segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tchau, queridos

Rui A.

O grande derrotado da votação do impeachment de Dilma Roussef não foi tanto a «presidenta», mas Lula da Silva, o seu criador e mentor político. O que ontem ficou claramente demonstrado é que o poder de articulação política de Lula terminou e, com ele, acabaram também mais de quinze anos de poder do PT.

Mas ficou igualmente muito claro que o regime presidencialista brasileiro sofreu uma séria inflexão e terá necessariamente de se reformar num sentido mitigado com o parlamentarismo. Porque, de facto, apesar dos fortes indícios da prática de, pelo menos, crimes tributários por parte de Dilma, o juízo dos congressistas foi prioritariamente político: estão fartos da parelha Lula-Dilma, sentem que a rua também o está, e querem uma mudança política radical.

E depois do dia de ontem, em que a câmara parlamentar fez sentir o seu poder, não será fácil voltar atrás.

Esta transformação que dê efectivos poderes de controlo político ao Congresso, a suceder, será francamente positiva, já que, num país da América Latina, com rudimentares tradições democráticas, o presidencialismo facilmente se transforma em coronelismo. Foi o que sucedeu com Lula da Silva, perdido na soberba de um poder quase absoluto. E que ontem teve fim.
Título, Imagem e Texto: Rui A., Blasfémias, 18-4-2016

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3 comentários:

  1. Felizmente, não possuímos o PARLAMENTARISMO.
    Vejamos o sindicato nacional dos aeronautas que implantou o sistema parlamentarista, e nunca mais alguém conseguiu tirá-los do poder.
    Assim, no regime presidencialista sempre podemos mandar o governo corrupto para as quintas do inferno.
    Imaginemos um sistema parlamentarista com Eduardo Cunha de primeiro ministro.
    O sistema mais íntegro é 3 poderes.
    Infelizmente no sistema parlamentarista só existem 2 poderes.
    No parlamentarismo o executivo é dependente do voto de confiança do legislativo.
    Alguém pode falar de semipresidencialismo, onde também não há 3 poderes, mas sim gestão compartilhada entre o presidente e o ministro.
    Por fim, enquanto tivermos medidas provisórias e o foro de privilégio, não se exerce o presidencialismo pleno, mas sim um claro aristocrático presidencialismo absoluto.
    O PT só sai do governo por um ato legítimo de uma lei de 1950, que os constituintes esqueceram de mudar.
    O Brasil quer novas eleições, mas com certeza colocarão as mesmas merdas dentro de um penico novo.
    fui...

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    1. Pois eu desconfio muito das denúncias que são plantadas, articuladas, inventadas pelo Partido dos Trambiqueiros.
      Sou radical e intransigentemente a favor do impedimento da atual presidente da República.

      Não embarco na canoa do PT que espalha por aí que são todos iguais, que o Cunha é isto e aquilo (Gozado! Estão caladinhos quanto ao Calheiros)... não embarco na canoa de convocar eleições porque Temer não presta, etc...pois eu estou convencido que ele fará um bom governo, pois de idiota ele nada tem, agarrará a oportunidade histórica com todos os dentes, e quererá se rodear de gente competente e prestigiada.
      Depois que a Dilma for embora, contem comigo para batalhar pela destituição ou prisão de qualquer bandido, seja ele afeto ou não ao PT.

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    2. Concordo em letras e números.
      Falando de números, me irrita o fato de falarem sobre decretos e pedaladas, se são crimes ou não, isso não importa.
      O balanço fiscal de débito da ordem de 119 bilhões de reais, prova em plenitude a irresponsabilidade da probidade administrativa.
      Quanto a opinião midiática internacional protegendo a nossa pústula presidencial, eles não sabem ou fingem desconhecer, os rombos nos fundos de pensões, no BNDES, no fundo de garantia, nos 105000 cargos comissionados, a crise da Petrobrás, os 25 bilhões anuais investidos nas ONGs que poderiam sustentar o bolsa família, o caos da saúde pública, a falta de segurança pública e o lixo cultural de nossas escolas. A mídia socialista é sui generis ao defender o crime de responsabilidade do PT nesses 13 anos. Quanto aos votos dos deputados, é óbvio que brasileiro adora imitar, o que já fez a história. Eles foram iguais ao que aconteceu no impedimento de Collor, foi uma reprise para a mídia. Nesse ponto a anta deveria imitar Collor e renunciar. Sua renúncia é um prenúncio de mudanças. Mudar a cartilha ideológica é impensável ao socialista. A título de bazófia, vejamos o que representa o rombo de 119 bilhões, mais os 25 bilhões gastos com ONGs e os 10 bilhões gastos com os cargos comissionados:
      O orçamento de 2016 tinha uma previsão de 118 bilhões para a saúde e 103 bilhões para a educação. Isso quer dizer que dos 221 bilhões destinados a essas áreas estão severamente prejudicados. Nós devemos propagar o valor das pedaladas e dos decretos, não as suas validades jurídicas.
      fui...

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