terça-feira, 4 de novembro de 2025

A Metamorfose da Europa

Cristina Miranda

Quando nasceu a Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1957, o projeto europeu era simples e compreensível: garantir paz e prosperidade através da cooperação económica. Seis nações soberanas – França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo – uniam-se para criar um mercado comum, remover barreiras alfandegárias e facilitar o comércio. O objetivo era claro: cooperar sem deixar de ser nações livres.

Durante décadas, esse modelo funcionou. Cada país mantinha a sua moeda, a sua política fiscal, o seu controlo sobre fronteiras e leis. Bruxelas tinha um papel técnico, de coordenação, não de governo. A ideia de uma “Europa dos povos” coexistia com a “Europa das nações”.

Mas tudo mudou nos anos 90. Com o Tratado de Maastricht, em 1992, a CEE transformou-se oficialmente em União Europeia (UE). O que começou como um pacto económico evoluiu para uma superestrutura política e ideológica, com poderes que ultrapassam largamente o mandato original.

A transição foi subtil, mas profunda. Onde antes havia acordos comerciais, agora há legislação vinculativa. Onde antes os Estados decidiam soberanamente, agora as diretivas europeias impõem regras que prevalecem sobre as leis nacionais. Onde antes os governos representavam os cidadãos, hoje comissários não eleitos decidem em nome de 450 milhões de europeus.

O Banco Central Europeu dita políticas monetárias comuns, retirando aos países o controlo sobre o crédito e o défice. O Parlamento Europeu existe, mas não tem iniciativa legislativa plena – a Comissão é quem propõe, executa e fiscaliza, concentrando um poder raramente visto numa democracia.

[Aparecido rasga o verbo] Como será o estar do outro lado da vida?

Aparecido Raimundo de Souza

AGORA, DO ALTO DA CASA dos setenta e dois anos, fico me perguntando a toda hora ou melhor, imaginando com meus botões como será do outro lado da vida? Ninguém me dá as respostas que procuro. Ouço dizer apenas que do outro lado da vida há um enorme silêncio. Não aquele pesado e chato que nos invade quando visitamos uma biblioteca. Nas bibliotecas persiste um silêncio cheio de regras e rugas, de olhares cheios de reprovações. Do outro lado da vida, afirmam os mais vividos que eu, persiste um silêncio, mas é um silêncio raro, que acolhe, como o abraço de um avô que já não precisa dizer nada para a gente entender tudo. Imagino, envolto em minha imaginação tacanha, que lá do outro lado não haja relógios. O tempo, esse senhor apressado que vive nos empurrando para compromissos e prazos, fique retido num desvio. Do lado que desconheço, talvez ele se faça aposentado, pendurado com seu tique-taque num galho de alguma árvore centenária ou às vezes saia para ir pescar com o Pai Maior lá para os lados da eternidade.

As pessoas — se é que por lá se chamam assim — devem andar mais leves. Livres e soltas, sem o peso das culpas, sem o temor das contas, sem os aborrecimentos dos imensos boletos vencidos e das chateações dos amores perdidos ou mal resolvidos. Talvez flutuem, ou quem sabe apenas caminhem com passos delicados calçados com sapatos que não fazem barulho. E quando se cruzam, não perguntem “o que você faz aqui?”, mas “do que você está precisando?”. Lá do outro lado da vida, após baixado nos confins da sepultura, quem sabe haja xícaras de cafés com leite e pães quentinhos com manteiga; pasteis de queijo ou de carne que nunca esfriam; livros que se escrevem sozinhos e janelas escancaradas que dão para lembranças boas e acolhedoras. As ruins, penso, devam ficar guardadas num enorme baú com cadeado, só para serem revisitadas quando a saudade quiser ensinar alguma coisa que ainda nesta vida não tive o privilégio de aprender.

