segunda-feira, 6 de março de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Ser mulher é...

Aparecido Raimundo de Souza

AMAR UMA MULHER É COMO AMAR O UNIVERSO EM TODA SUA COMPLEXIDADE”.
Tompson de Panasco

Ser mulher é se dar sem dar o corpo e sem ter que vender o que as peças íntimas escondem. Ser mulher é chupar picolé até o palito aparecer entre os dedos e calçar sapatos apertados sem reclamar se eles lhe fizerem calos nos calcanhares.

Ser mulher é falar da vida alheia sem fofocar e cair no ridículo. É beijar sem morder a língua, é tomar banho quente sem permanecer muito tempo embaixo do chuveiro para não aumentar a conta de luz no final do mês.

Ser mulher é comer o pão – não o que o diabo amassou - mas o que chegou à sua mesa por méritos próprios, sem ter vergonha de se olhar no espelho e nele ver refletida a figura safada de uma mundana que ganhava a vida expondo o corpo às visitações libidinosas.

Ser mulher é voar sem sair do chão, cair sem bater a cabeça na calçada, levantar a moral sem pisar seus semelhantes, acender uma luz onde só a escuridão impera com a sua presença medonha. Ser mulher é beber sem se embriagar. Andar na chuva sem molhar os cabelos. Ver além das aparências efêmeras o que está do outro lado da rua ou oculto dentro de um coração solitário.

Ser mulher é apresentar respostas imediatas e soluções instantâneas a problemas que pareçam insolúveis.  É encarar as pessoas de frente, gritar e responder à altura, sem baixar o nível de educação. Ser mulher é saber dosar o grau de arrogância – e se acaso tiver que extrapolar limites - não se sentir intimidada ou acuada e, em razão disso, se fechar num silêncio constrangedor.

Ser mulher é buscar sonhos não sonhados, pisar caminhos ainda não percorridos, se impor com a sua magia sem, no entanto, se achar uma princesa intocável dessas saídas dos contos de fadas.


Ser mulher é lutar sem descanso por dias melhores. É tratar de descobrir, a cada minuto, uma esperança nova, um desvio onde a estrada da vida insista em permanecer interrompida. Ser mulher é correr atrás do amanhã sem pisar no agora e sem perder de vista o hoje que passa lá fora.

Ser mulher é, sobretudo, não perder a alimentação que vem de dentro da alma. É estender as mãos e dar abrigo aos que clamam por carinho e não se desligar, jamais, da comunhão com o Supremo, nem pisar (ainda que de mansinho), no coração do homem amado.

Ser mulher é fortalecer a base familiar. Cuidar para que as chamas do amor permaneçam sempre acesas e velar dia e noite para que vento nenhum (por mais valente que seja), venha e apague o ardor dessa paixão.

Ser mulher é torcer pela Seleção, chutar para gol, agarrar todos os pênaltis e, no final dos noventa minutos, levantar, com orgulho, a taça da vitória. Ser mulher é viver constantemente em busca do eterno. Sondar os mistérios que emanam, como dádivas benignas da face do Senhor de todas as coisas e as glorificar.

Ser mulher é se transformar na mãe zelosa que acaricia com ternura infinda os seus filhotes, é ser a tábua da salvação que aparece em alto mar para salvar o náufrago diante da morte que o espreita. Ser mulher é ter o universo inteiro na ponta dos dedos, saber o momento exato de girar as chaves que abrirão as portas secretas que levarão às saídas necessárias, notadamente no instante em que tudo parecer perdido.

Ser mulher é ter a faculdade de contemplar o céu em sentido amplo, enxergar além dos horizontes distantes e buscar a paz sonhada. Ser mulher é igualmente, se entregar ao desconhecido, sem temer as consequências, galgar degraus cada vez mais sólidos sem se importar se a escada cairá por não reunir forças suficientes para aguentar seu peso.

Ser mulher é tomar refrigerante barato como se fosse uma bebida rara, comer um PF com arroz e ovo, no bar da esquina, como se o conteúdo do prato estivesse na lista das guloseimas mais sofisticadas de um restaurante grã-fino. Ser mulher é carregar nas costas a humildade dos fracos, na mente à sabedoria dos inteligentes e, no coração, a benignidade de saber perdoar.

Ser mulher é ter consigo a virtude da Mãe de Deus. É ser a santa de todos nós, indistintamente, sem se importar em ter um altar numa igreja de periferia. Ser mulher é ter a dádiva de gerar nove meses a sublimação do amor e depois desse período conceber divinamente a vida plena.

Em resumo, ser mulher, faz do sexo frágil, a melhor e a mais cobiçada obra criada pelo Altíssimo. Talvez, por isso - como tal - e do alto da sua santa piedade, seja ela, indubitavelmente, o sustentáculo desse mundo maravilhoso em que vivemos.

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Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Do Sítio ”Shangri-La” – Um lugar perdido no meio do nada. 4-3-2017

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Um comentário:

  1. Elisabeth Gl. da Conceição8 de março de 2017 22:20

    Aplausos!!!
    Belíssima crônica em homenagem à Mulher.

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