sábado, 12 de março de 2016

Neste domingo, o país renuncia a Dilma e, simbolicamente, a expulsa do Palácio

Os petistas foram eleitos para governar o Brasil e para tomar decisões que pudessem oferecer ao povo um futuro melhor. Em vez disso, por má-fé, por má consciência, por imperícia, conduziram o país àquela que pode ser a maior crise econômica de sua história

Reinaldo Azevedo 




Dilma não renuncia? Então o país renuncia a Dilma. O país assistirá neste domingo à maior manifestação política da história. Muitos milhares, talvez vários milhões, de pessoas vão às ruas em paz, em ordem, munidas de bons sentimentos e de esperança para dizer um “Basta!”. Ninguém os aguenta mais.

Os petistas foram eleitos para governar o Brasil e para tomar decisões que pudessem oferecer ao povo um futuro melhor. Em vez disso, por má-fé, por má consciência, por imperícia, conduziram o país àquela que pode ser a maior crise econômica de sua história. Mas isso não basta para os valentes: eles se mostram orgulhosos de sua obra.

A cada nova delação, o esgoto vai correndo a céu aberto. A segunda maior empreiteira do país, a Andrade Gutierrez, confessou: fez doação à campanha de Dilma em 2014 com dinheiro do propinoduto. Ainda que a transferência de recursos tenha se dado por meios regulares, os recursos provinham da máquina clandestina de superfaturar preços para poder pagar os agentes políticos.

Não! Os diretores da Andrade Gutierrez não confessam nenhuma novidade. Ricardo Pessoa, da UTC, confirmou que recorreu ao mesmo método, numa combinação, disse ele, com Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma e hoje ministro da Comunicação Social.

Não basta o regime de permanente assalto ao estado. Há também o deboche. Investigado pelo Ministério Público Federal, denunciado pelo Ministério Público Estadual, Lula transita sem pejo por Brasília, assumindo, na prática, o papel de presidente da República. A titular do cargo deixa claro que ele assume quando quiser o ministério que lhe der na telha.

Dilma não consegue nomear um ministro da Justiça sem que a questão vire um caso de… Justiça. Assim, não bastam o assalto e o deboche, há também o ridículo, que parece não ter fim.

Enquanto isso, a economia brasileira vai afundado, os empregos vão desaparecendo, o futuro vai sendo adiado, a qualidade de vida dos brasileiros vai se deteriorando…

E tudo isso por quê? Porque o partido do poder e suas lideranças jamais abraçaram o regime democrático como o único possível numa sociedade civilizada. Ao contrário: ao longo de mais de 13 anos, tenta sabotá-lo de maneira sistemática, firme, determinada.

O Congresso brasileiro está com uma responsabilidade gigantesca nas mãos. Que os senhores parlamentares vejam bem o que está em curso e que não duvidem um só minuto: é disso para pior.

Depor Dilma, com os instrumentos que a democracia oferece, é só um primeiro passo, sem o qual não se começa a caminhar. Com sua inabilidade, com sua incapacidade de entender a política, com o passivo criminoso de seu partido, é fato que não se se segue adiante; só se vai para o fundo.

Até há duas semanas, Dilma tinha uma única agenda: não cair. Agora, ela tem duas: não cair e tentar salvar a pele de Lula. Com esse propósito, ela acorda todas as manhãs. O Brasil e os brasileiros deixaram de ser uma prioridade.

Assim, é forçoso que se reconheça: acabou! A aventura chegou ao fim. A maior manifestação da história vai lhe dizer isso.

O melhor que ela faria em benefício de todos, até em seu próprio, seria convocar a rede nacional de rádio e TV no domingo à noite e anunciar que está passando a faixa adiante.

Mas Dilma não quer renunciar. Então nós renunciamos a Dilma. 
Título, Imagens e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 12-3-2016


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