E os reencontros? Ah, esses devem ser a melhor parte. Vizinhos, gente amiga, parentes, seres os mais diversificados que partiram antes da hora... animais de estimação que deixaram saudade, abraços que se desfizeram pela metade. Tudo isso esperando pacientemente, como quem guarda um lugar na fila do cinema, acompanhado de um saco de pipocas e um copo de refrigerante geladinho só para assistir junto com a nossa presença, o filme da sempiternidade ainda não conhecido. Mas talvez, vai se saber, o outro lado da vida não seja um lugar. Por certo, imagino um estado. Um jeito alvissareiro de existir sem pressa, de se viver sem dor, de transitar sem medo. Uma espécie de sopro. Um suspiro mavioso. Um descanso sem hora de se preocupar com o minuto seguinte. E se for assim, então viver bem por aqui (enquanto estamos nesse andar à espera) é o melhor jeito de preparar a bagagem para o lado de lá. Algumas perguntas insistem: e os filhos que deixei abandonados? As minhas ex mulheres que agora na longevidade dos setenta e dois foram tratadas como cachorras?

Para o PT, o inimigo não é o crime organizado. É o governador carioca

Os policiais que tombaram no Rio e os cidadãos que vivem sob o jugo do crime organizado não preocupam o PT. A preocupação é reeleger Lula


Mário Sabino

Depois de assistir ontem à noite às imagens terríveis do combate entre policiais e traficantes do crime organizado, na mata que separa o Complexo do Alemão do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, fui dormir mais uma vez com a certeza de que o Brasil chegou a um beco sem saída.

A aumentar o meu desalento, e eu nem achava isso possível, tem-se a nota publicada hoje sobre o que se pensa no Palácio do Planalto. Lá, o combate não é entre a vida e a morte, entre a civilização e a barbárie. Nenhum áulico presidencial está preocupado se quatro policiais morreram, um deles teve a perna amputada e outros dois lutam pela vida no hospital.

Eles também não se interessam pelos 280 mil cidadãos que vivem sob o regime de terror imposto pelos traficantes naquelas favelas cariocas, retratos impressionantes do desastre social e urbanístico nacional. Nem com os demais 28 milhões de brasileiros que têm de se submeter ao jugo do crime organizado.

Não, o Palácio do Planalto só pensa em reeleger Lula. O PT só pensa em reeleger Lula. Lula só pensa em reeleger Lula. E todos eles torcem para que as mortes, de policiais e traficantes, tenham sido em vão.Ad l

A nota é do jornalista Lauro Jardim. Ele publica o seguinte:

“No Palácio do Planalto, ninguém contesta o óbvio: Cláudio Castro ganhou o primeiro round da guerra de segurança pública em termos de resposta da opinião pública. As pesquisas são unânimes nesta direção. Mas no governo federal a aposta é de médio prazo. Primeiro, há a confiança de que, com o tempo, o desgaste virá para o governo do Rio de Janeiro.

Diz um ministro:

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[Livros & Leituras] Aristóteles para todos

Aristóteles para todos – uma introdução simples a um pensamento complexo, Mortimer J. Adler, É Realizações Editora, São Paulo, 2019, 208 páginas. 

Apesar de Aristóteles ter sido um grego que viveu há séculos, ele conhecia as linhas gerais do mundo em que nós vivemos bem o suficiente para falar sobre ele como se estivesse vivo hoje. No que diz respeito à sua capacidade de nos ajudar a pensar filosoficamente, o autor acredita que Aristóteles não seria melhor professor se conhecesse tudo que os cientistas modernos conhecem.

Em seu projeto de entender a natureza, Aristóteles começou onde todos deveriam começar – naquilo que já sabia, graças à sua experiência comum, cotidiana. Por partir dela, seu pensamento valeu-se de ideias que todos nós possuímos, não porque nos foram ensinadas na escola, mas porque constituem o patrimônio comum do pensamento humano a respeito de tudo.

Às vezes dizemos que essas ideias compõem o nosso senso comum. São as ideias que formamos a partir da experiência de nossas vidas cotidianas – experiências que temos sem nenhum esforço investigativo, experiências que temos simplesmente porque estamos despertos e conscientes.

