segunda-feira, 2 de outubro de 2017

[O cão tabagista conversou com...] Angela Arend: “Na aviação de hoje não gostaria mais de voar como comissária”

Nome completo: Angela Maria Arend de Melo 

Nome de guerra: Angela Arend 

Onde nasceu: Santa Cruz do Sul – Rio Grande do Sul 

Onde estudou:
1. Colégio Mauá – Santa Cruz do Sul – RS – Curso Técnico em Contabilidade
2. UNISC – Santa Cruz do Sul – RS – Administração de Empresas
3. Universidade Santa Úrsula – Rio – Psicologia
4. Universidade Santa Úrsula – Rio – Pós-Graduação em Psicanálise
5. Universidade Veiga de Almeida – Rio – Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos
6. Universidade Estácio de Sá – Instituto do Ar – Rio – Pós-Graduação em Gestão de Segurança da Aviação Civil

Quando começou a trabalhar?
Meu primeiro emprego foi na Metalúrgica Mohr.
Comecei a trabalhar em 1º de agosto de 1973, como Auxiliar de Escritório. Eu tinha 15 anos de idade.
Recebia salário ‘de menor’, equivalente a dois terços do salário mínimo.

E esse salário ‘de menor’ você achava (na época) ruim?
Na época em que recebia o “salário de menor” achava excelente, considerando que era o meu primeiro emprego e que não tinha experiência de absolutamente nada.

Ou melhor, minha única prática era em datilografia, pois havia feito o curso de datilógrafa com um mínimo de 180 toques/minutos (essa era a regra na época).

O funcionário não recebia “auxílio-alimentação” e nem “auxílio-transporte”, benefícios estes que foram instituídos posteriormente.

Trabalhou na Mohr até quando?
Minha vida profissional iniciou em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
Trabalhei na Metalúrgica Mohr por um ano como Auxiliar de Escritório, de 1973 a 1974.

Em meados de 1974 surgiu uma oportunidade de trabalhar na Afubra – Associação dos Fumicultores do Brasil, como Auxiliar do Departamento de Mutualidade, ganhando um salário maior, o que me possibilitaria pagar meus estudos com mais tranquilidade.

Fiquei na Afubra durante dois anos e meio, mais ou menos, de 1974 a 1976.

Depois disso, fiz processo seletivo para trabalhar na Souza Cruz, primeiramente como Auxiliar de Escritório (com salário maior) e depois fui promovida para Secretária da Gerência de Contabilidade.
Permaneci na Souza até final de maio de 1979 quando me mudei para o Rio de Janeiro, pois havia conseguido um contrato com a Siemens S.A. na função de Secretária Português Alemão.

Como sentiu a mudança de Santa Cruz para o Rio de Janeiro?
A ideia de morar no Rio de Janeiro era um sonho que eu acalentava. Por isso, aos 21 anos, fui buscar um trabalho que me sustentasse para que eu pudesse realizar esse sonho. Respondi anúncios de empregos no Rio de Janeiro e o meu diferencial era falar alemão, achei que isso poderia me ajudar nessa transição. E realmente foi o que fez a diferença, foi assim que consegui o emprego na Siemens, depois de passar por uma bateria de testes e entrevistas com os diretores em Porto Alegre, fui a escolhida para a vaga de Secretária Português-Alemão.

Mudar para o Rio de Janeiro foi uma mudança grande, é outra cultura e estilo de vida.
Saí de uma região muito fria, diretamente para o calor e praia.

Os hábitos no Rio de Janeiro são outros, a comida também. Tudo é muito informal, as pessoas são mais descontraídas.
Muitas coisas são melhores no Rio, como o clima, a vida cultural, shows, cinemas, museus e a descontração do carioca, por exemplo.
A alimentação nem tanto, sou mais sulista neste quesito.

Mas o Rio tem também as dificuldades típicas de uma grande cidade como o trânsito, os engarrafamentos, as distâncias entre o local onde você reside e onde trabalha. Perde-se muito tempo.

Na época em que mudei para o Rio de Janeiro, 1979, não tínhamos a violência que temos hoje. Mas, ainda assim, eu faria tudo de novo.

Penso que o “problema” (enorme) do Rio de Janeiro não são “as dificuldades típicas de uma grande cidade”, mas os assassinatos: mata-se por um celular, mata-se por uma nota de 50 reais, mata-se por um par de tênis, esfaqueia-se por uma bicicleta...
Jim, no caso do Brasil, vivemos dificuldades típicas das grandes cidades brasileiras.
O alto índice de criminalidade em São Paulo, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, é absurdo.
Mata-se por qualquer coisa, não há um mínimo de respeito pelo cidadão, pela sua propriedade, pelo que conquistou com seu trabalho.

Os bandidos perderam o medo da Polícia. O número elevado de policiais mortos em serviço também é inadmissível.
A questão da segurança pública é nosso maior problema, mas não é restrito ao Rio de Janeiro, e sim à maioria das nossas grandes cidades. Infelizmente.

É... não está fácil para os moradores do Rio de Janeiro...
Voltando a 1979 à Siemens... onde era a filial do Rio naquela época?
A Siemens ficava no Andaraí.

Ficou pouco tempo na Siemens, porque, entretanto, apareceu a RG. Acertei?
Eu trabalhei na Siemens durante um ano e dois meses.
Gostava do trabalho de Secretária Português-Alemão, mas sabia que aquela ainda não era a minha escolha definitiva.

Li um anúncio no jornal ‘O Globo’ sobre vagas para “Comissários de Bordo”. Naquela época ainda se chamava assim, posteriormente a legislação mudou para “Comissários de Voo”.

O anúncio dizia: “Empresa de grande porte procura pessoas para trabalhar como Comissários de Bordo”.
Não dizia qual era a empresa. Resolvi enviar meu CV para ver o que acontecia, pois imaginei que voar e conhecer muitos lugares diferentes, culturas e pessoas, seria um trabalho interessante.
Dei sorte, pois eram 3.500 candidatos, segundo o RH mencionou posteriormente, para 45 vagas.

De todo o grupo que estava concorrendo eu era a única que falava alemão e que havia enviado uma foto 3 por 4 colorida. (Isso era novidade na época). É claro que eu não tinha a menor ideia disso, somente soube no final.

A empresa era a Cruzeiro do Sul e fui admitida em 15 de julho de 1980.

Durante o curso me apaixonei pela profissão e tive a certeza de que era isso que eu queria para a minha vida.

Então começou na Cruzeiro?
Iniciei na Cruzeiro em 15 de julho de 1980.


Como foi a sua passagem para a Varig?
Quando a VARIG comprou a Cruzeiro, a Diretoria de Operações e a Diretoria do Serviço de Bordo (Sérgio Prates) começaram a fazer palestras com os tripulantes para explicar como seria esta mudança para a Varig.

Recordo que participei de uma palestra com o Sérgio Prates lá no SDU e fui selecionada para vir na 2ª turma.

A 1ª turma iniciou em 1-9-1981 e a 2ª turma (a minha) iniciou em 15-9-1981.

Nós tivemos que solicitar demissão da Cruzeiro no dia 14-9-1981 (um dia antes) e no dia seguinte fomos admitidos na Varig.

Nosso salário na Cruzeiro era superior ao da Varig, mas começamos literalmente da estaca zero: salário inicial Varig, sem cargo (para quem tinha cargo de chefia) e voando o equipamento inicial, que era o Electra.

Depois vieram mais duas turmas em 1981, nas mesmas condições.
Nossa matrícula era 50.000.

As turmas que vieram alguns anos depois, matrícula 57.000, mantiveram cargo, equipamento e salário.

