segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Entrevista de Cesar Maia sobre as eleições de 2018 no Rio de Janeiro

Cesar Maia

Foto: Tourist Destinations
O quadro eleitoral no Rio está ficando mais claro?
Ao contrário, está mais confuso, seja nas eleições para governador, como para senador. A eleição presidencial mostra um quadro melhor para análise, independente do julgamento de Lula. Por exemplo, Bolsonaro se afirma mais e Marina se mostra competitiva.
    
E para senador e governador?
Para senador, a imprevisibilidade é total hoje. Como são 2 vagas e o espalhamento é amplo, há um estímulo para surgirem candidaturas. Talvez, aqui, os chamados candidatos da sociedade civil tenham mais estímulo para participar, pois se sentirão mais competitivos.
    
E para governador?
Depende da decisão de Romário. Pesquisas desde 2017 mostram que ele está no patamar dos 20%. A rádio corredor do parlamento afirma que ele desistirá e não será candidato. Com ele, o não-voto (brancos, nulos e abstenção) está na casa dos 50%. Sem ele é superior aos 65%.
    
E os demais?
Curiosamente, nada muda sem Romário, o não-voto é que cresce muito. Os demais apenas deslizam sobre as intenções de voto com Romário.
    
E quem são eles?
Para se afirmar com precisão há que se esperar abril, após o mês de março, das "janelas". Os candidatos que tiveram origem no PFL flutuam de 6% a 9%. Bernardinho surpreende, pois não chega aos 4%. Da mesma forma, Tarcísio Mota, do PSOL, que se imaginava um patamar de lançamento maior, depois de suas votações em 2014 para governador e 2016 para vereador, mas ainda fica abaixo de Bernardinho.

Então se pode afirmar que esse bloco pode repetir a divisão do bolo de 2016 para prefeito, prejudicando todos e tornando a eleição uma loteria com diferenças mínimas entre eles?
Com os dados de hoje, sim, agravado pela mesma referência de classe média e concentração na capital.
    
E nas eleições para deputados estaduais e federais?
A nova ALERJ tende a ser horizontal, o que suavizaria a relação entre o executivo e o legislativo. No caso dos deputados federais, mesmo com os espaços abertos pelas ausências de Bolsonaro, Chico Alencar e Eduardo Cunha - por razões diversas - hoje se estima um quadro político-ideológico que não será muito diferente de 2014.
    
Como impactam as novas regras do jogo?
Se tomarmos como referência as eleições de 2016 nas maiores cidades, elas fortalecem os candidatos se opinião pública e com concentração (e não pulverização) distrital. A proibição de doações empresariais reforçará essas tendências.
    
E o Fundo Eleitoral?
Obviamente os partidos reforçarão o suporte a seus candidatos mais competitivos para sobreviverem a partir de 2019.
  
E a importância das Redes Sociais?
Tem aumentado, mas a pulverização das mesmas não desequilibrará a importância maior da TV numa eleição com menos dias de campanha aberta e com menos recursos. 
Cesar Maia, 22-1-2018

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