Além disso, essas ideias comuns são ideias que conseguimos expressar com as palavras comuns que usamos na linguagem de todos os dias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Black lives matter? Cristãos negros estão a ser massacrados por jihadistas na Nigéria. Ninguém se importa com isso


Paulo Hasse Paixão

Os cristãos da Nigéria estão a ser massacrados. Mais de 62.000 desde 2009, 7.087 mortos só em 2025. Os jihadistas fulanis, o Boko Haram e o ISWAP travam uma campanha implacável de assassinatos, violações, incêndios e aniquilação, mas a UE mantém-se em silêncio, dando prioridade aos acordos petrolíferos em detrimento das vidas humanas. Porque é que os progressistas se manifestam por Gaza, mas ignoram este banho de sangue? Porque as vítimas cristãs não se enquadram na sua narrativa. Algumas vidas negras aparentemente não importam.

A Nigéria, com os seus 229 milhões de habitantes, divide-se em 46% de cristãos e 54% de muçulmanos. O norte muçulmano aplica a Sharia em 12 estados, marginalizando, perseguindo e deslocando os cristãos, enquanto o sul cristão oferece refúgio. O Cinturão do Meio, onde os agricultores cristãos se encontram com os pastores muçulmanos fulanis, é o Ground Zero.

As disputas por recursos, agravadas pela desertificação, evoluíram para a jihad. Armada com AK-47 e machetes, a Milícia Étnica Fulani (FEM) ataca aldeias cristãs com a intenção de levantar um califado islâmico no país. Em 2025, só o estado de Benue registou 1.100 mortes, incluindo 280 no massacre de Yelewata. As milícias Fulani superam o Boko Haram em número de mortos, causando 42% das mortes de civis no centro da Nigéria desde 2021.

O infame Boko Haram, nascido em 2002 para rejeitar a educação e a cultura ocidentais, lançou a sua insurgência em 2009, visando um emirado islâmico. A sua célula, o Estado Islâmico da Nigéria (ISWAP), juntou-se formalmente ao ISIS em 2015. Bombardeiam mercados, raptam estudantes (como os 276 de Chibok em 2014) e executam cristãos durante o culto. Desde 2009, mataram dezenas de milhares de civis e incendiaram 1.400 escolas.

Os media morreram. O que resta é propaganda

Cristina Miranda 

Seria hipocrisia minha fingir surpresa com o estado atual dos media. A reação dos grandes órgãos de comunicação social – nacionais e internacionais – aos recentes assassinatos de Irina e Charlie Kirk é apenas a mais recente prova da morte do jornalismo enquanto função informativa. O que resta hoje são estruturas de ativismo político disfarçadas de informação, a operar em conluio ideológico e com objetivos que pouco ou nada têm a ver com a busca da verdade.

Desde 2016, quando comecei a dedicar-me ao ativismo cívico, venho denunciando o comportamento dos media: incoerências gritantes, mentiras reiteradas, manipulação factual e uma agressividade constante contra qualquer voz que não repita a narrativa oficial. O que antes se chamava jornalismo tornou-se uma engrenagem de propaganda – uma “operação Mockingbird” em versão século XXI -moldando a opinião pública e produzindo consenso em torno de causas políticas, culturais ou ideológicas, sob o disfarce da neutralidade.

O caso de Irina, brutalmente assassinada num metro europeu, é um exemplo cruel desta falência ética. Durante dias, as redacções fingiram não ver. Nenhum destaque, nenhum editorial, nenhum “debate urgente”. Só quando as redes sociais – esse novo e incómodo poder popular – tornaram o caso viral é que os media se viram obrigados a reagir. E, ainda assim, fizeram-no com cautela e eufemismo, procurando desculpas para o agressor e desviando o foco da tragédia humana.

