segunda-feira, 19 de março de 2018

Chamas pela Justiça em chamas?

Haroldo Barboza

Berna, Suiça
Nossa Justiça enfrenta os seguintes problemas: balança empenada, venda nos olhos puída e espada sem ponta e enferrujada. Tal situação existe devido à falta de prática de seus reais preceitos, deturpados pelo peso da corrupção de alguns e pela inércia dos honestos que integram suas fileiras e que estão contaminados pela síndrome do sapo fervido, que anestesia e retarda suas ações no sentido de exigir uma mudança radical neste quadro. Por que agora, diante de um quadro cinza (devido ao acúmulo de lama ao longo de anos) que nos envolve, não se manifestam?  Será por falta de incentivo da principal TV? Certamente ela voltará a comandar alguma cruzada cívica no momento em que suas dívidas não forem adequadamente "equacionadas".

Caso estejam aguardando ações positivas oriundas de alguma profunda investigação, podem perder as esperanças, pois em síntese, cada CPI é formada por duas comissões:

1ª - constituída por um grupo (pequeno) de pessoas empenhadas em apurar fatos que comprovem o que boa parcela do povo já sabe, apesar do silêncio da forte mídia. Esta se torna fraca à medida que surgem nomes de grandes personalidades da sociedade e que precisam ser abafados para não arrastar outros corruptos para a lama que envolve nossa dignidade.

2ª - composta por um enorme leque de benefícios monetários, capazes de aplacar o entusiasmo dos mais fracos de caráter. Esta se torna forte em função das facilidades que os gestores de nossas finanças oferecem para abrirem os cofres públicos para atender aos mentores das medidas que sugam o sangue do povo desnutrido. Esquema de “mensalão” existe há vários anos. Só veio a público recentemente porque um dos envolvidos levou uma rasteira de seus pares e resolveu arrastar com ele alguns dos que o traíram na hora da partilha.

É fácil identificar as entidades que deveriam se tornar protetoras da Justiça e apenas se pronunciam quando começamos a ter a impressão que elas foram dissolvidas por inatividade. Recentemente, a CNBB que embarcou (empurrada) naquela onda de civismo para derrubar Collor e depois se calou por quase doze anos apesar de todas as armadilhas dolorosas montadas pelo governo contra seus "rebanhos", deu o ar da graça, opinando sobre o baixo salário mínimo “oferecido” aos irmãos famigerados a partir do momento do dissídio nacional. Estranhamos que ela não tenha iniciado esta luta com o mesmo ardor em favor dos aflitos ao longo das últimas décadas de sofrimento de seus adeptos. Que não tenha usado seu prestígio para exigir uma devassa apurada dentro do Congresso para varrer do seu interior as pragas que oferecem péssimos exemplos de conduta moral às crianças que a Igreja Católica tenta trazer para suas enfraquecidas fileiras (a pedofilia espantou muitos “pecadores”) pela sua postura contemplativa enquanto outras religiões se aglomeram às portas de seus templos distribuindo panfletos para angariar novos integrantes e altos montantes.  
Título e Texto (e Marcações): Haroldo P. Barboza – Matemático – Vila Isabel/RJ
Autor do livro: Brinque e cresça feliz!
19-3-2018

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