quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Walter de Carvalho Parente (Aerus): não tem mais mãos a medir

Generoso leitor, leia abaixo três matérias que mencionam Walter de Carvalho Parente, atual Liquidante do Instituto AERUS. O homem intervém em QUATRO Fundos.



A matéria abaixo é de autoria de Sérgio Pardellas, na revista IstoÉ, nº 2398, de 18 de novembro de 2105

Os esquemas do ministro motoqueiro
Como o ex-titular da Previdência aparelhou os fundos de pensão para montar, segundo a CPI, uma máquina de arrecadar dinheiro para o PT

VELOZ: O atual secretário especial da Previdência, ex-ministro Carlos Gabas, controla a Previc, a partir da qual exerce ascendência sobre os demais fundos de pensão do País. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ao se debruçar sobre as indicações do PT para cargos estratégicos nos fundos de pensão, a CPI responsável por investigar o tema no Congresso puxou o fio de um intrincado novelo e alcançou um personagem mais conhecido em Brasília por oferecer a garupa de sua moto Harley Davidson vermelha para a presidente Dilma Rousseff, nas horas vagas, do que pelo zelo no manejo do dinheiro público. Trata-se do ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, atual secretário especial da pasta. Um organograma sigiloso, ao qual ISTOÉ teve acesso, em poder da CPI desde a semana passada, mostra como Gabas aparelhou a Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) com pessoas de sua estrita confiança de modo a exercer ascendência sobre os principais fundos de pensão do País e a gerir negócios ao sabor dos interesses do PT. De tão extensa, a teia tecida pelo ex-ministro acabou entrelaçada aos esquemas investigados pela Lava Jato.

Controlar a Previc é como ter em mãos a chave de um cofre recheado. O órgão é responsável por regular e fiscalizar todos os fundos de pensão existentes no Brasil. Significa que quem comandá-lo pode realizar intervenções e autuações nas fundações conforme sua conveniência. Para se ter uma ideia do peso dessa arca de dinheiro, o total de ativos dos fundos de pensão somou R$ 733 bilhões no primeiro semestre deste ano. Por isso, manter a Previ sob sua batuta representou o pulo do gato para o motoqueiro Gabas e para o PT.

A partir da nomeação, em junho de 2014, de Carlos De Paula como diretor Superintendente da Previc, o então ministro da Previdência conferiu capilaridade ao esquema – mantido até os dias atuais, segundo apurações preliminares da CPI. Seguindo orientações do chefe e companheiro de passeios de moto pelas largas avenidas da capital federal, De Paula avançou em novembro do ano passado sobre a Petros, fundo de pensão da Petrobras, ao indicar como interventor Walter de Carvalho Parente. Para consumar a intervenção, no momento em que a Petros amargava uma de suas mais graves crises internas, como consequência das denúncias do doleiro Alberto Youssef, o superintendente da Previc obteve o aval da Anapar (Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão), cujo vice-presidente José Henrique Sosseron é aliado de Gabas desde os tempos do sindicato dos bancários. Com o fim do processo de intervenção, uma nova direção foi empossada na Petros. Ascendeu à estratégica diretoria de Finanças e Investimentos da Petros, Lício da Costa, uma indicação da presidente do INSS, a petista Elisete Berchiol, chancelada por Gabas. A partir daí o esquema se interliga a Lava Jato. Lício da Costa era diretor da empresa VIS Investimentos e tinha como sócios Alexandre Romano, ex-vereador do PT de Americana, conhecido como Chambinho, hoje preso em Curitiba, Eduardo Evangelista, parceiro do petista no escritório de advocacia Oliveira Romano Associados, e Thais Brescia, alçada a gerente de crédito privado da Petros.


Como já é público, o lobista Milton Pascowitch, um dos delatores da Lava Jato, denunciou ao MP uma operação destinada a desviar mais de R$ 50 milhões em contratos com o Ministério do Planejamento, envolvendo Alexandre Romano e a empresa Consist Software, especializada na implantação de um sistema de desconto em folha de empréstimos consignado para servidores federais. Romano, em depoimento, admitiu que dividia propinas com o ex-ministro Paulo Bernardo e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, entre 2010 e 2012. Depois de 2012, ainda segundo Romano, Gabas também passou a se beneficiar dos desvios. O que Romano ainda não reconheceu é que o sistema de arrecadação para o PT, por meio dos empréstimos consignados operados pela Consist, era insuficiente para atender todos os interesses do partido. Por isso, foi necessário captar recursos através de um esquema paralelo capitaneado pelos integrantes da VIS Investimentos: o próprio Romano e Eduardo Evangelista, seu sócio no escritório de advocacia Oliveira Romano Associados. Essa informação, até agora sonegada por Chambinho, consta da delação de Milton Pascowitch.