Barra da Tijuca: governador Cláudio Castro é aplaudido em missa cinco dias após ação na Penha e no Alemão

Fiéis aplaudiram Cláudio Castro em missa de Finados na Barra da Tijuca, cinco dias após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Levantamento Genial/Quaest aponta 64% de aprovação à ação policial

Diário do Rio

O governador do Rio de JaneiroCláudio Castro (PL), foi aplaudido de pé neste domingo (2) durante a missa de Finados na Paróquia Santa Rosa de Lima, na Barra da TijucaZona Sudoeste da capital. A cerimônia ocorreu cinco dias após a operação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão. As informações são da CNN. 

Habitual na paróquia, Castro recebeu uma homenagem do celebrante, que também prestou condolências às famílias dos agentes. “Nós perdemos quatro policiais e outros estão hospitalizados. Também vamos rezar pela nossa corporação. Não é fácil ser policial militar ou civil em nenhuma parte do mundo, ainda mais no Rio de Janeiro, com tantos desafios”, afirmou o padre da Paróquia Santa Rosa de Lima. Em seguida, o sacerdote pediu orações “pelas pessoas boas e honestas que moram nas favelas”, reforçou o padre da Paróquia Santa Rosa de Lima.

Vasco perde para o São Paulo e não aproveita chance de encostar no G-6 do Brasileiro

Cruzmaltino acumulou oportunidades, mas não converteu e viu o Tricolor Paulista sair com a vitória em São Januário

O Dia

Em confronto direto na parte de cima da tabela, o Vasco perdeu para o São Paulo por 2 a 0, neste domingo (2), em São Januário, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida foi movimentada, mas o Cruzmaltino não aproveitou as oportunidades criadas e desperdiçou a chance de encostar no G-6 da competição. Lucas Moura e Luiz Gustavo balançaram a rede para selar o triunfo do Tricolor Paulista.

Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

Com o resultado, o time comandado por Fernando Diniz permaneceu nos 42 pontos e caiu para a nona posição. O próximo compromisso será contra o Botafogo, em mais um jogo-chave na disputa por uma vaga na Libertadores de 2026. O clássico acontecerá na quarta-feira (5), às 19h30 (de Brasília), no Nilton Santos, pela 32ª rodada.

O jogo

Vasco e São Paulo protagonizaram um primeiro tempo movimentado, intenso e disputado. Os dois times marcaram alto, pressionaram a saída de bola e criaram boas oportunidades. Os goleiros precisaram trabalhar logo cedo, com defesas simples.

A partir dos 20 minutos, o Cruzmaltino tentou controlar mais o confronto e viu o Tricolor Paulista apostar nos contra-ataques. Rayan teve boa chance após cruzamento de Piton, mas foi atrapalhado pela marcação e não conseguiu finalizar. Depois, Coutinho cobrou escanteio e Rayan, sozinho, cabeceou na trave. Na sobra, Robert Renan soltou uma bomba e Rafael espalmou.

A resposta dos visitantes veio com Gonzalo Tapia. Em ataque rápido, Bobadilla jogou na área, Lucas Moura deixou passar e o atacante chutou firme, para milagre de Léo Jardim. Quase nos acréscimos, Andrés Gómez assustou em batida de fora.

FC Porto 2-1 SC Braga: Um Dragão de raça vence com alma e sangue espanhol

Sportinforma

Borja Sainz saiu do banco para decidir um jogo intenso, resolvido com o coração e o cunho do futebol à Porto


O FC Porto mostrou mais uma vez porque é sinónimo de garra, crença e resiliência. Num jogo equilibrado e de nervos, os dragões bateram o Sp. Braga por 2-1 no Estádio do Dragão, mantendo a liderança isolada da I Liga e confirmando que, mesmo quando o talento vacila, a alma nunca falta.

A equipa de Francesco Farioli começou melhor, pressionando alto e empurrando o Braga para trás, mas só em cima do intervalo conseguiu quebrar a resistência minhota.

