domingo, 12 de maio de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Lucio Mauro vai embora e nos deixa a “Ofélia” sem o seu “Fernandinho”

Aparecido Raimundo de Souza

Aqui estamos nós, mais uma vez, senhoras e senhores, “Rasgando o Verbo” em edição extra e claro, literalmente entristecida. Acabamos de chegar de Campinas, interior de São Paulo, para darmos mais um adeus. Desta vez, ao grande e inesquecível LUCIO DE BARROS BARBALHO, nascido aos 14 de março de 1927 em Belém do Pará.


Ator e humorista, Lucio Mauro [foto] foi um dos pioneiros da televisão brasileira, com destaque para a extinta TV Rio, TV Excelsior, e, logo em seguida, para a TV Tupi, na Urca, passando, depois, em definitivo para a Rede Globo de Televisão onde permaneceu até pouco antes de sua internação em 2016, em face de um derrame que afetou sua garganta deixando comprometida a voz e a mastigação.

Casado com a atriz Arlete Salles teve com ela dois filhos: Alexandre Barbalho (ator) e Gilberto Salles (cineasta). Desde 1974, após a sua separação com Arlete, casou-se em segundas núpcias com Ray Luiza Araujo Barbalho, trazendo ao mundo Lucio Mauro Filho (ator), Luanna Barbalho e Luciane Maria.


Lucio Mauro desempenhou vários papeis, não só no teatro, como em vários canais de televisão por onde passou Brasil afora, como também em  emissoras de rádio, com projeção na TV Rádio Clube de Pernambuco, emissora  que lhe deu a chance de fazer ao vivo seu primeiro programa humorístico, “Beco sem Saída”, ao lado de José Santa Cruz.

Lucio criou, nessa época e deu vida ao cidadão “Jojoca” e ao tarado comportado “Zé das Mulheres”. Engalanou a todos nós com seus personagens emblemáticos, como o Aldemar Vigário, na Escolinha do Professor Raimundo e Chico Anysio Show, e, igualmente, o “Neca do Abaeté”, em “Dona Flor e seus dois maridos” entre outros.

Todavia, o que marcou para sempre a sua trajetória e eternizou seu nome no cenário televisivo nacional, certamente o personagem “FERNANDINHO”, e sua mulher “OFÉLIA” (A MULHER QUE SÓ ABRIA A BOCA QUANDO TINHA CERTEZA) vivida pela belíssima e encantadora Claudia Rodrigues [foto].


Lucio Mauro parte para o infinito. Nos deixa aos 92 anos. O velório acontecerá amanhã, segunda feira, 13 de maio, a partir das 9h, no Teatro Municipal aqui no centro do Rio, quando a visitação será aberta ao público em geral. Nada mais a ser acrescentado, senão as nossas sinceras condolências a todos os familiares.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, do Rio de Janeiro, 12-5-2019



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2 comentários:

  1. Linda homenagem! Lucio Mauro é, certamente, aquele grande artista, que saiu dos palcos da vida finita, mas marcou seu nome na eternidade.

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    1. Tbm deixei minha homenagem em meu blog:

      Já nascemos fadados a morrer. E, neste caminho entre o nascimento e a morte, surgem gênios que nos fazem lamentar a finitude da vida. Entretanto, os mesmos deixam o palco da vida finita e gravam seu nome na eternidade. Lúcio Mauro, grande artista e humorista, deixa esse palco, sob a Hierarquia de Touro, no dia 11 de maio de 2019, aos 92 anos, gravando, sem qualquer sombra de dúvida, seu nome na eternidade.

      Seu talento, junto ao de seu companheiro de cena, o também eternamente ilustríssimo Chico Anysio, atravessará gerações, fazendo-se perpetuar na memória de todos os que tiverem conhecimento de sua passagem nesta Terra. Eis o mistério de se viver 200, 400, 600, 900 anos! São as pessoas que com sabedoria e/ou talento marcam o mundo com sua passagem por aqui, e assim atravessam gerações, com seus ensinamentos eternos. Lúcio Mauro, com toda certeza, escreveu seu nome nesta lista que tão poucos são capazes de atingir.

      A vida, por aqui, é sim finita. No entanto, sempre existirá aquele que usará de sua passagem finita para marcar infinitamente o mundo. Serei sempre admiradora desses ilustres passageiros da nave Terra, os quais, ao contrário da grande massa, fazem de seus dias um verdadeiro tributo à humanidade. Nos divertem, nos ensinam, nos alegram, transferem sua sabedoria aos que ficam, e os que ficam transferem a sabedoria que galgam desses ilustres indivíduos às gerações seguintes.

      No sentido filosófico, eternidade é uma referência ao tempo que não pode ser medido e logo torna-se inexistente. Nossos corpos não fazem parte dessa filosofia, contrariando a ideia de inexistência do tempo. Mas tudo que deixamos, fazendo bom uso dessa máquina que nos é emprestada pela Mãe Terra, afirma a inexistência do Tempo. Já nascemos fadados a devolver o que nos foi emprestado. Mas há aqueles que, como Lúcio Mauro, surgem fazendo do tempo algo inexistente, ainda que um dia, mais cedo ou mais tarde, assim como todos nós, tenham que devolver seus corpos à terra. Partiremos também um dia, e a essência de Lúcio, que é eterna, ficará aqui.

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