Como funcionaria o esquema, segundo integrantes da CPI dos Fundos de Pensão? Num cenário de superávit, a Petros teria condições de negociar em cada empréstimo ou investimento realizado um deságio vantajoso para a entidade. Não era o caso, pois as operações do fundo de pensão dos servidores da Petrobras davam prejuízo. Por isso, a orientação interna, após a intervenção comandada por Gabas e De Paula, era que fossem feitas verificações de carteiras de títulos do fundo com recebimentos duvidosos, promovendo a troca de seus gestores. Em geral, os diretores da Petros indicados por Gabas, ao avaliar os créditos, concluíam que só podiam recuperar 50% deles, quando em muitos casos, segundo a CPI, a porcentagem passível de recuperação era maior. “Mas isso não interessava ao esquema, pois dessa forma eles tinham poderes de negociar uma taxa de sucesso maior. Quando o gestor informa que ele recuperou 80% em vez dos 50%, ele ganha uma taxa de sucesso entre 10% e 20% do total arrecadado”, afirmou um dos denunciantes à CPI. Quem realizava toda essa operação era o escritório de advocacia Oliveira Romano Associados da dupla Alexandre Romano e Evangelista, especializado em recuperação de créditos e contratado como terceirizado. Só na Petros, a carteira de crédito, gerenciada hoje por Brescia, ex-sócia da VIS Investimentos, portanto ex-sócia de Chambinho, soma cerca de R$ 3 bilhões. O círculo se fecha. Para integrantes da CPI, o modo de operar se repetiria atualmente na Serpros, fundo de pensão da Serpro – estatal responsável pelo processamento de dados do governo, dona de um patrimônio de R$ 4,7 bilhões e alvo de intervenção da mesma Previc em maio deste ano. Desconfia-se na CPI que a intenção do PT, ao controlar o Serpro, é o de implantar um modelo de terceirização com a Consist, que passaria a ser responsável pelo sistema de desconto em folha de empréstimo consignado de todo o funcionalismo público.
Título e Texto: Sérgio Pardellas, IstoÉ, 18 de novembro de 2015


E esta, do site “O Antagonista” de 25 de abril de 2017:

Greenfield e Lava Jato unidas
O Antagonista soube que Walter de Carvalho Parente, interventor do Serpros – o fundo de pensão dos funcionários do Serpro – foi chamado para uma conversa com representantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Os investigadores querem esquadrinhar as operações do fundo no auge do petrolão. Vale lembrar que Parente também foi interventor da Petros, o fundo de pensão da Petrobras.

A Greenfield e a Lava Jato estão mais próximas do que nunca.

E ontem, 4 de outubro de 2017, na revista IstoÉ:

Previc: Postalis descumpriu normas de contabilização de reserva e aplicação

Estadão Conteúdo

O Postalis é a quinta entidade de previdência complementar que foi alvo de intervenção da Previc, o xerife do setor. Além da caixa previdenciária dos funcionários dos Correios, também tiveram intervenção pelo órgão regulador Capaf (de 2011 a 2016), Geapprevidencia (de 2013 a 2017), Portus (de 2011 a 2016) e Serpros (2016 a 2017). Em nota, a Previc afirmou que a intervenção no Postalis se deve ao descumprimento de normas relacionadas à contabilização de reservas técnicas e aplicação de recursos.

Na intervenção, a Previc afasta membros da diretoria executiva, do conselho deliberativo e do conselho fiscal. Também declara a indisponibilidade dos bens desses membros e dos que ocuparam esses postos no último ano.

O órgão também cria uma comissão de inquérito para investigar as irregularidades em um prazo de quatro meses, que podem ser prorrogados. A intervenção ocorre quando o governo identifica irregularidades nas contas ou na gestão da entidade. Ela só se encerra depois de um plano de recuperação para resolver os problemas.

