segunda-feira, 6 de março de 2017

[Aparecido rasga o verbo] A palestra que nunca foi feita

Aparecido Raimundo de Souza

Por muito tempo, a crônica que abaixo transcrevo foi atribuída ao escritor Kurt Vonnegut, autor de “Um homem sem pátria”. Nada a ver.  Ela pertence, na verdade, a Mary Schmich, que, em junho de 1997 a publicou numa coluna que mantinha no Chicago Tribune. Embora mais de uma década tenha se passado, a pequena obra prima de Mary continua atualizadíssima.

Para nós, serve tanto como gotas de otimismo para o estresse do dia a dia, como igualmente age em nosso espírito como uma lição de vida a ser seguida. Diria que é uma espécie de roteiro para o sucesso. Um estímulo revitalizante para qualquer alma que se ache à beira de um ataque de nervos. Vale, pois, meu caro leitor amigo, ler com atenção e refletir.

1
Senhoras e Senhores:
Usem protetor solar. Se eu pudesse dar somente uma sugestão para o futuro, seria a do protetor solar. Os benefícios, a longo prazo, do uso de protetor, foram comprovados pelos cientistas, enquanto o restante de meus conselhos não se baseia em nada mais confiável do que minha própria experiência. Aqui vão eles:

2
Aproveite a força e a beleza de sua juventude. Ah, esqueça. Você nunca vai compreender a força e a beleza de sua juventude até que elas desapareçam. Mas, acredite em mim, em vinte anos vai rever fotos e lembrar como tinha uma aparência realmente maravilhosa. Você não é tão gordo quando imagina;

3
Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de Álgebra por meio de mastigação de chicletes. Os verdadeiros problemas podem pegá-lo de surpresa às 4h da tarde numa terça-feira de folga;

4
Faça diariamente algo de que tenha medo;

5
Cante.

6
Não seja descuidado com os sentimentos de outras pessoas. Não se ligue a pessoas que são descuidadas com os seus;

7
Use fio dental.

8
Lembre-se dos elogios e esqueça os insultos;

9
Guarde velhas cartas de amor. Jogue fora velhos extratos bancários;

10
Espreguice-se.

11
Não se sinta culpado se não sabe o que fazer da vida. Algumas das pessoas de quarenta anos mais interessantes que conheço ainda não sabem o que querem fazer da sua;

12
Trate bem dos joelhos. Você vai sentir falta quando não puder mais contar com eles;

13
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta anos, talvez dance funk em seu septuagésimo quinto aniversário de casamento. Aconteça o que acontecer não se congratule ou recrimine demais. Suas escolhas têm 50% de chance, como as de todas as pessoas;

14
Dance.

15
Leia as instruções, mesmo que não as siga. Não leia revistas de beleza. Vão apenas fazê-lo sentir-se feio;

16
Conheça bem seus pais. Nunca se sabe quando eles vão partir;

17
Seja amável com seus irmãos. Eles são o melhor dos seus elos com seu passado e as pessoas que provavelmente ficarão ligadas em você;

18
Compreenda que os amigos vêm e vão, mas que, com alguns poucos mais valiosos, você deve ficar;

19
Quanto mais velho, mais vai precisar de pessoas que o conheceram na juventude;

20
Viaje.

21
Aceite essas verdades básicas: os preços vão subir. Os políticos vão prevaricar. Você também vai ficar velho. E vai fantasiar que, quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos;    

22
Respeite os mais idosos.

23
Não espere que alguém vá sustentá-lo. Talvez você tenha um bom patrimônio. Talvez tenha um cônjuge abastado. Mas nunca se sabe quando um deles vai desaparecer;

24
Não mude o cabelo o tempo todo ou, quando tiver quarenta anos, parecerá ter oitenta e cinco;

25
Tome cuidado com os conselhos que ataca, porém, seja paciente com aqueles que os dão. Aconselhar é uma forma de nostalgia. Dar conselhos é como pescar o passado do lixo espaná-lo e o reciclar;

26
Mas confie no que eu disse sobre protetores solares. 


AVISO AOS NAVEGANTES:
PARA LER E PENSAR, SE O FACEBOOK, CÃO QUE FUMA OU OUTRO SITE QUE REPUBLICA MEUS TEXTOS, POR QUALQUER MOTIVO QUE SEJA VIEREM A SER RETIRADOS DO AR, OU OS MEUS ESCRITOS APAGADOS E CENSURADOS PELAS REDES SOCIAIS, O PRESENTE ARTIGO SERÁ PANFLETADO E DISTRIBUÍDO NAS SINALEIRAS, ALÉM DE INCLUÍ-LO EM MEU PRÓXIMO LIVRO “LINHAS MALDITAS” VOLUME 3.
Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Do Sítio ”Shangri-La” – Um lugar perdido no meio do nada. 4-3-2017

Colunas anteriores:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-