. Uma ostra honesta já é capaz de saber que não foi o estado de bem-estar social sueco que os enriqueceu, mas os tempos em que o país viveu sob livre mercado.


Aplicar 50% de impostos sobre o PIB em um país como a Suécia pode até atrasar o país, como tem acontecido. Exatamente por isso, estão rediscutindo o estado de bem-estar social. Por outro lado, aplicar 50% de impostos sobre o PIB de um país miserável como o Brasil não irá nos transformar em Suécia, mas em Cuba.

Eu não acredito em demônios ou coisas do tipo. Mas pessoas que discursam vendendo ilusões, feito Pikaretty e Nojeira, se enquadram em uma moralidade do nível capeta. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 15-9-2015

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