Antes disso, viu Victor Froholdt marcar um golo anulado por falta sobre Hornicek, mas não baixou os braços. Aos 44 minutos, Samu decidiu tentar o improvável — um remate forte do meio da rua — e contou com um ligeiro desvio em Rodrigo Mora para enganar o guarda-redes e fazer o 1-0.

O Braga reagiu na segunda parte com personalidade. O empate chegou cedo, aos 51 minutos, por Víctor Gómez, que apareceu solto após canto de Zalazar para empurrar para o fundo da baliza. A partir daí, o jogo partiu-se, com oportunidades para ambos os lados e um ritmo frenético.

Quando o empate parecia encaminhar-se para o final, o destino quis que fossem dois espanhóis vindos do banco a mudar tudo. Gabri Veiga desenhou o passe, Borja Sainz executou o golpe final. Aos 79 minutos, o extremo recebeu, passou por Víctor Gómez e disparou com convicção para o 2-1, levando o Dragão à loucura.

A FIGURA: Borja Sainz

Não é o mais virtuoso, nem o mais mediático, mas tem aquilo que o Dragão mais valoriza: alma. Borja Sainz entrou para correr, pressionar e incomodar, mas acabou a decidir o jogo com um gesto de craque. Recebeu o passe de Gabri Veiga, deixou Víctor Gómez pregado ao relvado e disparou com convicção para o fundo das redes. Um golo que resume o seu perfil — discreto, determinado e decisivo.

"Especialista em Segurança"



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domingo, 2 de novembro de 2025

Onde é? Qual o nome? 😉

Brasil: governadores contra a ditadura?


Walter Biancardine

O que vimos na quinta-feira, no Rio de Janeiro, poderia ter sido mais que uma reunião administrativa: quisera fosse o primeiro despertar de um poder popular que ameaça o império burocrático da ditadura esquerdista no Brasil. Governadores de Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo atenderam ao chamado do governador fluminense Cláudio Castro após a mega operação policial que ceifou dezenas de criminosos e expôs, de novo, o domínio das facções sobre o Estado.

Dali surgiu o assim chamado Consórcio da Paz – um pacto interestadual para troca de inteligência e ações conjuntas contra o crime organizado. Mas o nome é eufemismo: o que realmente me interessaria que se desenhasse seria o surgimento de uma frente federativa conservadora, uma reação contra a ditadura cultural, política e institucional da esquerda que usurpou a República.

Essa frente, se amadurecesse, representaria algo inédito desde a redemocratização: governadores desafiando abertamente o poder central. Seria a redescoberta do princípio federativo, o eco longínquo das antigas Províncias reagindo ao absolutismo da Corte.

O governo federal, centralizador por natureza e esquerdista por vocação, não tolerou sequer a operação policial. Já se moveu, e rápido: bastou Cláudio Castro levantar a voz para que o sistema inteiro se erguesse contra ele. No mesmo dia da reunião, o Ministério Público Eleitoral anunciou a reabertura do processo que pode cassar seu mandato, alegando “abuso de poder político e econômico”. A coincidência é grosseira demais para ser inocente.

Quando um governador age, o sistema pune. Quando um estado se ergue, a máquina ameaça. Eis a pedagogia do medo – instrumento preferido de ditaduras que fingem democracia enquanto exercem coerção. 

A possibilidade real de uma frente anti-sistêmica

A pergunta é: haverá coragem para seguir adiante?

Sete países e desvio do Exército: arsenal apreendido em megaoperação é avaliado em R$ 12 milhões

Ao todo, policiais apreenderam 120 armas, sendo 93 fuzis, em ação nos complexos da Penha e do Alemão

O Dia

O arsenal apreendido na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, Zona Norte, no último dia 28, tem origem em, ao menos, sete países diferentes. Ao todo, houve apreensão de 120 armas, sendo 93 fuzis. Alguns dos armamentos foram desviados do Exército. O prejuízo estimado ao Comando Vermelho (CV) é de R$ 12,8 milhões, segundo o Governo do Rio.