Não era 59.000?
Tem razão. As demais turmas foram 59 000.

Uma enrolação?
Essa questão salarial até hoje não ficou muito bem explicada.
Nós, que fomos os primeiros a vir da Cruzeiro para a Varig, tivemos que pedir demissão.
E, portanto, não tivemos direito a receber o FGTS e iniciamos com o salário inicial da Varig, como todo e qualquer novo funcionário.
Também iniciamos pelo “rés do chão” com relação ao cargo e equipamento, independentemente do tempo e situação na Cruzeiro.

Os demais, quando vieram, mantiveram o salário e receberam o FGTS.
O RH da VARIG jamais explicou essa discriminação.

Nem essa, nem outras ‘discriminações’...
Portanto, (re)começou voando no Electra, certo? Notou diferenças entre as duas empresas?
Comecei voando o Electra.

A diferença entre as duas empresas era grande.

A Cruzeiro era uma empresa com uma cultura mais solta, informal, nem sempre as regras eram seguidas, mas no final acabava sempre dando certo. Por ser uma empresa menor, as pessoas se conheciam e parecia que estávamos trabalhando em uma grande família.

Na Varig a cultura era mais formal, a hierarquia mais rígida, tudo era mais organizado e planejado.

O treinamento era constante e a meta era desenvolver uma cultura da excelência no atendimento, com sofisticação, mas ao mesmo tempo com acolhimento e carinho.

Treinávamos do mais simples ao mais sofisticado, desde servir sanduíches ao caviar com blinis e sour cream, entradas frias requintadas, servir Coca-Cola, sucos e também vinhos e champagne francesa, cursos de enologia na ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), curso de etiqueta na Socila com a Professora Pina Fernandez, cursos de aperfeiçoamento de speeches e de serviços nas três cabines: econômica, executiva e primeira classe.


Recordo que antes de ir para o baseamento em Los Angeles, fiz um curso sobre Cultura Oriental.
Depois, já no baseamento em LAX, tivemos a segunda parte deste curso que trouxe um conhecimento riquíssimo sobre a cultura dos povos asiáticos, principalmente sobre os japoneses e coreanos.

E você abraça a Varig com quatro braços?
A vida nem sempre é justa. As empresas também não.
Com certeza, o grupo da Cruzeiro que veio no início foi muito prejudicado. Também tivemos a árdua tarefa de "abrir caminho" para os demais que viriam em final de 1986, demonstrando para os variguianos que éramos profissionais competentes e sem nenhuma animosidade entre os dois grupos.

Abraçar a Varig para mim não foi tão difícil assim, pois me considero uma pessoa organizada, que gosta de planejar as tarefas e com muita disposição para aprender coisas novas. Isso facilita bastante para nos integrarmos em novas culturas.

Também vi na Varig a oportunidade de voar para o Exterior e conhecer o mundo, que na Cruzeiro seria bastante restrito.

Falar inglês e alemão, além de um pouco de espanhol, também ajudou.

Não posso esquecer os anos que, simultaneamente, trabalhei no CTO como Coordenadora do Grupo de CRM (Human Factors) e voando, aprendi muito. Voltei a estudar, fiz faculdade, escrevi um livro sobre o tema, enfim, aprendi a lidar melhor com as questões das equipes, conflitos e desenvolvimento da liderança.

Hoje, abraçar essa luta dos ex-funcionários da Varig, em conjunto com outros colegas como o Luiz Motta, Marcelo Lins, Paulo Antony, Miriam Loureiro, Angélica Oliveira, Claudio Cardozo, Fabio Cruz, Denise Diedrich, Marcos Jesus, Elnio Borges, Mansilha Mello e tantos outros, para que os Ativos recebam o Aerus, para o qual contribuíram e sustentaram os planos 1 e 2 durante anos, bem como os créditos trabalhistas da rescisão e o FGTS, é o caminho natural.

Já lá chegaremos.
Quais os pernoites que mais gostava?
Essa é fácil.
Eu amava todos os pernoites, mas os mais apaixonantes eram Paris, Frankfurt, Munique, Madrid e Roma.

E Lisboa? 😪 
Gostava mais da Europa do que dos EUA...
Eu voei muito pouco para Lisboa e Porto.
Gosto muito de Lisboa, tenho boas lembranças, mas o número de vezes que lá estive em 26 anos de voo, não foi superior a oito ou dez voos. Infelizmente.

No Porto estive menos ainda. Mas lembranças que tenho são todas muito boas.

Por exemplo, aprendi a gostar de bacalhau quando fui a primeira vez lá no Restaurante Bota Alta (que fica na Travessa da Queimada, no Bairro Alto, se não me falha a memória) e a tripulação solicitou um prato chamado “Bacalhau Real”.


Recordo que este prato é um filé alto de bacalhau, envolvido em farinha de amêndoas e assado no forno numa travessa de barro, regado com muito azeite e servido com batatas ao murro. Sabor inesquecível.

Tenho um carinho especial por Portugal, apesar de conhecer pouco, mas pela história que nos liga, pelo seu desenvolvimento pacífico e qualidade de vida que oferece, talvez seja o melhor país da Europa para se viver atualmente.

Gosto muito dos EUA, principalmente da Califórnia, onde morei por quase três anos.
Mas, se puder escolher, meu coração é todo europeu.
A Europa me encanta com sua história e sua cultura.

Passou por algum incidente ou acidente aeronáutico na sua carreira profissional?
Olá, Jim
Demorei para responder à sua pergunta sobre Acidentes e Incidentes, pois estava procurando um documento que conta o incidente ocorrido.
A comissária a que esta circular se refere sou eu.
Tentei recuperar o e-mail que enviei para o GIPAR na época, mas não consegui.
De qualquer forma, o incidente foi este.


Rio de Janeiro, 18 de julho de 1998.
Para: Tripulantes Técnicos e de Cabine (todos equipamentos)

Este Boletim é para uso interno. Seu conteúdo traz informações importantes relativas às ocorrências de voos, necessárias ao aprendizado e consequente aprimoramento do nível de segurança das nossas operações.

Nomes, voos e datas serão mantidos em sigilo, pois o nosso objetivo é analisar e apresentar recomendações visando a prevenção de futuras ocorrências.

Incidente:
PP – VMY
Zurich
Junho de 1998

Abaixo transcrevemos relatório de comissária, o qual achamos pertinente dar conhecimento aos colegas tripulantes:

“Na última sexta-feira decolei do Rio de Janeiro rumo a Zurich, via SÃO. Durante a etapa GIG-GRU, parte do grupo de comissários “sentiu” que o avião (um DC-10) estava estranho pois tremia muito. Parecia até que estava com “mal de Parkinson” ou ... com muito frio. O treme-treme era mais intenso junto às estações 2L, 3L e 4L. Como avião não sofre de “mal de Parkinson” e nem treme de frio, resolvemos chamar o F/E para que ele averiguasse. A resposta que obtivemos foi: “O avião é muito velho e isso é assim mesmo”.

Confabulamos entre nós e concluímos que a resposta não era satisfatória e que em tantos anos voando este equipamento (todos os 4 comissários envolvidos tinham mais de 14 anos NO EQUIPAMENTO) era a primeira vez que sentíamos o avião tremendo desta forma estranha.

Inconformados e, obviamente, apreensivos, resolvemos acordar o Comandante nº 2 (o Master estava pilotando) que descansava na Primeira Classe. Este Comandante foi acordado, informado sobre nossa preocupação e também que já havíamos conversado com o F/E. Pedimos que fosse até a área da estação 3L onde a trepidação era mais forte e averiguasse. Segundo ele: “provavelmente não é nada, mas vou conversar com o Master e solicitar a Manutenção em GRU”.

