quinta-feira, 23 de maio de 2019

Se o agressor tivesse outro perfil como e quantas teriam sido as notícias?

Helena Matos

A 31 de Março, na Praça da República aconteceu uma agressão grave na Praça da República em Paris. O caso tinha todos os ingredientes das notícias que rapidamente se tornam virais: Julia, a vítima, apresenta-se como mulher transgénero. À sua volta uma multidão masculina humilha e agride Julia. A cena foi filmada. Mas indignação nem vê-la.


Por cá, o EXPRESSO  deu a notícia, referindo que Julia “foi surpreendida por três homens que a agrediram e insultaram em árabe“. O Correio da Manhã nem isso. Diz que a agressão partiu de “homens, este domingo, enquanto participava num comício contra o presidente argelino, Bouteflika“.

Vamos ser claros: se o agressor não fosse um cidadão marroquino-argelino, a viver irregularmente em França desde 2017, mas sim, por exemplo, um lourinho de olhos azuis, e se agressão tivesse acontecido numa manifestação de católicos, quantos editoriais, manifestos, apelos e declarações se teriam seguido?

PS:  «Várias associações LGBT condenaram o comportamento dos três agressores, lamentando também que elementos da polícia se tenham dirigido a Julia de forma preconceituosa, tratando-o por “senhor”» O “lamentando também” que põe no mesmo nível os agressores e a polícia que tirou a vítima daquele inferno é, de facto, espantoso.

Espantoso também foi o murro que Julia ainda conseguiu enfiar na cara do agressor porque, felizmente para Julia, no momento de levar pancada ainda conseguiu defender-se como poucas mulheres o fariam.
Título e Texto: Helena Matos, Blasfémias, 23-5-2019

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