Foto: Érica Martin/O Dia

A Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (Cfae), órgão da Polícia Civil, identificou que parte das armas veio de países da Europa, como Bélgica e Alemanha; da Rússia, que possui território europeu e asiático; e da América do Sul, como Venezuela, Argentina e Peru, além do próprio Brasil.

Nas apreensões, há modelos usados em zonas de conflito, como os fuzis AK-47, AR-10, G3, FAL e AR-15. De acordo com a Civil, há armas desviadas das Forças Armadas e fuzis montados com peças contrabandeadas e adquiridas ilegalmente pela internet.

"Cada fuzil retirado de circulação representa uma vida salva. Vamos continuar enfrentando quem lucra com o medo e com a morte. O estado está presente, atuando com rigor e estratégia para enfraquecer o poder do narcotráfico e devolver o Rio de Janeiro aos cidadãos de bem", disse o governador Cláudio Castro (PL).

O prejuízo estimado pelo governo à facção até o momento é de R$ 12,8 milhões. Além dos fuzis, os policiais apreenderam explosivos, munições, drogas e equipamentos militares utilizados pelo Comando Vermelho.

Jogo grande e casa cheia no regresso ao Dragão

FC Porto e SC Braga medem forças a partir das 20h30


28 dias depois do clássico frente ao Benfica, o Estádio do Dragão reabre portas e volta a encher no regresso dos portistas a casa. A partir das 20h30 (Sport TV), o FC Porto recebe o SC Braga na décima jornada de um campeonato que comanda com 25 pontos, tantos como o Sporting, que disputou mais um jogo, e mais 12 do que o adversário desta noite.
 
Entre as duas primeiras datas FIFA da temporada, os comandados de Francesco Farioli venceram o CD Nacional (1-0) e empataram com o Benfica (0-0) em casa e bateram o Rio Ave (3-0) e o Arouca (4-0) fora, tendo marcado oito golos e mantido a baliza a zeros. No mesmo período, os minhotos perderam com o Gil Vicente (1-0) e com o CD Nacional (1-0) na condição de visitados e empataram com o Vitória SC (1-1) e com o Sporting (1-1) na de visitante.
 
Após a segunda paragem para os compromissos das seleções, o FC Porto eliminou o CD Celoricense (4-0) na Taça de Portugal e saiu vitorioso de Moreira de Cónegos (2-1), enquanto o SC Braga afastou o GD Bragança (1-0) da prova rainha, o Santa Clara da Taça da Liga (5-0) e goleou o Casa Pia (4-0) na Pedreira.
 
Nos 138 confrontos anteriores a contar para a Liga, os azuis e brancos venceram 94, empataram 24 e perderam 20, marcaram 279 golos e sofreram 115. Na Invicta, os bracarenses só venceram por quatro vezes: em 1948 (0-1), em 1959 (1-2), em 2005 (1-3) e em 2020 (1-2).Nos restantes 65 encontros no Porto, 57 penderam para os Dragões e oito resultaram em igualdades.

Celso de Mello comparou o Brasil sob Bolsonaro à ascensão de Hitler

Leandro Ruschel 

Celso de Mello é um dos principais responsáveis pela implementação do regime de perseguição política contra a direita brasileira, transformando a corte constitucional num instrumento de repressão ideológica. 

Foi dele a primeira manifestação relevante contra o governo Bolsonaro — e não uma decisão judicial, mas uma mensagem enviada a colegas do Supremo, revelada pelo Estadão em junho de 2020, na qual o ministro comparou o Brasil sob Bolsonaro à República de Weimar e à ascensão de Hitler. 

Nas palavras de Celso de Mello: 

“Guardadas as devidas proporções, o ‘ovo da serpente’, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919–1933), parece estar prestes a eclodir no Brasil! É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na República de Weimar, quando Hitler, após eleito pelo voto popular, não hesitou em romper e nulificar a progressista, democrática e inovadora Constituição de Weimar.” 