Chegamos em GRU, o despacho dá o embarque imediatamente enquanto a Manutenção investiga o “mal de Parkinson”. E adivinhem qual a surpresa? Segundo a Manutenção, o avião não tinha condições de prosseguir, pois havia necessidade de troca de motor e, com certeza, caso chegássemos a decolar teríamos que pousar em SSA ou REC.

Resultado: pernoitamos em GRU, cumprimos o descanso regulamentar e decolamos no sábado às 16:30 horas para Zurich, em outra aeronave. Segundo o Comandante Master do voo, foi graças à interferência e insistência dos comissários que o problema foi detectado a tempo e evitado um incidente e/ou acidente maior. Posteriormente agradeceu a toda a equipe. O fato acima pode ser comprovado através dos relatórios de voo e Manutenção que, com certeza gerou”.

Atenciosamente,
Roberto Tadeu Pimentel
Coordenador do GIPAR

Você tem saudades de voar?
Eu tenho muitas saudades da Varig, de voar na maior e melhor empresa aérea da América Latina.  Tenho saudades dos voos, dos pernoites, dos colegas, dos muitos amigos que fiz.

Mas a aviação no Brasil mudou muito após o fechamento da Varig. Na aviação de hoje não gostaria mais de voar como comissária. Talvez trabalhar em terra, no gerenciamento de recursos humanos ou treinamento. O fato de ter trabalhado numa empresa como a Varig foi uma oportunidade ímpar para meu desenvolvimento profissional e pessoal. Voei todas as aeronaves da empresa: do Electra ao B-777. Mas o mundo mudou e a aviação também.

Eu diria que mudou em todo o mundo. Costumo me declarar um privilegiado na profissão: peguei a aviação ‘construída’ pelos meus antecessores e as décadas de maior crescimento e desenvolvimento da Aviação Civil. Especificamente na Varig: recebeu os DC-10, os 727, os 747, os MD-11 e os B-777... décadas de 70, 80 e 90...
Partilho da sua opinião, na aviação atual não gostaria de voar como Comissário.
Onde estava no dia 11 de setembro de 2001?
Quando ocorreu o ataque às torres gêmeas em 11 de setembro de 2011, eu estava trabalhando no CTO, no gerenciamento do curso de CRM. O pessoal que trabalhava com a manutenção dos simuladores veio nos avisar lá na Sala do CRM que um avião havia batido contra uma das torres.

Corremos para a Sala da Manutenção para assistir ao noticiário. Eles tinham uma TV lá. Em seguida veio a notícia de um segundo ataque. Aí percebemos o tamanho da tragédia e imediatamente se iniciaram as discussões sobre segurança de voo, como isso poderia ter acontecido, e, a preocupação com os colegas que estavam pernoitando em Nova Iorque, se estavam bem, uma loucura...

Um nefasto acontecimento que contribuiu decisivamente para transformar a aviação civil, não acha?
Acho que foi o pior evento para a aviação mundial, não apenas para os EUA.

Foi preciso rever todas as normas e procedimentos de segurança com urgência, pois o 11 de setembro mostrou o quão vulnerável um sistema pode ser.

Foi uma lição muito dura para o mundo da aviação e para quem, em especial, trabalhava com treinamentos de segurança.

Todos os procedimentos de segurança foram aprimorados e alguns novos foram introduzidos.
Infelizmente é o que chamamos de Teoria do Sangue, ou seja, somente após a ocorrência de um grande acidente e com muitas mortes é que alguns procedimentos foram aprimorados, os treinamentos para atos ilícitos intensificados, normas de aeroportos mais rígidas, despacho de bagagens ampliou o número de itens proibidos a bordo, os equipamentos de Raio-X de bagagens e o de pessoas para embarcar  também foram implantados em todos os aeroportos mesmo em rotas domésticas, até os talheres de metal foram retirados de bordo.
Enfim, aprendemos com o evento, mas foi uma lição difícil.

Como se sentiu?
No primeiro momento o sentimento foi de incredibilidade, era por demais fantasioso do tipo que vemos apenas no cinema.

Depois, a percepção da realidade foi muito dura. Todos nós tínhamos os EUA como referência em segurança aérea, por isso, foi difícil acreditar que aquilo estava ocorrendo.

Posteriormente o sentimento é de impotência, pois os terroristas provaram que o sistema de segurança dos aeroportos continha muitas falhas, sequestrar um avião e desviá-lo da rota, jogá-lo contra um prédio, furar todo esquema de segurança dos aeroportos em terra, enfim, tudo parecia irreal.

Você estava na ativa quando a RG fechou?
Sim, eu estava na ativa quando a Varig fechou em julho de 2006. Fui demitida em 2 de agosto de 2006, através de um telegrama.


Você (não) esperava esse telegrama?
Não. Claro que não! E jamais por telegrama.
Imaginei que fariam reuniões, talvez em grupos, para explicar como seria a transição ou mesmo a demissão.
Mas, demissão em massa por telegrama foi algo inovador e horrível, pois impedia que se fizesse perguntas e esclarecesse as dúvidas.

Eu sabia que poderia ser demitida, porém, haviam nos dito que muitos continuariam a voar para a nova empresa, pois precisavam dos comissários com idioma para as rotas internacionais.
Então, seria natural que os comissários com idiomas específicos fossem reaproveitados em primeiro lugar para dar continuidade às rotas de Roma, Milão, Paris, Frankfurt, Munique, além de Londres e outras rotas.
Mas não foi isso que aconteceu.

E, assim, de repente você descobre que todos os idiomas, experiência com treinamento e desenvolvimento de cursos na área de Fatores Humanos, perfil profissional, especializações, não valia absolutamente nada.
A empresa não teve nenhum cuidado com os funcionários no momento da demissão, nenhuma consideração.
Simplesmente o RH enviou um telegrama para cada funcionário e acabou assim.
Eu recebi o meu telegrama no dia 2 de agosto de 2006.

Perguntando de outro modo: não era expectável o fechamento da empresa?
Sim e não.
Sim, porque quando uma empresa é vendida os funcionários aguardam por uma demissão em massa.
Porém, no caso da Varig, havia um Plano de Recuperação Judicial e no qual não havia previsão da demissão em massa. E sim o aproveitamento proporcional dos funcionários para as rotas que seriam operadas pelas outras empresas. Segundo o Governo, o mercado de aviação absorveria essa mão de obra.

No entanto, não foi isso que aconteceu. As demissões foram sumárias e o mercado absorveu apenas 8% do total de funcionários demitidos.
Os outros 92%, independente da qualificação, ficaram desempregados.

No caso dos pilotos, o mercado brasileiro se fechou e cerca de 700 pilotos foram trabalhar no exterior.
No caso dos comissários e do pessoal de terra não havia essa oportunidade no mercado externo.

Depois desse desastre você abraçou outra atividade?
Eu já vinha me preparando para uma nova carreira, pensando no momento da “aposentadoria” do voo.
Cursei Psicologia e fiz pós-graduação em Gestão de RH e outras áreas.
Com o fechamento da Varig, me dediquei integralmente à Psicologia, Gestão de Recursos Humanos e Desenvolvimento de Treinamentos de Fatores Humanos.

Trabalhei muito, primeiramente como prestadora de serviços, depois com contrato CLT como Gestora de RH.
Hoje, trabalho prestando serviços para diversas empresas na área de RH, Gestão e, principalmente, no Desenvolvimento de Treinamentos de CRM.

O que é CRM?
CRM é um treinamento de gerenciamento na área de Fatores Humanos.
É a maior e melhor ferramenta para desenvolver habilidades gerenciais referentes ao desenvolvimento das equipes, processo de comunicação, liderança, gerenciamento de erros e ameaças.