Caso seja constatado que o fundo não tem mais caminho para a recuperação, é decretada a liquidação extrajudicial. Foram os casos da Aeros (Vasp) e Aerus (Varig), cujas liquidações foram decretadas em 2005 e 2014, respectivamente.

Comprovadas as irregularidades, os responsáveis sofrem punições, que vão de advertências a inabilitação para exercer cargos em empresas. A Previc afirmou que a intervenção não afeta os pagamentos dos benefícios do fundo, que devem continuar normalmente. Como interventor, a Previc nomeou Walter de Carvalho Parente.
IstoÉ, 4-10-2017

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7 comentários:

  1. Acho que o "IMBRÓGLIO" do Aerus é por demais complexo, e que demandaria uma dedicação integral dos profissionais nomeados para equaciona-lo.
    Não vejo possibilidade de acumular liquidações de fundos simultaneamente por uma mesma pessoa.
    Tarefa que a meu ver requer dedicação integral “full time”.
    Ou o Sr Walter é um homem de extrema capacidade - o que quero crer-, vide a frequência com que é escalado pelo governo para fazer a “faxina” nos fundos de pensão, ou esta faltando profissionais no mercado.
    Agora me entristece ver que as digitais do PT, encontram-se também nos fundos de pensão.
    Dinheiro de trabalhadores esteve (ou esta, estará?) disponível para a vil farra dos políticos e seus militantes, enquanto os trabalhadores e assistidos se digladiam, e morrem, na esperança que sobre algum.
    Opinião pessoal; Acho que a Previc, deve uma explicação ao Brasil!
    Paizote

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    1. A PREVIC pode 'dever', mas não quererá pagar.

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  2. Previc, quanto será que era desviado por cada contrato (empréstimo sem lastro)autorizado por baixo dos panos entre a Varig e o Aerus ???

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  3. LIQUIDANTE DO AERUS AGORA VAI CUIDAR DO POSTALIS

    O LEGADO SINDICAL DOS CORREIOS - ANTES UMA GRANDE E EFICIENTE EMPRESA - DEPOIS QUE FOI "APARELHADA" PELO PT NEM SENDO A DONA ABSOLUTA DO MERCADO CONSEGUE SE EQUILIBRAR E OS " CORREIOS " ESTÁ PASSANDO POR DIFICULDADES OPERACIONAIS E FINANCEIRAS.

    OS SINDICALISTAS E DIRIGENTES COLOCADOS NO INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS CORREIOS, "POSTALIS" PELA PRESIDENTA DILMA DESVIARAM BILHÕES PARA A COMPRA DE AÇÕES "FRIAS" DA ARGENTINA, VENEZUELA E COISAS DESSE TIPO NA BOLSA DE NOVA YORK.

    ATÉ A SOGRA DE UM DOS DIRIGENTES DO POSTALIS, INDICADO PELA PRESIDENTA DILMA, ABRIU CONTA MILIONÁRIA EM UM BANCO DE NOVA YORK COM O DINHEIRO ROUBADO!

    UM CARTEIRO, TRABALHADOR COMUM, GANHAVA POUCO MAIS DE R$ 2 MIL MAS, OS MILITANTES DO SINDICATO, GANHAVAM ATÉ R$ 16 MIL MENSAIS !

    A PREVIC ACABOU DE NOMEAR O INTERVENTOR WALTER DE CARVALHO PARENTE PARA TENTAR ADMINISTRAR O "ROMBO" DE MAIS DE R$ 7 BILHÕES !

    PENSIONISTAS E APOSENTADOS FORAM OBRIGADOS A CONTRIBUIR COM PARCELAS EXTRAS DE 17,92% PARA COBRIR O ROUBO.

    NOVAS PARCELAS DE 2,73% ESTÃO PROGRAMADAS PARA ESTE MÊS POIS O RESULTADO DAS CONTRIBUIÇÕES ACIMA MENCIONADAS NÃO FOI SUFICIENTE PARA REDUZIR O TAMANHO DO ROMBO (ROUBO) !

    A DIRETORIA DO POSTALIS ENTROU COM RECURSO CONTRA A PREVIC ALEGANDO QUE A INTERVENÇÃO "FOI ABUSIVAE DEVERIA TER SIDO ANULADA"! A PREVIC JÁ APLICOU 59 AUTOS DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DO POSTALIS!