[As danações de Carina] Às vezes alguns momentos difíceis resolvem nos tirar do foco. Não permitam

Carina Bratt

Não deixe que nada lhe tire a visão do amanhã, por mais triste que o dia amanheça, ainda que o destino tenha se esquecido de endereçar um mero sorriso para alegrar você’.

(Do romance ‘Médico e Amante’ de Frank G. Slaughter, com tradução impecável de Nelson Rodrigues edição Distribuidora Record ano de 1952).

HOJE EUZINHA acordei com a ideia de que há um vazio que ecoa entre os meus desejos e a minha realidade. É tudo o que eu não tenho e precisava, tipo assim um abraço que não veio, uma palavra amiga que não foi dita, o tempo que se esvaiu e não voltou. Para variar, me flagro distanciada de sonhos, de muitos sonhos que não couberam no meu kit de maquiagem que trago sempre dentro da minha bolsa, tipo assim, o batom, o pó facial, o lápis de olho, e o perfume que jamais deixo distanciado de mim.

Parece que por algum motivo inexplicável todas essas coisas, quando acordei ficaram presos em algum lugar aqui dentro do apartamento, qual seja, em algum desvão que não espiei direito, ou um escondidinho entremeado a outras vontades que acredito também tenham se perdido no caminho onde fica a minha penteadeira com um espelho maior que eu. Engraçado, que o que nesta manhã eu não tenho, ou sei lá, me falta, me move e ao mesmo tempo me desafia. Não tenho certezas, mas enquanto tomo meu dejejum espio da varanda a vida bonita, ao tempo em que me afogam os pensamentos com um amontoado de indagações.

Não tenho tudo o que eu gostaria, nesta manhã de sábado. Lá embaixo, a Borges de Medeiros me parece vazia. Não está, mas me parece. A Lagoa Rodrigo de Freitas, se faz sem o sorriso grandioso do sol, sem a presença das pessoas que caminham toda as manhãs, de um lado para outro, da galera que voa desesperada com suas bicicletas. Até o Cristo, imaginem, minhas caras amigas, até o Cristo lá do alto do morro do Corcovado parece meio cansado.  Pois é. Não tenho nesta manhã, tudo o que gostaria, mas me socorre o bastante do cotidiano para continuar.

sábado, 1 de novembro de 2025

Abel Ferreira festeja de joelhos e em lágrimas reviravolta do Palmeiras

O treinador do “Verdão” prometeu uma “noite mágica” e cumpriu

SOL 

O Palmeiras conseguiu recuperar da pesada derrota no jogo da primeira mão das meias-finais contra a Liga de Quito e selou esta quinta-feira no Allianz Parque, com um 4-0, o apuramento para a sétima presença na final da Copa Libertadores em futebol. 

O treinador do “Verdão”, Abel Ferreira, prometeu uma “noite mágica” e cumpriu, festejando de joelhos e em lágrimas. 

Foto: AFP

A final da Libertadores será disputada entre clubes brasileiros: o Flamengo defronta o Palmeiras no estádio Monumental, em Lima, no dia 29 de novembro, na segunda vez que as duas equipas se enfrentam numa final da principal competição da América do Sul. 

Na primeira ocasião, em 2021, o “Verdão”, já orientado por Abel Ferreira, venceu por 2-1 e conquistou o troféu pelo segundo ano consecutivo.