O CRM iniciou na década de 70 após uma série de acidentes ocorridos com empresas americanas.

No Brasil tornou-se obrigatório após o acidente do Xingu, em 1989, ocorrido com uma aeronave da VARIG que pousou sobre a copa das árvores no Xingu, após voar durante horas perdida na selva amazônica.

Conceitualmente, CRM é uma filosofia operacional de interação e integração entre as pessoas, com o objetivo de melhorar o processo decisório e a segurança da operação, da atividade produtiva da empresa.

CRM é aplicado através de cursos com módulos iniciais (16 horas/aula) e reciclagens (mínimo de 8 horas/aulas).

A sigla CRM significa “Company Resource Management” (no Exterior) e no Brasil foi traduzido como “Corporate Resource Management”. Tanto no Exterior quanto no Brasil, existe legislação específica que define as bases desse tipo de treinamento e que é obrigatório para tripulantes, manutenção, gerências e chefias em geral, controle de tráfego aéreo, aeroportos, DOVs, etc.

Na Varig, em 1997, criou-se o GPDC – Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento de CRM –, do qual tive a honra de fazer parte e, posteriormente, ser a coordenadora do mesmo. Esse grupo era formado por pilotos, engenheiros de voo e comissários.

Desenvolvemos um modelo de CRM, com gerenciamento do erro humano, aplicado inicialmente para pilotos e comissários, e, mais tarde, estendido para toda a empresa.

Os conceitos de CRM podem ser aplicados para qualquer atividade e não apenas para a aviação.

Em agosto de 2006 a empresa não pagava salários há quatro meses, confere?
Parte dos funcionários ficaram sem receber os salários por quatro meses (de abril a julho de 2006) e outros ficaram cinco meses sem receber (de março a julho de 2006).

A Varig pagava os salários de menor valor de forma integral e os demais recebiam apenas uma pequena parcela como “adiantamento”, por isso, alguns ficaram sem receber cinco meses!
Mas, mesmo nesse período sem receber os salários, nós cumpríamos religiosamente com nossa escala de voo e os colegas de terra com sua escala de trabalho. Nenhum voo foi paralisado pela falta de pagamento dos salários.

Como foi trabalhar sem receber?
Foi uma experiência difícil, surreal até. Imagine que você precisava se apresentar impecavelmente uniformizada e maquilada, sorrindo, porém, muitos não tinham o que comer em casa.

Aqueles que tinham familiares, cônjuges e até amigos para ajudar, conseguiram sobreviver melhor durante este período. As contas todas atrasaram, pois a prioridade era alimentação, moradia, e escola dos filhos.

A grande maioria tinha filhos pequenos ou adolescentes, em idade escolar.

Os tripulantes usavam as diárias, que eram economizadas ao extremo, para levar dinheiro para casa de forma a suprir as necessidades básicas. Os aeroviários não tinham essa mesma oportunidade e ficaram numa situação mais difícil ainda.

No meu caso, a renda diminuiu em 50% mais ou menos, mas como meu marido trabalhava em outra empresa, ele sustentava a casa com seu salário. Mas, mesmo assim, tivemos que fazer muitos ajustes no orçamento para fecharmos as contas do mês.

Então, essa situação surreal não apontava para o que aconteceu em agosto de 2006?
A situação que vivíamos antes do fechamento da empresa, que ocorreu em final de julho de 2006, e a consequente demissão em massa ocorrida também em julho e agosto, era melhor do que a situação que se seguiu. Naquele momento ainda recebíamos as diárias dos voos que efetuávamos e imaginávamos que a situação era temporária.

Até então, a grande maioria imaginava que, com a venda da empresa, os funcionários seriam aproveitados pelo novo comprador e os salários colocados em dia. Ou, pelo menos, a maioria seria aproveitada e, consequentemente, apesar dos ajustes que teriam que ser feitos, estaríamos empregados.

Em nenhum momento se cogitou, dentro do Plano de Recuperação Judicial, que a demissão em massa ocorreria e ficariam todos desempregados. É preciso lembrar aqui que somente 8% do total de funcionários foram aproveitados pelo mercado e alguns poucos pilotos foram expatriados, pois no Brasil não havia oportunidade de emprego.

A situação após a venda da empresa tornou-se caótica e, ficamos todos sem o dinheiro da rescisão trabalhista, o que nos daria um tempo de subsistência até encontrarmos um novo emprego em outra área. Por isso, o trauma maior foi após julho de 2006 e a novela se arrasta até os dias atuais, pois muitos continuam desempregados, com a saúde muito prejudicada e vivendo de trabalhos temporários.

Isso quer dizer que passados ONZE anos os ex-trabalhadores da Varig ainda não receberam os quatro/cinco salários atrasados, não receberam o FGTS e os 40%...

Na realidade significa mais do que isso.
Onze anos depois e ainda não recebemos os quatro/cinco salários atrasados, FGTS, multa rescisória de 40% sobre o total do FGTS, gratificações de cargo, horas extras e horas noturnas, média variável de férias, gratificação de férias de 2005, gratificação de férias proporcionais de 2006, 13º salário de 2004, 13º salário de 2005 e 13º salário proporcional de 2006, aviso prévio (um salário integral) projetado, média variável do 13º salário, etc.

Na sua percepção, a que se deve esse calvário dos ex-trabalhadores da RG:  ao Judiciário, aos Governos (estadual e federal), ao ‘Capitalismo’, à inépcia das ‘representações’ de trabalhadores, ou, tout court, aos próprios trabalhadores?
A resposta para o problema da Varig não é simples.
Todo o processo é complexo e cheio de detalhes, irregularidades e fraudes.
Por isso, não existe um culpado único.

Podemos citar alguns itens que contribuíram para esse calvário, tais como:

ü  A decisão do Governo Federal em não socorrer a VARIG através de empréstimo do BNDES. Empréstimos concedidos para empresas e governos no Exterior, construindo metro, portos, etc., porém negado para salvar a maior empresa aérea da América Latina.
ü  A “venda” da empresa para um fundo de investimentos americano, cujos sócios nunca foram visíveis.

ü  A “revenda” da VARIG para a GOL meses depois por valores absurdamente maiores.
ü  O Judiciário – não cumprimento da Lei de Recuperação Judicial, a decisão de aceitar que a “recuperação judicial foi um sucesso” e, no entanto, não ter pago os credores.

ü  A decisão de fazer a demissão em massa dos funcionários, apesar de não constar do Plano de Recuperação Judicial.
ü  A decisão de não pagar o crédito trabalhista e previdenciário, através de calote já previsto uma vez que sequer foi concedida aos funcionários a documentação necessária para fazer e homologar a rescisão corretamente (de acordo com a CLT). Com isso também, não sendo possível conferir os valores.

ü  Ao Judiciário, ao negar a “sucessão trabalhista”...
ü  A ganância de empresários e “empresários”... etc.
ü  Os trabalhadores tinham muito pouco a fazer, basicamente se tornaram reféns dessa imensa fraude que foi a venda da Varig.

Hoje, esclarecer e determinar as responsabilidades de tudo que aconteceu é papel da CPI.
O Caso Varig, como é chamado, é sem dúvida o maior calote trabalhista da história mundial e tem tudo para se tornar uma “Lava Jato da Aviação”.

Falando em CPI, é a segunda sob a presidência do mesmo deputado estadual... O que se pretende, objetivamente, com esta CPI da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro?

