Cesar Maia
1. Os fatos que cercaram o debate e a votação do impeachment da Presidente
Dilma tornaram ainda mais imprevisível a campanha eleitoral para Prefeito do
Rio.
2. O voto pelo sim do deputado Pedro Paulo, pré-candidato a
prefeito do Rio pelo PMDB, foi recebido como traição por Dilma. Em seguida, o
PT do Rio informou que sairia da prefeitura e entregaria as secretarias que
ocupa, o que foi feito parcialmente até aqui.
3. Com isso, o deputado do PT Wadih Damous, ex-presidente da OAB e
porta-voz de Lula, já voltou à suplência e o PT retirou o apoio ao PMDB e, assim,
o tempo de TV tão importante na estratégia do PMDB. O PT iniciou o debate sobre
alternativas, que poderiam ser tanto Wadih Damous do PT, como Jandira Feghali
do PCdoB.
4. Assim, o campo da esquerda pulverizou com 3 candidatos: Jandira,
muito mais forte que Wadih, Freixo do PSOL e Molon da REDE. O fato do Molon e
Freixo terem apoiado ostensivamente Dilma contra o impeachment produzirá algum
desgaste em ambos e será usado pelos seus adversários.
5. Clarissa Garotinho, acatando a decisão de seu pai e um laudo
médico em função de seu tempo de gestação, e não indo votar o SIM, que sua
propaganda em redes sociais exaltava tanto, tende a desistir da candidatura.
6. Os problemas enfrentados pela prefeitura, em parte pela falência
do governo do Estado também do PMDB, e agora a imagem forte da queda da
ciclovia da Av. Niemeyer, colocam uma dificuldade a mais na recuperação de
Pedro Paulo, candidato do prefeito, que contava com o fator tempo para que seus
problemas pessoais fossem esquecidos.
7. Os outros dois candidatos do campo do centro/centro-direita,
Índio do PSD e Osório do PSDB, ficam espremidos e sem vetor para crescer antes
da campanha eleitoral formal. Ficam sem estratégia para a pré-campanha. Ficam
sem espaço e sem foco para suas comunicações políticas. Vão ter que esperar agosto. Os três, hoje
somados, mal alcançam 10%.
8. Finalmente e mais uma vez, o beneficiado é o senador Marcelo
Crivella, ficando sozinho como candidato evangélico e do campo popular.
Certamente dirá SIM ao impeachment de Dilma, se diferenciando dos candidatos
mais à esquerda e se afirmará em relação aos candidatos de centro e
centro-direita.
9. Hoje, a candidatura de Crivella seria uma das duas que iria ao
segundo turno. Os fatos e os ventos sopram para ele, e por sua discrição e
estilo, muito dificilmente dará alguma derrapagem até o início da campanha.
Título e Texto: Cesar Maia,
27-4-2016
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