quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mensalão

Peter Rosenfeld
Está chegando ao fim mais um capítulo do mensalão, infelizmente não o último.
Tanto a Constituição como as nossas leis são verdadeiros queijos suíços, com tantos buracos permitindo sofismas, recursos os mais absurdos e outras chicanas, tornando impossível prever quando as penas que vierem a ser cominadas começarão a ser aplicadas!
Mas, seja lá o que for, o importante é que a última instância do Poder Judiciário tenha se pronunciado, parecendo improvável que ditos recursos mudem algo.
E os “bandidos” serão banidos (e poderão ser chamados de bandidos sem que isso seja uma ofensa!)
Lamento tão somente que o verdadeiro Ali Babá tenha ficado de fora, livre e solto para cometer, ou continuar cometendo, as piores barbaridades que possam ser imaginadas em termos de administração.
É triste constatar que depois dos dez anos em que a Presidência da República está nas mãos do PT, praticamente nenhuma das incontáveis carências do Brasil foi corrigida.
A saúde não melhorou em nada, exceto com relação às contas bancárias de muitos funcionários públicos, que cresceram significativamente; as estradas continuam sendo um túmulo de veículos (e de pessoas que morrem em acidentes); nenhum porto foi modernizado, o mesmo ocorrendo com os aeroportos.
A educação (ou, como prefiro, o ensino) continua precaríssima.
As forças armadas estão virtualmente sucateadas. A famosa compra de novos jatos para a FAB continua na estaca zero. A Marinha não adicionou uma única nova unidade a sua frota.
Da famosa transposição das águas do Rio São Francisco, tão alardeada, não se fala mais (e se faz menos ainda...)
Mas, e sempre há um “mas”, o Brasil agora tem representações diplomáticas em quase todos os países, mesmo naqueles que não têm qualquer significado para nós.
Ah, lembrei de algo!
Daqui a menos de dois anos o Brasil será a sede da Copa do Mundo, e já se sabe que, possivelmente, alguns estádios não ficarão prontos para receber qualquer jogo. E, os que ficarem prontos de verdade, terão custado muito, mas muito mais, do que o previsto!
E, escassos dois anos depois, o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos.
É de se esperar que surjam incontáveis problemas para a cidade, para todas as modalidades de esporte, sabendo-se que o Rio de Janeiro é uma das pouquíssimas, se não a única, cidade do mundo em que todos os esportes poderão ser disputados sem maiores deslocamentos.
Mas, como Deus é brasileiro, tudo acabará bem!
Esses eventos certamente farão com que o País se esqueça dos males que o mensalão causou ao País.
Mas, prestar-se-ão para que novos crimes do mesmo tipo sejam cometidos. Está aí o Sr. Cavendish, com sua construtora Delta, para criar novas formas de suborno e de avanço aos dinheiros públicos.
E certamente não faltarão parlamentares (aliás, essa ocupação não deveria se chamar “para lamentar”? A designação não corresponderia melhor à real situação?) para incentivar essas práticas. Deixo a pergunta no ar...
Voltando ao mensalão. É triste, realmente deprimente, termos que constatar que o Sr. da Silva cometeu um crime indescritível ao nomear o Sr. Toffoli para o STF (aliás, nisso o Senado tem uma brutal parte da culpa, pois aprovou a nomeação, sem se dar conta de que esse cidadão, que de leis nada conhece ou sabe, terá muitos anos pela frente, eis que está longe da idade de aposentadoria compulsória).
Repito: esse ato do Sr. da Silva foi criminoso, e a aprovação do Senado vergonhosa!
Como a Presidência da casa é rotativa, sem que se julgue o preparo formal do ministro, dentro de poucos anos o Sr. Toffoli será a 3ª autoridade do País, depois da Presidência da República e do Presidente do Congresso Nacional.
Que beleza, mas que vergonha!
Não tenho nada contra um Presidente do STF que seja competente, diligente e, na medida do possível, apartidário (como deve ser qualquer juiz...).
Mas tenho vergonha, sim, de qualquer autoridade que não tenha a menor competência para o exercício do cargo, e esse é, exatamente, o mais sério impedimento do Sr. Toffoli.
Sua nomeação provou, de forma absoluta, o grau de irresponsabilidade do ex-Presidente da Silva.
Título e Texto (e Grifos): Peter Wilm Rosenfeld, Porto Alegre (RS), 25 de outubro de 2012

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