A VARIG – VIAÇÃO AÉREA RIO-GRANDENSE S.A., era a maior empresa aérea da América Latina e uma das maiores do mundo. Representava o Brasil nos cinco continentes, enaltecendo a bandeira brasileira com a qualidade dos seus serviços, desde o atendimento em suas lojas – também consideradas embaixadas brasileiras –, bem como nos aeroportos, atendimento a bordo, manutenção das aeronaves, serviços de catering e Centros de Treinamento. Profissionais impecáveis, bem treinados e com foco no Cliente e na Segurança. Suas aeronaves apresentavam conforto e tecnologia de ponta.

É desta empresa que trata esta CPI, da forma como foi destruída, das irregularidades nos processos para sua “venda”, dos bastidores políticos e, ao final, do calote trabalhista e previdenciário sofrido pelos ex-funcionários e aposentados, situação até hoje não resolvida. Portanto, o assunto é pertinente, pois são trabalhadores submetidos a tortura intermitente durante onze anos.

Os principais objetivos da CPI são:
a) Facilitar caminhos que levem a um Acordo (indenização) que restabeleça a dignidade dos ex-funcionários e aposentados da VARIG, Rio Sul e Nordeste através do pagamento integral das rescisões trabalhistas e previdenciárias para todos. Desta forma, demonstrando que a Lei de Recuperação Judicial em nenhum momento teve o real motivo de existir e, demonstrando, que o trabalho realizado não é trabalho escravo, pois está sendo devidamente pago conforme a legislação trabalhista em vigor (CLT).

b) Acabar com a demora e “enrolação jurídica” que, sem ajuda da CPI, ficará por mais décadas sem solução. (Vide processos referente Terceira Fonte, Defasagem Tarifária, Ataero, ICMS, Iluminação Pública, etc.).

c) Punir aqueles que, em função de interesses escusos, geraram tanto sofrimento para todos por um período de mais de 11 anos, o que configura crime de tortura intermitente, gerando doenças graves e mais de 2.000 mortes entre o Grupo de Funcionários e Aposentados da Varig de 2006 até o presente momento.

d) Definir responsabilidades dos envolvidos no processo de venda, recuperação judicial e falência da Varig, bem como apontar irregularidades processuais, operacionais, previdenciárias, atuações jurídicas, etc., que forem pertinentes a este histórico processo da Varig, iniciado bem antes de 2006 e pendente de solução até a presente data.

e) Identificar e punir omissões/irregularidades por parte de todos os órgãos, instituições, empresas, fundos de investimentos, consultorias jurídicas e/ou financeiras, fundo de pensão, e outros envolvidos no processo de venda da Varig.

Esses são os principais objetivos.

Essa CPI estadual tem efetivo poder para “punir omissões/irregularidades por parte de todos os órgãos, instituições, empresas...”?
Acreditamos que essa CPI possa contribuir de várias maneiras para solucionar nossos problemas: pagamento do AERUS e dos créditos trabalhistas.
A primeira delas e a mais importante, no meu entender, é dar voz a quem não tem!
O problema que hoje está judicializado é muito mais profundo e complexo do que ele se apresenta no primeiro instante.

É um grande problema político, social e econômico.
E, por ser uma questão política de enorme relevância, acreditamos na viabilidade de um acordo judicial ou extrajudicial que possa fazer com que os trabalhadores ex-ativos recebam o Aerus e os aposentados continuem a receber suas pensões.
A CPI pode contribuir para acelerar uma solução para o problema que se arrasta há tanto tempo.


Além disso, existem muitos indícios de crimes que foram cometidos por diversos personagens que estão envolvidos em outros crimes, e, alguns inclusive, já estão presos. A CPI tem condições de enviar o seu relatório final para a Polícia Federal e Ministério Público, se for o caso, para responsabilizar essas pessoas pelos atos cometidos.

Para nós, ex-funcionários, o que está em jogo é em que mãos irá parar o dinheiro da Defasagem Tarifária, pois isso poderá fazer a diferença sobre o futuro das pessoas, uma vez que o sofrimento do passado e do presente não pode ser amenizado.

Em resposta anterior você informou que escreveu um livro sobre CRM. O que você realçou no livro e onde se pode adquiri-lo?
O livro conta a história do CRM na Varig e, consequentemente, no Brasil, pois o modelo de CRM que desenvolvemos na VARIG virou legislação e tornou-se curso obrigatório para todos os tripulantes, funcionários da área de manutenção e controladores de voo. Posteriormente a legislação foi ampliada e tornou-se obrigatório para todos os funcionários de empresas aéreas. (IAC 060/1002A).

CRM significa Corporate Resources Management e é um treinamento comportamental, de Fatores Humanos, de gerenciamento de situações que podem afetar a segurança da operação.

O livro foi escrito em conjunto com especialistas da ANAC (na época era DAC ainda) e eu como representante da aviação civil.

A minha parte no livro está dividida em dois capítulos distintos:

1 – A História do CRM no Mundo e no Brasil – como surgiu e foi implantado pelas empresas aéreas.
2 – Como desenvolvemos os conceitos de CRM na Varig, as dificuldades enfrentadas na época, formação dos instrutores de CRM, etc. Os temas são muito pertinentes para todas as áreas, tais como: processo de comunicação, assertividade, briefing e debriefing, Invulnerabilidade, Resignação, Resolução de Conflitos, Team Work, Gerenciamento do Estresse e da Fadiga, Automatismo, Alerta Situacional, Tomada de Decisão, Gerenciamento do Erro Humano e Gerenciamento de Ameaças.

Infelizmente o livro está esgotado.
Na época foi publicado pela Comunigraf, Recife, em 2005.

Livro esgotado é um elogio para o autor/autores...
Se pensar dessa forma, podemos dizer que o livro foi um sucesso.
Mas eu gostaria muito de escrever outro falando sobre a prática do CRM nas empresas nesta última década.
Quem sabe, no futuro, quando estiver morando lá em Portugal, eu consiga um tempo maior para me dedicar a esse projeto.

Ué?!
Estão pensando em mudar para Portugal?


Esse é um projeto pessoal que Haroldo e eu temos.
Faz tempo que pensamos em sair do Rio de Janeiro por diversas razões, tais como aumento da violência, alto custo de vida, má qualidade dos serviços públicos, etc.

Nos últimos meses temos nos dedicado intensivamente à procura de um lugar onde possamos viver e desfrutar nossa aposentadoria com tranquilidade. Daí surgiu a ideia de mudarmos para Portugal, país com o qual nos identificamos com sua cultura e que pode oferecer qualidade de vida.

Para que esse projeto se concretize dependemos ainda de alguns trâmites burocráticos e arranjos financeiros, porém, acreditamos que em meados de 2018 tudo isso estará resolvido.

Sempre (re)vejo você, além de outros ex-colegas, na grande mesa da CPI. Você é a presidente/coordenadora desse Grupo?


Hahaha 😊. Não. Sou apenas uma credora assídua.
Temos um grupo que participa ativamente em todas as audiências, participamos de grupos de debates no Face, no WhatsApp, redigimos textos, distribuímos para a imprensa, mantemos um site ativo, organizamos manifestações, etc.

51 comentários:

  1. Parabéns aos dois!
    AJS

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    1. Muito obrigada.
      A VARIG foi uma grande escola e a experiência profissional que lá adquirimos é algo muito valioso e que tem me ajudado em outros cargos e empresas onde trabalhei.
      Angela Arend

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  2. Muito boa à entrevista!
    Meus cumprimentos.
    Apenas não vejo como uma CPÌ poderia ser agente facilitador de um acordo entre partes.
    Muito pelo contrário!
    Uma CPI tem por tarefa principal, investigar denuncias de possíveis ilícitos cometidos, confrontando as partes e denunciando, caso encontre elementos que justifiquem.

