sábado, 31 de março de 2018

A voz do Jornal de Angola

Moiani Matondo

Isabel dos Santos, um destes dias, choramingava nas redes sociais por causa da nova direção do Jornal de Angola, liderada por Victor Silva, afirmando que este mais parecia um jornal da oposição, pelo modo como acolhia as críticas contra a sua pessoa.

É óbvio que o modelo de imprensa perfeito para Isabel seria o do Pravda, dirigido por Lev Mekhlis nos anos 1930, na União Soviética. Nessa época, havia apenas uma única verdade: aquela que Estaline ditava a Mekhlis e que este transcrevia obedientemente no jornal, iniciando, muitas vezes por aí, as purgas e os assassinatos políticos.

Angola também teve o seu Lev Mekhlis, incarnado na pena rebarbativa de José Ribeiro [foto], diretor do Jornal de Angola entre 2007 e 2017.


Ribeiro foi demitido na onda exoneratória de João Lourenço, mas, aparentemente, foi-lhe prometido, como prémio pelos leais serviços ao partido MPLA, a prebenda de uma nomeação como adido de imprensa na missão de Angola em Nova Iorque.

Contudo, parece que o nosso Mekhlis tropical se encontra envolvido em demasiadas peripécias financeiras, pelo que começará a ser difícil apanhar o avião para Nova Iorque. É mais provável que se auto exile no país que adorava insultar e espezinhar, e onde agora passa mais tempo: Portugal. Caso esteja em Angola, poderá passar os próximos tempos entre a Rua Amílcar Cabral, onde se situa o Tribunal Cível, que cobra dívidas, e a Cadeia de Kakila ou a do Calomboloca, que esperam a chegada dos prevaricadores financeiros.

José Ribeiro tem uma grande dívida contraída junto de variados credores: ultrapassa os 15 milhões de dólares. Parte dessa dívida resulta da compra de uma impressora rotativa com 15 anos de uso por quatro milhões de dólares. Os fornecedores deram-lhe dez dias para pagar 320 mil dólares da dívida.

Todavia, a situação mais grave prende-se com as averiguações em curso no Tribunal de Contas, que foi confrontado com a falta de justificação para movimentos financeiros no valor de 12 milhões de dólares na empresa proprietária do Jornal de Angola, as Edições Novembro. Para simplificar, digamos que foi encontrado um “buraco” financeiro na gestão de José Ribeiro na ordem de muitos milhões de dólares. Outros administradores que participaram na gestão de José Ribeiro já confessaram às nossas fontes a sua angústia e preocupação por terem de responder pela gestão perdulária de Ribeiro.

Diante de tantas e tão graves desventuras, José Ribeiro resolveu ignorar todos os pedidos de explicação, e não atende o telefone a ninguém que pretenda obter as satisfações adequadas.

E, agora, João de Melo procura encontrar uma saída para evitar a nomeação de José Ribeiro como adido de imprensa em Nova Iorque.

No entanto, a verdade é que Nova Iorque não é pouso seguro para nenhum dos antigos colaboradores de José Eduardo dos Santos, a partir do momento em que os norte-americanos acionem os meios legais à sua disposição para responsabilizar aqueles que participaram em atividades de corrupção ou abusos de direitos humanos. Ora, os 12 milhões de dólares desaparecidos pesarão sobre a cabeça de José Ribeiro em qualquer parte do mundo.

Também pode acontecer que todo este barulho que se ouve contra a corrupção e os desvios financeiros dos protegidos do antigo presidente da República José Eduardo dos Santos seja fogo de vista. Isto é, muito barulho para nada… ou apenas para “convencer” JES a abandonar a presidência do MPLA e a entregar todo o poder a João Lourenço. Assim, todos continuarão com a sua vidinha.

Neste caso, José Ribeiro acabará mesmo por tomar o avião para Nova Iorque… veremos!
Título, Imagem e Texto: Moiani Matondo, Maka Angola, 31-3-2018

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