Título e Texto: SOL, 31-10-2025, 19h31

Five Takeaways From Ukraine’s Encirclement

Andrew Korybko 

Putin is once again extending an olive branch to Zelensky and Trump in his latest goodwill gesture because he truly doesn’t want the conflict to drag on nor to expand Russia’s territorial claims as would likely then happen

Putin announced that more than ten thousand Ukrainian troops were encircled in Kupyansk and Krasnoarmeisk (Pokrovsk), with his Ministry of Defense soon adding Dimitrov (Mirnograd) near the latter to the list. The Russian leader also proposed halting the fighting so that foreign journalists, including Ukrainian ones, can travel to the front to report on this. Putin suggested a mass surrender just like early 2022’s Azovstal standoff, but Zelensky seems uninterested, at least for now. Here’s what it all means:

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1. Russia Continues To Gain Ground Despite Billions In Western Aid For Ukraine

The Economist recently published a piece lobbying for Europe to fund Ukraine over the next four years, which they claim will cost taxpayers at least $390 billion. Their article also reported that $100-110 billion was spent this year, “the highest sum yet”, for a total of $360 billion since 2022 (likely an underestimate). Quite clearly, Western aid hasn’t succeeded in pushing Russia back, only in decelerating its gains. Ukraine’s encirclement therefore shows that no amount of money will inflict a strategic defeat for Russia.

2. The Gravy Train Might End If Ukraine Acknowledges This Encirclement

Building upon the above, Zelensky and Commander-in-Chief Alexander Syrsky have denied these encirclements, most likely because they fear that the aforesaid gravy train might end or at least slow down if they order their forces to surrender. After all, the loss of thousands of troops in three encirclements over 3.5 years into the conflict is no small matter, which might make some Western officials reconsider funding Ukraine since the victory that they were promised is no longer in sight.

Entre a noite das sombras e o dia da luz

António Justo

A sociedade veste o medo de festa e chama-lhe cultura 

Mas há uma diferença profunda entre celebrar a morte e celebrar os mortos. A primeira afasta-nos do sentido; a segunda reconcilia-nos com o mistério. 

O Halloween (noite de 31 de outubro) alimenta o comércio das sombras; o Dia de Todos os Santos (1 de novembro) alimenta a memória da luz. O Advento do Estranho e a Memória do Sagrado. 

Num tempo em que se poderia celebrar a autenticidade dos costumes locais, assiste-se à estranha ascensão do Halloween. Esta festividade importada, com o seu fascínio pelo macabro e pelo efémero, vai gradualmente ofuscando o significado profundo de uma tradição enraizada: a comemoração do Dia de Todos os Santos. 

Esta, independentemente da base que a motiva, é um momento de recolhimento e de raiz. Materializa-se em reuniões familiares e nas visitas serenas aos cemitérios, gestos simples que têm por fim primordial recordar os que partiram e, assim, honrar a herança que nos define. É uma celebração que valoriza a memória afetiva e a continuidade cultural. 

No entanto, o significado cristão deste feriado vê-se agora ameaçado por uma cortina de névoa e fantasia. Enquanto a fé cristã celebra a vida eterna e a santidade, que é um olhar de esperança voltado para a transcendência, o Halloween oferece um culto ao medo e a uma certa fealdade vazia. Para aqueles que anseiam por esta estética do tenebroso e do desprovido de sentido, ele representa a celebração de um feriado profundamente deprimente, um espetáculo vazio que esquece a serenidade da eternidade em favor do susto passageiro. 

Bruxinho e macumbeiro do concelho de Sintra... 😁

31-10-2025: Oeste sem filtro – Governadores criam 'Consórcio da Paz' em apoio a Cláudio Castro + Moraes (sim, Moraes! Moraes!) vai ao Rio cobrar explicações do governador

[Versos de través] Nús + Selva de pedra

João Franco

Nús

Montes verdejantes, agora tornados calvos, 
Os homens tomaram as árvores como alvos.
Não há sombra, o calor racha as pedras,
Mas, ninguém chora estas perdas…
Os homens reclamam, do calor, do vento,
Num rumoroso e constante lamento,
Um vento que não pára, uivante,
Como num harpejo dissonante
Varrendo os montes desolados,
Transformados pelo Homem a seu contento.
Que ser é este que destrói a Criação?
Nunca satisfeito, com nada,
De tudo fazendo tábua rasa,
Escravo do dinheiro e do prazer,
Arauto de uma voraz desolação.