    Vale ressaltar que o objetivo de uma CPI é unicamente investigar, não é de sua competência, aplicar penas.
    Uma CPI não busca pacificar, para que juntos encontrem um caminho ou acordo, e acaba adiando possibilidade de um pacto que beneficie uma das partes.
    A CPI poderia sim recomendar um acerto entre partes.
    Mas isto teria que ser através do instituto que detém as representações dos participantes.
    Então se direto ao Aerus, poupa tempo.
    Sem que isto inviabilize a CPÌ, esta sim terá que continuar e apurar seriamente os crimes cometidos e buscar responsabilização.
    Paizote

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    1. Na realidade a CPI tem um papel maior do que você citou.
      Ela investiga, apura fatos, dá encaminhamentos ao Ministério Público ou Policia Federal (se for o caso), etc.
      Quanto ao seu papel de pacificar, ela poderá até fazer este papel se assim o entender como parte de um processo maior que busca soluções para os problemas levantados.
      Um exemplo disso foi a Oitiva da CPI de ontem, dia 03 de outubro, onde o Deputado Paulo Ramos fez exatamente este papel. Aliás, desempenhou com muito sucesso.
      E esse entendimento poderá facilitar o andamento de um acordo com a União, que é o objetivo maior, mas até lá ainda existem questões políticas, jurídicas e administrativas a serem resolvidas.
      Mas sem sombra de dúvida a CPI é a grande ferramenta que os trabalhadores tem hoje para decifrar esse grande imbróglio que foi a "venda" da Varig e nos aproximar de uma solução.
      Um abraço,

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  3. Caro Jim. Este é o melhor relato do caso Varig que li. Parabéns a Ângela Arend. Grande abraço.
    Marcio.

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    1. Prezado Márcio,
      O Jim criou esse espaço maravilhoso "O cão que fuma" e tem trazido muitas notícias de interesse para todos nós. Falar sobre a Varig é sempre um momento de muita emoção e amor, lembrar do quanto aprendemos sobre nosso trabalho, do que nos proporcionou e, até, das dificuldades que vivenciamos.
      Varig é paixão!
      Abraços,

      Angela Arend

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  4. Parabéns Angela pelo belissimo, depoimento, mas correto impossivel. Só não entende quem não quer.

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    1. Obrigada, Andrea.
      Fizemos muitos voos juntas. E agora estamos juntas na luta pelos créditos trabalhistas e previdenciários.
      Um grande abraço,
      Angela

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  5. Adorei parabéns angela.arend@terra.com.br e obrigado por estarmos juntos nesta luta pelo os nossos direitos não reconhecidos.

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    1. Obrigada, Sonia.
      Sua participação no movimento dos Credores Trabalhistas e Previdenciários é muito importante. Sou eu que tenho que agradecer pela sua participação.
      Um grande abraço,
      Angela

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  6. Impressionante!
    Exatamente após 16 horas da publicação (na noite de domingo para segunda-feira), esta publicação ultrapassou as 1 500 visualizações!
    Parabéns, Angela!

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    1. Parabéns para você, Jim, por espaço que maravilhoso que você criou.
      O assunto VARIG, mesmo depois de 11 anos, continua na memória e no coração das pessoas.
      Um grande abraço,
      Angela

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  7. Queridos Angela e Jim!
    Parabéns pela entrevista! Toda a vez que leio estes depoimentos volta o pesadelo aos meus olhos, da forma como foi! Stress pós traumático! Mas agora consigo ler até o final! Muito lúcida a entrevista e muito bem explicado todo o processo! Tive a honra de fazer dois projetos com a Angela e se tem alguém, que tem conhecimento a fundo de tudo referente a aviação, CRM, cultura da aviação e dos povos, é ela! Pena que o Brasil vai perder mais uma profissional com conhecimentos inestimáveis! Resultado da ré política que estamos hoje! Com agravantes! Hoje nada vale, hoje é só nós e eles! Triste fim! Grande abraço

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    1. Obrigada, Margit.
      Fizemos bons voos juntas, principalmente na Rota Frankfurt, no projeto Cultura dos Povos e também no projeto CRM.
      A VARIG nos proporcionava essas oportunidades de aprendizado incríveis.
      Um grande abraço,
      Angela

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  8. As Entrevistas sempre são interessantes, gosto muito de todas. Parabéns ao Blog e à Angela!
    Caro Jim, pelo jeito terás vários novos vizinhos Brasileiros, que comungam desta ideia, residir no futuro breve em Portugal! Abraço, Angela e Jim!
    Heitor Rudolfo Volkart

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    1. Olá, Volkart
      No passado eram os portugueses que tinham interesse em vir para o Brasil e aqui residir. Hoje, somos nós que estamos fazendo esse movimento e buscando novos caminhos em Portugal.
      Mas a amizade e o carinho permanecem, independente de onde residimos.
      Se vieres ao Rio ou, no futuro, em Portugal, vamos marcar para nos encontrarmos. Assunto, com certeza, não faltará.
      Um grande abraço,
      Angela

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  9. Respostas
    1. Parabéns Angela excelente entrevista .Valeu Jim Pereira sempre nos proporcionando ótimos artigos e entrevistas. Sucesso. Heitor Borges

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    2. Olá, Heitor
      Obrigada pela sua participação ativa no grupo de credores trabalhistas e previdenciários e sua presença nas oitivas da CPI da VARIG.
      Um grande abraço,
      Angela Arend

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  10. Bela entrevista, obrigado Jim e Angela pela boa leitura; este espaço merece a admiração de todos nós.
    Quanto à CPI, entendo que devemos aproveitar todos as oportunidades para lembrar o caso VARIG/AERUS.
    Estamos alertas e esperando, impacientemente, resultados favoráveis.
    Abraços Angela
    Abraços Jim
    Vilmar Mota

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    1. Olá, Vilmar.
      Bons tempos de baseamento lá em LAX. Muito voleibol na praia de Hermosa Beach.
      Tenho esperanças de que a CPI irá ajudar para que a solução seja agilizada.
      Um grande abraço,

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  11. Não me recordo de ter conhecido pessoalmente a Angela Arend , mas lembro-me desse simpático rosto na foto da entrevista. Parabéns pela riqueza de detalhes da entrevistada. Se não estou equivocado, li por cópia um ou dois e-mails dela. Interessante ... julguei que fosse da Varig , mas era comissária da Cruzeiro ! A empresa Cruzeiro do Sul , de fato, era mais "maleável" em relação à rígida Varig ; o staff terrestre não era obrigado , por exemplo, a falar inglês , o que instituia um certo desconforto quando do início da fusão entre ambas . Depois as equipes se "azeitaram" ; tínhamos um cordial e profissional entrosamento ...

    Quando Angela atesta " Mas a aviação no Brasil mudou muito após o fechamento da Varig. Na aviação de hoje não gostaria mais de voar como comissária."
    Tenho ( e creio que muitos tem) o mesmo feeling, aquele insight . As coisas mudaram com o fechamento da "Pioneira" . Hoje viaja-se de avião no Brasil nos moldes do Super-market : " Preço, preço, preço!"
    Ao menos o copo de água não é tarifado a bordo ...Desejamos que a Angela tenha êxito em tudo aquilo que empreender , e que receba todo o carinho deste ex-colega do AIRJ.
    Grande abraço!

