sábado, 18 de março de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Urubus escutam?!

Aparecido Raimundo de Souza

Muito se fala e muito se especula sobre democracia. O que é democracia? O Brasil, senhoras e senhores, é um país democrático? Para essas indagações, infelizmente, nossas respostas não são as melhores.

Democracia significa governo do povo. Uma forma de regime em que cada cidadão participa ativamente das coisas do poder supremo.

Como vemos, em princípio, democracia não combina com Brasil. Logo, somos obrigados a concluir que essa figura não passa de simples peça decorativa.

Para início de conversa, nosso governo é sistematicamente autoritário. Ditador. Quando falamos em governo, nos referimos evidentemente ao presidente da nação. Precisamos ter em mente, sempre, que a atual situação pela qual passamos e vivemos, é também resultado da cumplicidade entre o criminoso e suas vítimas.

Vamos explicar: o criminoso nada mais é que o senhor Michel Jackson Temer. As vítimas, todos nós brasileiros, que aqui vivemos e mantemos nossas vidas e a de nossos familiares.

Ao mencionarmos cumplicidade, queremos sinalizar e, de fato, sinalizamos que devemos à nossa própria estupidez, falta de inteligência e juízo, estarmos em mãos erradas, presos ao cabresto de um homem que nos ordena e não só nos condiciona, nos impõe o que fazer ou não, e, em contrapartida, nos coloca sob seus pés, nos domina e nos prescreve ordens e doutrinas das quais não concordamos.

Isso, efetivamente, não é democracia.  Uma dúvida cruel nos assola e persegue o espírito. Se o governo é ditador, o país está divorciado da democracia, que estado, afinal, é o nosso?

Na verdade, senhoras e senhores, nos encontramos em estado de avassaladora putaria. E o que venha a ser esse estado de avassaladora putaria? Num primeiro momento, é a incerteza, o impreciso, o indeterminado tomando conta de tudo. É o não saber o que vem ou o que nos aguarda pela frente.

Estamos cercados pelo destino ingrato e com os limites das desgraças às portas de nossos narizes. Observem que todos nos espionam, como num Big Brother ao vivo. Nesse Reality Show, representamos papéis marcados pelo Supremo e Poderoso Senhor de Tudo.

Quando não estamos sendo observados em nossas casas, em nossos locais de trabalho, quem nos espia é a maldita e cancerosa receita federal, através dos nossos impostos, que monta guarda colocando leões furiosos às nossas costas, para abocanharem aquilo que conseguimos com o suor de nossos trabalhos.

As senhoras e os senhores alguma vez souberam, ouviram, ou tiveram conhecimento que um dos nossos queridos, “onestos” e amados deputados, senadores, governadores, ministros, enfim, as putas que os pariram, tivessem caído na malha fina ou refeito suas declarações? Nos apontem um só nome, por favor.

Em compensação, o governo quer saber por todas as formas, e meios, quem somos, o que temos, o que comemos, o que possuímos, o que cagamos, quantas trepadas demos, de onde viemos e para onde iremos.

Para isso, repetindo o óbvio, nos obriga, através da maldita receita federal, prestarmos esclarecimentos de todos os bens que possuímos, inclusive, se faz mister nos recadastremos junto ao IRPF, sejamos pessoas físicas ou jurídicas.

Se não obedecermos, a malha fina, as punições, vêm em cima e nos arrebentam. Teremos nossos CPFs ou CNPJs cancelados. Sem essa droga de CPF, não abrimos contas, não compramos a crédito, não existimos para a sociedade. Viramos fantasmas e vivemos aprisionados num grande castelo onde só os ladrões e os vagabundos têm as chaves que abrem as todas as portas.

Daí, senhoras e senhores, afirmarmos categoricamente vivermos em Estado de Avassaladora Putaria. Os putos são eles, os nossos parlamentares, os nossos representantes, os nossos vigaristas que sustentamos com o nosso trabalho, com a nossa dignidade.

E a putaria se fez forte e coesa. Indestrutível. Ninguém consegue acabar com ela, tampouco erradicar. Virou doença consumada, fatal, que médico nenhum tomará para si a responsabilidade de encontrar a cura ou extirpar de vez com seus malefícios.

Com isso, a democracia, de roldão, foi pro beleléu. Também se contagiou com as putadas e puteiros. A coisa virou um bacanal. Brasília, desde a sua fundação, se transformou num antro propício à veneração, ou a idolatração ao deus Baco. A galera do poder só tem na cabeça a ideia firme de foder os rabos de todos nós, brasileiros.

Nessa conversa toda, senhoras e senhores, o Brasil não é um país democrático. Nunca foi. Nunca será. O povo não governa com seus representantes. Ainda que assim fosse, a lei não é igual para todos. Lei, nesse caso, não existe, a não ser para colocar inocentes, pobres e pretos na cadeia.

