sexta-feira, 17 de março de 2017

A derrota da "extrema-direita"

José António Rodrigues Carmo

No léxico primário usado pela maioria dos jornaleiros, provavelmente forma(ta)dos naquela célebre Faculdade da Nova, onde a liberdade de expressão só se aplica às ideias apreciadas por quem tem o poder de decidir, extrema-direita é tudo aquilo que está à direita do "bem"

E o "bem" é, como é sabido, sinónimo de "esquerda".
Por exemplo, por cá, chamam "extrema-direita" a um partido socialdemocrata e a outro do centro (democrático social).

Por aqui se vê a robustez da formação dos nossos jornaleiros.

Na Holanda, ganhou as eleições um partido de direita. Bem de direita. Que seria a "extrema-direita", se não houvesse aquele partido do senhor Wilders.

O senhor Wilders, como se sabe, é de "extrema-direita", porque, segundo a novilíngua oficial, tem péssima opinião sobre o Islão.

E é a isto que chegámos, na cosmovisão jornaleira:
Quem tem má opinião do Islão, é de "extrema-direita".
Isso mesmo:
- Se leste o Corão, os hadiths, conheces a História e olhas para o mundo e reparas que em mais de 90% da violência planetária está o Islão envolvido;
- Se reparas nas disfuncionalidades e no atraso das sociedades islâmicas;
- Se tens a clara noção da intolerância e do supremacismo islâmicos;
- Se deploras a sua ética e a sua moral;
- Se recusas aceitar que a tua civilização seja paulatinamente carcomida por uma cultura atrasada e violenta, que trata mulheres e o "outro", abaixo de cão.

Passas a ser de "extrema-direita" e levas em cima com todo o pacote. Num instante transformas-te em nazi, em xenófobo, em racista, em neoliberal, em capitalista, em populista, em antissemita, em feio, porco, burro e mau.

O irónico é que, na Holanda, os partidos maus (da direita), tiveram a esmagadora maioria dos votos e o que ganhou teve de endurecer o seu discurso para com o Islão e os turcos.

Por enquanto é dos "nossos". Um destes dias passa a ser de "extrema-direita".

P.S. De resto o mesmo destino aguarda o nosso saltitante Presidente da República.
Hoje é popular e afetuoso. Um destes dias, quando desagradar à esquerda bondosa e boa, é transformado, num ápice, em populista e extremista de direita. O Galamba já deu um cheirinho. Vai uma aposta?
Título e Texto: José António Rodrigues Carmo, Facebook, 17-3-2017

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