    Sidnei Oliveira

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    1. Olá, Sidnei
      Voei 1 ano na Cruzeiro e 25 anos na Varig.
      Um abraço,
      Angela

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  12. Um blogue, ou uma revista virtual como esta - revista virtual porque publica artigos sobre tudo e mais alguma coisa, em quatro idiomas - vive dos leitores e dos artigos que publica (ou dos artigos que publica e dos leitores? Qual a ordem 'correta'?).
    Dito isto, estou muito contente com a repercussão da conversa com Angela Arend! E estou orgulhoso, sem hipócitas modéstias.
    Afinal, manter uma revista virtual fruto do hobby de um lone ranger fácil não é.
    Muito obrigado, Angela Arend!

    E aproveito o 'embalo' para agradecer, de novo, aos anteriores 'conversados', pois graças a eles a revista atingiu picos de audiência, como o desta conversa com Angela.
    Obrigado!
    Beijos e abraços de carinho./-

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    1. Jim, foi um prazer tão grande trocar ideias com você. A revista virtual que você criou é um espaço fantástico de comunicação.
      Você está de parabéns!!!!
      Um abraço carinhoso,
      Angela Arend

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  13. Ótimo artigo, franco,objetivo e direto.Parabéns Jim e Angela.

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    1. Obrigada, Paulo Jorge.
      Abraços,
      Angela

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  14. A Angela responderá a perguntas adicionais e a dúvidas do prezado leitor.

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    1. Sem problemas, Jim. Estou a disposição.
      Um abraço,
      Angela

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  15. Excelente entrevista, primorosa. Honra o leitor com qualidade e prazer. Esta eh a VARIG que conheci. Parabens Angela.
    Volte sempre!

    DCS

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    1. Obrigada.
      Um abraço,
      Angela

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  16. Parabéns Angela em primeiro lugar pelo seu extenso e belíssimo currículo
    Em segundo, por estar capitaneando junto com outros colegas esta CPI que é a única oportunidade que teremos de receber alguma coisa. Portanto não deixe passar nada, esteja bem atenta e com a sua inteligência todos os ativos, principalmente, estarão muito bem representados com você na liderança
    Um abraço
    José Manuel

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    1. Obrigada, José Manuel.
      Essa luta não é fácil, mas tenho certeza de que chegaremos a um bom acordo que seja benéfico para todos: aposentados e ativos.
      Um grande abraço,
      Angela

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  17. Primeiramente, parabéns à Angela e ao Jim pelas respostas e perguntas, inteligentes e pertinentes ao "nosso caso". Com respeito a fusão mandatória Varig/Cruzeiro creio que a fase em que os comissários graduados da Cruzeiro continuaram operando os vôos Air Bus, inclusive internacionais, sem redução do salário ou gratificação de função, foi um tiro no pé da própria Varig e do grupo de Comissários Varig. Apesar do excelente trabalho desenvolvido pela maioria dos tripulantes Cruzeiro havia uma filosofia diferente referente a padrões de conduta e trabalho. Como houve a fusão, comissários novos, da Varig, eram mesclados nas tripulações com chefes ex-Cruzeiro e aí havia o choque natural de condutas cobradas nos cursos de formação e vôos Varig com o padrão Cruzeiro.Houve um desgaste desnecessário em ambos os lados com natural prejuízo para a Empresa Varig. Com a venda dos aviões houve uma acomodação dos C/E Cruzeiro sendo "promovidos" à galley nos vôos internacionais pois esta função não exigia inglês. Naturalmente estou expressando minha opinião como ex-comissário Varig e que escutou comandos como.."esquece meu filho, aqui é o nosso padrão..."..enfim, como a Angela fala, acabaram todos se acomodando. Fica o meu registro que todos deveriam ter passado pelo processo que ela passou. Desculpe Jim, estou velho...rsrs..mais que você, mas o amor que sentia por aquela empresa e o sentimento de impotência de "acatar e obedecer" me desanimava algumas vezes. Isto me leva ao segundo ponto, especialidade da Angela...tá ficando grande este "simples comentário"..me perdoem ..Se na época em que o CRM foi adotado para os tripulantes, em decorrência daquela "merda federal" (sorry) feita pelo Garces, a mesma providência deveria ser adotada para as "merdas federais" feitas pela presidência e acatadas bovinamente pela diretoria que acatavam, por tradição, qualquer desmando, sonho ou loucura do chefe supremo. Com o CRM e a liberdade de expressão dos integrantes talvez, como exemplo, o sonho da "Volta ao Mundo" da empresa tivesse sido retardado para uma fase de mais pujança. Talvez a Base Hong Kong fosse apenas uma ideia a pensar. Os gastos desnecessários e super faturados de eventos com o nome Varig tivessem um sonoro "NÃO" a proposta do chefe supremo....."Manda quem pode, obedece quem tem juízo"...Enfim, Inês é morta.! Grande abraço. (O anonimato?...estou muito velho para debates.)

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    1. Uma pena! Pois é 'grande' o seu comentário! Não ofendeu ninguém e descreveu fatos.

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    2. Tocou na ferida...

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    3. Gostei do seu comentário e não foi ofensivo, com certeza.
      Um grande abraço

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  18. Muito bacana, Angela, a sua gentileza de 'responder' a todos os comentários...

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    1. É o mínimo que podemos fazer com os leitores. Afinal, eles tiveram um "trabalhão" para ler a entrevista. risos

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  19. Querida Angela, parabéns pela entrevista! Muito clara e abrangente.

    Sempre bom conhecer o caminho percorrido na vida profissional dos amigos e colegas, perceber as mudanças de trajetória e todo o esforço pessoal dispendido ao longo do tempo, sempre objetivando atingir maior gratificação, satisfação e bem-estar no desempenho profissional. Parabéns pela dedicação e profissionalismo que sempre te acompanharam, para mim essa é sua marca no mundo do trabalho!
    Sucesso sempre, amiga!

    Abraços

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    1. Denise, você conhece minha paixão pela Varig e pela profissão que, tenho certeza, é igual a sua.
      Quando se ama aquilo que se faz, fica muito mais fácil seguir adiante.
      Obrigada pela sua participação ativa no grupo de credores trabalhistas e previdenciários da Varig.
      Um grande abraço,

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  20. Recebi uma pergunta que não soube responder , recorro a este blog e a seus colaboraqdores.
    Quanto por cento dos credores trabalhistas (ativos) tem mais de 150 salarios minimos de credito?
    Acordo dados obtidos porém não preciso não chegam a 15 por cento, estariam corretos?

    Paizote

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  21. Paizote,

    Nós já solicitamos uma atualização do Quadro Geral de Credores. Afirmar qualquer percentual seria chute e leviano, pois muitos habilitaram créditos junto à Massa Falida em função dos processos que foram movidos.
    E esses créditos não estão ainda totalmente incluídos na última listagem que saiu e que é muito antiga.
    Esperamos que em breve o Administrador Judicial responda aos questionamentos que foram feitos. Esta é uma das perguntas.