Devemos lembrar caminho igual, não estamos muito longe de cairmos num imenso asilo de enfermos e loucos, como bem satirizou Machado de Assis em seu famoso romance “O Alienista”.

Outra galhofa: as eleições. Participar delas, através de votos, deveria ser opção pessoal. Exercício pleno de cidadania. Cadê a cidadania? Ela existe, mas está presa no galinheiro.  Nessa brincadeira, se o indivíduo não comparecer às urnas sofre uma série de punições, além do pagamento de multas.

Se os grandalhões que mamam nos colhões dos pobres e oprimidos, que comem e bebem às nossas expensas proclamam e respiram vinte e quatro horas por dia, a tal da democracia, porém, em paralelo, não a cumprem, na íntegra, esses crápulas deveriam entrar na porrada. Necessitariam apanhar na cara, ir parar nos corredores do SUS, para deixarem de fazer demagogia, às farras da nossa miséria. Democracia, amadas e amados, na real, é conversa pra boi dormir. A ISSO SE DÁ OUTRO NOME. DITADURA.

Mesma linhagem, temos o alistamento militar. Diz a lei que os jovens (ao completarem dezoito anos) SÃO OBRIGADOS a se apresentarem numa das forças armadas. Pois bem. Os que descumprirem essa imposição ficam mutilados, perdem a chance de viver.

São considerados desertores da pátria. Que pátria? Deveriam ser desertores da “putriaria”, corruptela de putaria. “Não vou servir porque não quero virar garoto de programa”. Ou, via outra, “quero servir pra servir de bucha de canhão, ficar um ano sem fazer porra nenhuma em nome de uma soberania que o país não tem”. Em nome de uma pátria de bosta, falida, trocada por um penico de mijo sai caro.

Batendo de frente com os mesmos quadros anteriores, insistimos em indagar: cadê a democracia? Com certeza, enfiaram na goela de algum ministro para, em troca, excluir da lista de Schindler (não, pelo amor de Deus, da lista de Janot, procurador procurado e procurando por outras procuras gerais da republiqueta de merda), rezando para o Tinhoso e torcendo para que, no meio dos 107 nomes sob SIGILO (Kikikiki...), com FORO PRIVILEGIADO (de novo, Kikikiki...) meia dúzia não perca as mordomias e tudo continue como dantes no quartel de Abrantes.

Desses 107, quem gostaria de fazer uma visitinha íntima (íntima não, noturna) à SALA COFRE? SALA COFRE??!! Pessoal, vamos rir. Kikikikikiki... Vejamos, abaixo, alguns santinhos que poderão ser condecorados com uma medalha de “ONRA AO MÉRITO” e, em seguida, beatificados e canonizados, pela Santa Madre Igreja do S.T.F. Antes, uma explicação necessária. Para quem não sabe S.T.F. nada mais é que as iniciais da Sede Teológica das Falcatruas. Confiram o rol:

Seis ministros do governo Temer – Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades), Marco Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços)

Cinco governadores – Renan Filho (Alagoas), Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro), Fernando Pimentel (Minas Gerais), Tião Viana (Acre), Beto Richa (Paraná)

Seis deputados: Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara; Marco Maia (PT-RS); Andres Sanchez (PT-SP); Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA); José Carlos Aleluia (DEM-BA); Paes Landim (PTB-PI)

Dez senadores: Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado; Edison Lobão (PMDB-MA); José Serra (PSDB-SP); Aécio Neves (PSDB-MG); Romero Jucá (PMDB-RR); Renan Calheiros (PMDB-AL); Lindbergh Farias (PT-RJ); Jorge Viana (PT-AC); Marta Suplicy (PMDB-SP); LÍdice da Mata (PSB-BA)

Dois ex-presidentes da República – Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Dilma Rousseff (PT)

Dois ex-ministros do governo Dilma – Antonio Palocci (PT); Guido Mantega (PT)

Um ex-ministro do governo Temer – Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)

Um ex-governador – Sérgio Cabral (PMDB-RJ)

Um ex-presidente da Câmara – Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Dois prefeitos – Duarte Nogueira (PSDB-SP), de Ribeirão Preto; Edinho Silva (PT-SP), de Araraquara

Um ex-candidato a governador – Paulo Skaf (PMDB-SP)

Um ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff – Anderson Dornelles

Onde havíamos parado? Ah, sim, cadê a democracia? O gato comeu. Cadê o gato? Foi visto, pela última vez, almoçando no palácio do Janucú. Desculpem, Jaburú.

Voltando ao ilustre Michel Jackson Temer, perceberam que o cidadão é bastante hábil, esperto, astuto em matéria de “tapar o sol com a peneira?”. “No Brasil -, disse ele – ontem à imprensa - está indo tudo às mil maravilhas”. Mas certamente indagarão os prezados leitores. Indo para aonde?