    ESSA ATUAL DIRETORIA DEVERIA SE DEMITIDA POIS FINGE NÃO SABER QUE O TRABALHADOR ESTÁ PAGANDO 17,92% DO PECÚLIO PARA COBRIR O ROUBO EXECUTADO PELOS SEUS PARES DO GOVERNO DILMA!

    NA PETROS, DA PETROBRAS, O ROMBO PODERÁ CHEGAR A R$ 27,7 BILHÕES !

    E HÁ OUTROS FUNDOS DE PENSÃO COMO PRECE (CEDAE), PETROS (PETROBRAS), PREVI (BANCO DO BRASIL) E FUNCEF (CAIXA ECONÔMICA) QUE FORAM SAQUEADOS E ESTÃO EM SITUAÇÃO FALIMENTAR !

    E PARA TERMINAR ESTE COMENTÁRIO, ENQUANTO OS ATLETAS DO BRASIL TREINAVAM DIAS E NOITES PARA GANHAR UMA MEDALHA OLÍMPICA, O DIRIGENTE DO COB CARLOS ARTHUR NUZMAN GUARDAVA BARRAS DE OURO NA SUIÇA! AGORA SAI DAS SUITES DE LUXO E VAI PERNOITAR LÁ NO XADREZ EM BENFICA !

    COMO DIZIA NELSON RODRIGUES, A VIDA É ASSIM!

    Alberto José
    albertoc34@gmail.com

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  4. Como recabi alguns esclarecimentos do Sr Walter Parente, se faz necessario que aqui seja postado, e tenho autorização para tanto , mesmo que seja por questão ética. Já que o mesmo não pretende exigir direito de resposta.
    farei à seguir.
    Paizote

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  5. Como tenho por norma brigar pelos meus direitos, inclusive atrevendo-me, a contestar quando não satisfeito.
    E com a necessidade de buscar informações e esclarecimentos onde estes estejam, disse em um post anterior neste blog, que enviaria email ao interventor.
    Ao fazer, inclui no email, sugestão para que fosse publicada uma nota no Aerus sobre a última sessão da CPI e outros assuntos.
    Acabo de receber telefonema, em que o mesmo in forma e autoriza a divulgação, de algumas informações repassadas.
    Então autorizado que fui...•.
    Uma coisa que considerei muito importante é que a APRUS, também o contactou sobre o mesmo assunto e outros do interesse geral.
    A Aprus pediu informações, na defesa de todos, como não poderia deixar de ser.
    E teria sido atendida neste pedido.
    Sendo cumprimentado pela associação, em nome de seus associados.
    Sei que esta tarefa (buscar informações) não me pertence. E se a faço é por individualidade e exclusivamente na defesa dos meus, e de familiares, interesses, nenhuma comissão, associação ou sindicato me representa.
    Não consigo aceitar ser tutelado de ninguém, vou em busca do que julgo ser meu direito.
    Sou um Dom Quixote, em causa própria!
    Informou ainda o liquidante, o que deve tranquilizar, é que não é admissível que ele na possibilidade de receber algum valor da DT, priorize acerto de contas com o governo.
    Sobre acordo, falou-me - que havendo cogitação pelas partes, antes de aceitar consultara os participantes e entidades, buscando o melhor possível.
    Porém ainda é intempestivo este assunto.
    Não tem qualquer litígio com administradores da massa falida, e que no momento adequado, precisarão precisará chegar a entendimentos legais sobre tudo o que foi apresentado.
    Disse-me que administra atualmente somente dois planos, Aerus e Postalis, dos outros já pediu desligamento e esta aguardando providências da Previc.
    E que não precisa estar dentro do Aerus, "fullTime”, já que o órgão que fiscaliza é a Previc, e que em Brasília é que estão os que decidem Sendo o liquidante é um funcionário de confiança, razão pela qual é.
    Não pertence aos quadros do PT, e sua conexão junto a lava-jato foi como, convidado colaborador, para esclarecimentos que se faziam necessários.

    As reportagens em revistas de circulação nacional foram, no devido tempo, contestadas.
    E finalizando, ainda temos caminho a percorrer até recebermos algum valor referente a DT, e felizmente temos a tutela, o que por enquanto o governo esta honrando.

    Paizote

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