    Um grande abraço,

    Angela

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    1. Ângela

      Obrigado!
      Acredito que vc entende a importância deste dado.
      Tanto num possível acordo, quanto no destino inicial da possível verba da DT.
      Numa consulta que fiz junto à administração da massa, foi informado que estas informações constam no site oficial.
      Feito um exame preliminar, e por isto citei no comentário anterior, não muito preciso, e que requer cálculos.
      Em minha opinião e com os dados disponíveis, os valores previstos na lei e que contemplam verbas trabalhistas até 150 salários mínimos, quitariam a maioria dos creditos dos credores desta classe.
      Esta parece ser opinião também da massa falida.
      Como estas informações, são públicas podemos ver valores a receber de todos os colegas, apenas para compreensão do problema, e que se constata, é que os atingidos por valores acima dos 150 mínimos são na maioria aqueles que tinham salários diferenciados.
      É justo e de direito que todos recebam, mas o “bicho” pode ser menor do que se apregoa, pelo menos é o que podemos se deduzir inicialmente.
      Qualquer um tem acesso aos valores previstos no site, e creio que interessa principalmente aos “ativos”, numa tomada de decisão.
      Receber, inicialmente, 150 mínimos (aproximadamente 150 mil reais em 2018) e os valores depositados (reserva) junto ao Aerus, aguardando o que exceder, pode ser uma proposta razoável a meu ver. (Eu disse pode!).
      Isto num contexto solidário, privilegiando os de menor renda e menor patrimônio, por consequência os mais necessitados do ponto de vista sócio econômico, se isto facilitasse o recebimento, junto a União.
      O ideal é todos receberem tudo.
      Mas convenhamos isto já soa quase como utopia.
      Devemos (num possível acordo e visando conciliação) olhar para os lados e ver aqueles que estão enfrentando dificuldade nas necessidades básicas e com a vida se esvaindo.
      Peço encarecidamente que pensem nisto, quando discutirem este assunto.
      Grato!
      Paizote

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    2. PS.: Acordo visão da administração massa falida ( no site) , e até novas informações oficiais os dados disponíveis estão atualizados até Janeiro de 2017.
      Vide;
      ATUALIZAÇÃO DO CREDITO = (CREDITO NA DATA DA FALÊNCIA / UFIR-rj DE 2010* UFIR-rj DE 2017 . Exemplo (R$ 76,600,00/2,0183)* 3,1999=121.286,00 (limite de 150 SM)

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    3. Prezado (a) Paizote

      O processo de negociação para uma Acordo é demorado. Mas o importante é as pessoas estarem dispostas a negociar o que for possível de forma que esse processo não se arraste por muito mais tempo.

      Com certeza, não será possível contemplar 100% dos créditos para todos, tanto Ativos quanto Aposentados, pois o AERUS está em liquidação. Ou seja, a missão do Interventor é fechar o AERUS.

      Por isso, precisamos de uma boa negociação que contemple à todos com o maior valor possível.

      Quanto ao pagamento dos 150 Salários Mínimos são obrigatórios, fazem parte do Plano de Recuperação Judicial e os credores trabalhistas são os primeiros da fila.
      Os valores superiores aos 150 SM são créditos quirografários.
      Enfim, tem uma grande complexidade nisso.
      Caso tenha interesse em debater mais sobre o assunto, podes me enviar seu e-mail para contato pessoal.
      O meu e-mail é angela.arend@terra.com.br

      Um grande abraço,

      Angela Arend

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    4. Ângela, grato pela gentileza,
      Enquanto...
      Desculpo-me, por abrir mão de debater o assunto em contato pessoal.
      Acho que toda discussão sobre nosso imbróglio tem de ser á público, não limitando os conhecimentos a uns poucos que tem facilidade para entender.
      Acho que blogues como este, são excelentes tribunas para nos manifestarmos em assunto de interesse geral, e de tão grande gama de versões dispares.
      Minha principal queixa de todos os que discutem o assunto, é que nunca são suficientemente claros sobre o que pretendem, ou como agirão para conseguir, tornando nosso caso uma corrente de frágeis elos.
      Muito se fala ,pouco se diz!
      Ficamos sempre nas entrelinhas , principalmente as pseudos lideranças.
      E nisto incluo todas as comissões, sindicatos e associações e mesmo alguns avulsos.
      Não apoio, dedicadamente, ou milito em nenhum grupo,
      Não enquanto houverem cisões internas.
      Fui partidário e sempre apoiei união de todos junto ao Aerus, tornando-nos mais fortes para futuras negociações.
      Hoje sei que, mesmo o Aerus não contempla integralmente meu julgamento e perspectiva.
      Enquanto dependente, e a serviço da união compromissado através da previc, o Aerus pode ter posições das venho discordar, e ser (sem a união de todos) obrigado a me submeter.
      O exame conjunto, permitiria que todos soubessem o que nos impede, por exemplo, de sermos uma frente coesa.
      O debate público permitiria que todos soubessem no que diferem as propostas de acordo de fendidas pela Aprus e a Fentac.
      A exposição pública permitiria saber; porque tendo os mesmos interesses, os ativos e assistidos tem divergência no formato de possível solução.
      Far-nos-ia saber quais as dificuldades do Aerus em convencer a Previc, a buscar rapidez numa solução razoável.
      As questões publicamente postas levariam mais pessoas, que ingenuamente aplaudem supostos líderes, a saber, que estes, agiram em determinadas épocas, no mínimo, com interesses duvidosos.
      Com que interesse alguns pleiteiam hoje o levantamento da falência, enquanto outros não querem esta hipótese , definitivamente.
      No que a manutenção de recuperação, levantando a falência, poderia beneficiar a grade majoritária dos menos representados?
      Permitiria a todos saberem que o Aerus, não é o único credor com garantia real e que isto divide as opiniões do administrador da massa falida e nossos interesses.
      Permitiria saber por que uma proposta de acordo, feita a ministra Carmem, emperrou, mesmo após ter avançado até a AGU.
      Quem de nós, foi radicalmente contrario, pois não atender 100 por cento dos interesses de determinado grupo.
      Por que ainda existem pessoas que tem dúvidas sobre existirem (ou não?)benefícios ,em abrir mão de uma pequena partedo direito individual, visando o bem comum?
      Permitiria saber que a tutela liminar, não é definitiva e alguns poucos acham que não deveria ter sido concedida, nos termos em que foi.
      ...continuo (eita.. cara prolixo!)

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    5. Enfim, tendo tanto a debater e em tantas mídias (incluindo o facebook onde vc se manifesta), por que debater em emails pessoais (fiz durante 8 anos, inutilmente ,apenas atraindo atenção para este d. Quixote!) , em nada ajuda a esclarecer a maioria de nossos colegas.
      Mantendo apenas um pequeno grupo, superficialmente informado, pela falta de transparência que sempre foi a Tonica no caso Varig/Aerus.
      Respeitosamente me atrevo a considerar esta, apenas como mais uma.
      O histórico, e o, até aqui desenrolar me autoriza a isto.
      O único mérito da CPI é de ser um canal de discussão, (como disse aqui um colega!), e apenas quando os egos e interesses difusos permitem.
      Em assim sendo agradeço o convite para debater via emails pessoais, e proponho que seja aqui o canal de debates.
      Mas alerto que isto só será proveitoso, quando todos se dispuserem a comparecer com comentários que desnudem tudo o que ainda não foi dito, e se disponham a abrir o “ jogo”.
      Do contrario, estaremos eu, vc, e os demais, novamente vendo frustradas nossas expectativas de lisura.
      Para o Bem ou para o mal!
      Como eu já tinha feito anteriormente, manifesto minha simpatia pela tua entrevista e tua história de vida.
      Faria um pequeno senão, quando te manifestas a respeito da Cruzeiro , talvez tenhas aberto caminho para mal entendidos.
      No mais, meus respeitos, e se puderes e quiseres aqui se manifestar sobre as dúvidas que suscitei no corpo deste comentário, ficaria agradecido, estarias abrindo debate proposto, e colaborando com teus reconhecidos conhecimentos na elucidação de muita coisa.
      Sei que o quero discutir, pode não ser sempre simpático , assuntoscontroversos, mas sei principalmente, que sem nos entendermos todos os grupos , jamais chegaremos a lugar algum.
      Quanto a assuntos pessoais, embora não creio existirem, pois não nos conhecemos, entre pessoas do bem, como vc me parece ser ,sempre é saudável, meu email é paizote@gmail.com, ao dispor.
      Abraço fraterno.

      Excluir
  22. Excelente entrevista e ótimos comentários.
    AJS

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