A resposta, meus caros, é simples. Para o buraco. Para o abismo, para a bancarrota.

Nesse saco de veados há quem proclame aos quatro cantos que o país está tomando medidas necessárias para enfrentar as crises. Crises, de asma, de febre amarela, e outras ainda sob sigilo. Bom seria se perguntássemos ao Janot. O real continua firme e forte? Onde? Certamente ele responderia, com aquela cara de abestalhado à Tiririca. “Nos bolsos dos políticos”. Com certeza!

A única moeda inabalável que conhecemos é o dólar. Real? Somos de parecer que nem na coroa do Mingau, perdão, Papa. Independentemente de estarmos a um palmo de uma hecatombe braba, tem gente que acredita piamente no senhor Michel Jackson Temer. Meia dúzia aposta que a sua chupa (desculpem, chapa, grudadinha com a da assaltante de bancos e guerrilheira Dilma) acabará em uma boa rodada de pizzas.

Se levarmos em conta as últimas pesquisas dessas empresas especialistas em maquiar números, em troca de uma boa grana nos bolsos, a diferença entre esse cidadão e o tal do Lula (outro câncer que surge a todo vapor), se as eleições fossem hoje, o homem dos dezenove dedos teria 60% dos votos contra 25% de Temer.

Depreende-se, daí, que estava absolutamente correto aquele pensador que ficou famoso na história com a frase “cada nação tem o governo que merece”. Nesse chove não molha, enquanto o motorista decide se come ou não a patroa novinha, ficamos aqui aguardando para mudar a fuça estragada do país (de pior para mau).

Nesse fluxo, Temer retorna. Reaparece em cena fazendo belos discursos, falando difícil, sobre o leilão dos quatro aeroportos brasileiros, a saber, o de Fortaleza, no Ceará, o de Salvador, na Bahia, o de Florianópolis em Santa Catarina e o de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.  Disputa que rendeu para a pilantragem e para a bandidagem uma arrecadação de 3,72 bilhões. 

E atentem, senhoras e senhores, 23% acima do valor esperado que circulava aí, em torno de 3,014 bilhões, sem falar no ÁGIO. Enquanto as empresas, a francesa Vinci, a alemã Fraport e a suíça Zurich prometem melhorar os serviços, como aumentar o valor das passagens, triplicar os assentos nos aviões comerciais e domésticos, seja para voos comerciais ou de longa distância.

Ficou acordado, igualmente, que o Zés Manés e as Marias Bundas de Trapo poderão viajar menos nesses Foker 100 a não ser que vendam as suas carências, para realizarem o velho sonho de descobrir se realmente, lá de cima, entre meio as nuvens, as pessoas aqui em baixo ficam parecidas com uma manada de formiguinhas.

Calma, pessoal. Apesar dos pesares, acenamos com a possibilidade de que algum dia, as coisas melhorem. Entretanto, temos a impressão de que enquanto esses bandos de urubus estiverem sobrevoando por sobre as cabeças de todos nós, brasileiros natos, dificilmente conseguiremos aportar em terreno estável, arrancando do fundo do poço esse rincão maravilhoso que nos acolhe indistintamente, sem a desproporção ou a distinção de cor, sexo, raça e religião.

Urubus segundo estudiosos no assunto, são surdos. Por essa razão, achamos difícil espantá-los de vez e em definitivo, para lugar seguro, de onde não possam nunca mais nos atormentar.


Talvez, quem sabe, oxalá, uma gama de homens de brio, coragem, determinação e pulso surjam do nada e, de repente, deem uma de maluco e espantem esses abutres ou sequestrem os oportunistas que não deixam o país se soerguer, se tornando pujante, denodado, robusto, vigoroso, como os demais mundão de Deus afora. Será que na barganha, poderíamos pedir o Brasil de volta como forma de resgate salvando, num segundo momento, a sua integralidade?

AVISO AOS NAVEGANTES:
PARA LER E PENSAR, SE O FACEBOOK, CÃO QUE FUMA OU OUTRO SITE QUE REPUBLICA MEUS TEXTOS, POR QUALQUER MOTIVO QUE SEJA VIEREM A SER RETIRADOS DO AR, OU OS MEUS ESCRITOS APAGADOS E CENSURADOS PELAS REDES SOCIAIS, O PRESENTE ARTIGO SERÁ PANFLETADO E DISTRIBUÍDO NAS SINALEIRAS, ALÉM DE INCLUÍ-LO EM MEU PRÓXIMO LIVRO “LINHAS MALDITAS” VOLUME 3.
Título e texto: Aparecido Raimundo de Souzajornalista. Do Sítio ”Shangri-La” – Um lugar perdido no meio do nada. 17-3-2017

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