terça-feira, 15 de setembro de 2015

Refugiados, no ‘meu tempo’ eram outros

Pois é, a nomenklatura ou o mainstream decidiram (eles sempre decidem por nós, quer dizer, com o perdão da presunção, por mim não!) rotular a multidão de pessoas que está fugindo para a Europa (não é bem para a Europa, melhor dizer para alguns países da Europa) de… “refugiados”.

Eu cresci com uma noção bem diferente do que é ser refugiado.

Tinha uns onze anos quando para fugir de possíveis ataques terroristas em Luanda nos refugiamos na casa da Dona Felicidade, na Vila Clotilde. Ok, alguns se oporão à designação de ‘ataques terroristas’, chamarão de ataques de libertação (do país). Tá bem, mas a semântica não muda nada. Nós tínhamos medo de ser atacados, por terroristas ou por combatentes da liberdade, e por isso nos refugiamos em casa da Dona Felicidade.

Meses antes, vimos as fotos no jornal “A Província de Angola” fotos dos portugeses desembarcando no aeroporto de Luanda que fugiam da guerra de secessão da província do Katanga, no ex-Congo Zaire

‘É uma história longa e complexa, a dos retornados. Três fugiram de bicicleta. Outros arriscaram atravessar o oceano em simples traineiras. Milhares embarcaram em navios para uma viagem que eles sabiam não ser de retorno nem ter retorno. Existem ainda aqueles que ao volante de camiões ou de simples automóveis inventaram rotas de fuga pelo continente africano. Por fim, a maior parte, chegou às centenas de milhar numa ponte aérea que parecia interminável.



Chamaram-lhes retornados. Como se o seu drama fosse uma fatalidade histórica: quem retorna volta ao sítio onde pertence. Mas esse não era o caso deles. Não só muitos deles tinham nascido em África como, ao contrário dos emigrantes, que então partiam para a França e a Alemanha, eles não tinham vindo fazer casas na terra nem cantavam saudades da aldeia que tinham deixado no território a que hoje chamamos Portugal e a que eles chamavam Metrópole ou Portugal Europeu.’

Descolonização portuguesa, Luanda, Angola, 1975, foto: Alfredo Cunha

Tanto num ou noutro dos exemplos acima as imagens falaram por si: primeiro as mulheres, crianças e idosos, isto é, à frente da fuga, mulheres, crianças e velhos.

Não foi o que vi nas imagens desses refugiados que, até onde eu captei, a forte maioria estaria fugindo da guerra da Síria. Será? E as mulheres, as crianças e os idosos ficaram para trás, exatamente onde há guerra?
Estranho isso, né?

Imagem: Attila Kisbenedek/AFP

Mas eis que me deparo com uma reportagem na revista Sábado, nº 593, de 10 a 16 de setembro de 2015, “OS ALEMÃES QUE QUISERAM AJUDAR”, páginas 60 a 63. Com esta imagem:

Deixou a mulher e os filhos na Síria!?

Ora, está claro, o senhor Hazem é um imigrante, ilegal. Ele e milhares como ele. Estará a Europa pronta e capacitada para receber estes milhares de imigrantes? Afinal, alguns países europeus ainda atravessam uma fase difícil, como Portugal – com o desemprego ainda em torno dos 12%.

Agora, o que não dá para engolir é toda essa hipocrisia esquerdista que manipula fotos, esconde fatos e transforma essas multidões de imigrantes ilegais em pobrezinhos refugiados, cuja culpa recai única e exclusivamente nos países europeus, malditos capitalistas, burgueses insensíveis e outros epítetos que lhes são habituais.

Sim, repare, caríssimo leitor, esteja onde estiver, em Portugal, no Brasil, na França, na Espanha, são os "seus" esquerdeiros os mais assanhados contra a Europa, bem, contra alguns países. Sei que o caríssimo leitor sabe bem qual (quais) o recorrente objetivo dessa súcia: ferir a Europa capitalista, o bom é o socialismo-científico! O leitor sabe-o, mas tem muita gente, de boa-fé, que não sabe.
Inté!

Em tempo: em qualquer passagem pela net, eu já vi centenas, eu disse, centenas de fotos, desenhos, ilustrações, etc do menino morto; outras centenas de fotos, de todos os ângulos, da repórter rasteirando os "refugiados". 

Curiosamente, uma pequena série de fotos mostrando o estado em que os 'refugiados' deixaram os ônibus que os transportaram (inclusive com merda no assento), só me caíu uma única vez. Sei que foi no Facebook, já tentei reencontrá-la, mas nada!


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2 comentários:

  1. Sei muito bem o que é isso pois fiz dois da dezenas de vôos da Varig para a retirada dos refugiados de Luanda. Até hoje guardo recordações do que passei naqueles voos.
    Essa foi a empresa que os brasileiro jogaram no lixo
    Esse é o reconhecimento de um país a uma sua empresa internacional que com garbo fez todos aqueles voos arriscando equipamentos e vidas
    Esse foi o agradecimento a mim funcionário dessa empresa, por ter participado de um resgate internacional, me jogando no limbo sem salários.
    Mas isso é passado e a história se incumbirá de resgatar, com a condenação dos que produziram essa ignomínia. E está perto.
    Também convivi com esses retornados em hotéis onde pernoitávamos, por muito tempo, fazendo inclusive amigos
    Fazemos parte da história , mas o bom disso é que temos história
    José Manuel

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  2. Heitor Rudolfo Volkart18 de setembro de 2015 20:43

    Prezados, em meados de 1975, hospedado no Hotel Roma, Lisboa, convivi com estas cenas, o Lobby do hotel encontrava-se cheio de Refugiados, mal podia se passar, vejam, Portugal os acolheu em hotéis, até entendo que Luanda era uma Colônia Portuguesa, e a Hungria, não tem colônias na Síria, mas o que estão fazendo com estes Sírios, é desumano. É tudo muito complexo. Mas barbáries não...

    Heitor Rudolfo Volkart

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