sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Obrigada, Pedro!

Cristina Miranda

O sonho molhado de Costa, da velharada do PSD, da Catarina e Jerónimo aconteceu. Finalmente! Com o anúncio de Passos que deixava a liderança do partido, desaparecia a maior ameaça à festa socialista do “gastanço” com o dinheiro dos outros sem responsabilidade. Mas que grande taluda! Há tipos de facto que nascem com o rabo virado para a lua: o Costa nem precisou de vencer legislativas (lembram-se? foi derrotado com quase maioria absoluta pelo Passos em 2015) para se sentar na cadeira de Primeiro-ministro. Os outros dois nem precisaram de mais de 8% e 10% para mandar e legislar nesta terra de incautos. E agora, o maior PREDADOR de parasitas oportunistas demite-se! Querem mais sorte que isto?

Assisti atónita à decisão de Passos. Jamais esperaria que com resultados destas autárquicas ele se demitiria. No máximo esperaria pelas legislativas, pensava eu. Mas não. Apesar destas eleições terem derrotado TODOS os partidos, uns mais outros menos (sim, foram TODOS penalizados!), Passos assumia sozinho a responsabilidade de uma derrota (mesmo que poucochinho) que não passou de erro de casting nos candidatos de Lisboa e Porto. Não foi escrutínio aos líderes, mas mesmo assim, decidiu avançar.

Na verdade, as autárquicas revelaram algo inédito: o PCP ao perder quase todas as câmaras e BE não ter ganho uma sequer, o PS ao perder a maioria em Lisboa com resultados PIORES que no tempo de José Seguro, demonstrou claramente que o povo não apreciou de todo esta combinação de comunistas com PS. Nem o eleitorado comunista nem o eleitorado socialista. E isto, mesmo que o tentem disfarçar com fake news com ajuda da comunicação social comprada a falar numa grande vitória (ah! ah! ah!), o certo é que doeu para caraças descobrirem que todas aquelas políticas populistas para ganhar votos, e os sapos gordos engolidos durante quase dois anos, não lhes devolveu senão um resultado pindérico. PSD com 1 milhão e 800 mil votos e PS com 1 milhão e 980 mil, praticamente mantiveram os resultados de 2013. Logo, só o desaparecimento de Passos lhes devolveria alguma esperança para as legislativas, essas sim, implacáveis na avaliação dos líderes.

Ora, estando o “Parque jurássico do PSD” todo empenhado na derrota do seu próprio líder desde o primeiro dia da sua eleição, não foi difícil ao Costa, que já andava a namorar a velharada (recorde aqui) para fazer o próximo Bloco Central nas legislativas (sim! ele quer livrar-se do BE e PCP porque sabe que o prejudica em votos), conseguir apoio para sacudir o adversário temido (porque é o único que não lhe dá hipóteses às clientelas), com promessas no escurinho de tachos e tachinhos, coisa que ele tão bem sabe negociar.  Porque Costa é um camaleão. É da cor que for preciso desde que garanta o poder, seu único interesse neste jogo político.

Entendo a posição de Passos e aceito-a apenas por saber que por detrás desta saída está uma razão muito mais forte e válida para querer fazer um interregno nesta palhaçada que os “esqueletos mumificados do seu partido” há anos protagonizam. Entendo (e de que maneira) que às vezes é preferível lançar aos leões aqueles que se julgam os DDT partidários em vez de resistir. Tácticas políticas que eu, por não as saber jogar, também não julgo. Porque se fosse comigo, jamais Costa teria sequer hipótese de me derrubar até às legislativas. Jamais lhe poria esse sorrisinho parvo nos lábios nem que fosse por um segundo. Aliás, saberia reinventar-me nos discursos e na atitude em vez de desistir e dar lugar a alguém capaz de negociar seja o que for com Costa. Porque nunca se viu um morto político tão vivo diariamente no discurso da esquerda à direita. Nunca se viu tanto desespero por ele não vergar. Nunca se sentiu tanto medo a um líder. Só isto era o suficiente para nunca, mas nunca deixar o lugar até ao próximo escrutínio popular.

Perdemos um estadista. O único que enfrentou e derrubou o DDT Ricardo Salgado. O único que corajosamente agarrou o país completamente falido pelo Sócrates e o fez renascer das cinzas. Um estadista que não tendo AINDA governado de acordo com suas políticas mas apenas cumprido o Memorando de Entendimento que PS assinou comprometendo-se com elevados cortes, aumentos de impostos, reestruturação do sector público onde se incluía a venda de grandes empresas públicas (sim! estava no memorando, não foi ideia de Passos, veja aqui), fazia adivinhar uma reestruturação profunda do país. O maior temor das esquerdas (e dos socialistas disfarçados de PSD).

Por isso, embora desiludida por não ter colocado a vontade das pessoas (em que algumas sem nunca votarem no PSD, o fizeram só por ele, por acreditarem na sua capacidade de liderança), à frente dos interesses do partido, digo “Obrigada, Pedro” por tudo o que fizeste por esta Nação.
Mesmo que não voltes, este país, de gente como eu, ser-te-á eternamente grato!
Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 6-10-2017

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