quarta-feira, 20 de abril de 2016

Temer já faz reuniões pensando no futuro ministério

Atual vice pode ter de assumir a Presidência em três semanas; é claro que tem de começar a escolher os nomes
Reinaldo Azevedo
Ah, tenham a santa paciência! Há que haver um limite para a tolice, acho eu. Vamos ver. Presidentes no Brasil são eleitos em outubro. Tem dois meses para fechar seu ministério. Na verdade, no mais das vezes, esse tempo é bem maior porque, bem antes, o resultado final não é assim tão incerto. Tomem o exemplo de Dilma: liderou a corrida quase todo o tempo em 2014 — com expectativa, durante boa parte, de vencer no primeiro turno.

Michel Temer está prestes e assumir a Presidência da República. Pode acontecer em três semanas. Será mesmo que ele comete alguma falha que possa ser chamada de conspiração ou açodamento ao tratar de nomes para seu futuro governo?

A resposta, obviamente, é negativa. Queriam que ele esperasse o quê? Quer dizer que, então, primeiro assumiria para só depois pensar nisso? Ora, tal prática não seria decorosa, mas apenas tolo.

Entre os nomes cogitados para a equipe estão Alexandre Morais, Ilan Goldfajn, Amaury Bier, Murilo Portugal, Marcos Lisboa, Sérgio Amaral, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, Ayres Britto, José Serra… Tudo está ainda no terreno da especulação. Mas vamos convir: se a coisa transitar por aí, na comparação com a maioria da atual equipe, estamos diante de uma verdadeira academia de Platão.

A equação não é fácil. Há o desafio imenso que é responder à barafunda que aí está, a necessidade de escolher nomes que consigam juntar competência técnica e representatividade política e, obviamente, será preciso ter um ministério que conte com o apoio dos partidos da base.

A escolha dos ministros, por sua vez, induzirá a nomeação de segundo e terceiro escalões. Ora, se Temer não começa a cuidar agora dessa questão, vai fazê-lo quando?

Se pode haver alguma dúvida remota sobre a condenação da presidente pelo Senado — são necessários 54 votos —, ninguém duvida que, por volta do dia 11, por maioria simples, a Casa aceite a denúncia, o que obrigará Dilma a se afastar.

E, como diria Lula, isso acontecendo, podem esquecer: não tem volta. Já se terá um novo governo.
Título e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 20-4-2016

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