terça-feira, 3 de abril de 2018

[Ferreti Ferrado suspeita...] Contaminação

Haroldo P. Barboza


Título, Arte e Texto: Haroldo P. Barboza, 3-4-2018

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[Aparecido rasga o verbo] Quando o feto suga em língua compassiva

Aparecido Raimundo de Souza

ENQUANTO UMA MARIPOSA solitária busca a morte na lâmpada clara da sala enorme, o rapaz chega da rua e, sem pedir a benção a quem ali se encontra, oculto em seu silêncio, manda a pergunta:
- Pai, dá pra me descolar a “caranga?”.
O pai, em resposta, quieto em seu torpor, como um ser abandonado, fuzila o filho. Explode:
- Deus te abençoe, meu filho. E boa noite pra você também. “Caranga?”. Nem pensar. Está lembrado da última vez que caí na besteira?
- Esquece aquele dia, Pai.
- Como esquecer? Além de você ter ido parar no hospital ainda fiquei uma semana com o carro preso.
- Passou, Pai. Pedi desculpas ao senhor umas mil vezes.  Não trazendo à tona, só lembrando, paguei todos os prejuízos causados.
- Desculpar até desculpei, filho, você sabe disso. Não sou de guardar mágoas. Esquecer, porém, na minha idade, acredito demorará um bocado. Tudo bem que você ressarciu os prejuízos. Tenha em mente, entretanto, um fato de suma importância. Foi com meu dinheiro.

- Mesada, Pai. Com minha mesada.
- O que no fim das contas nos leva ao mesmo ponto de partida. E a vergonha? Acaso se recorda do vexame que tive de suportar perante meus colegas da repartição lá na Polícia Federal? Para seu governo, aguentei uma enxurrada de gracinhas e constrangimentos a semana inteira, inclusive de meus subordinados!
- Pai, vamos apagar esse incidente. Estou com uma “mina” nova no pedaço. Vai me deixar na mão?
- Acertou na mosca. Vou sim. Aliás, sem nenhum constrangimento.
- Ela tem dezoito anos, é modelo fotográfico e, dentro em breve, estará numa revista masculina de circulação nacional exposta em todas as bancas, peladinha, sem nada, mostrando tudo, como veio ao mundo... 
- E eu com isso? Desista, filho. A resposta continua sendo não!

- Só hoje, Pai. Prometi levá-la a um restaurante...
- E depois?
- Ainda não pensei.
- Esse é o problema, filho... o depois...
O rapaz força um sorriso que se expande fraco no rosto entristecido.
- Veja pelo lado bom da coisa, Pai. O máximo que poderá rolar é um motel de beira de estrada. Afinal, “tal pai, tal filho!”.
- Uma ova! Pare com essa história de “tal pai, tal filho”. No meu tempo não havia essas mordomias. Ai de mim se pedisse o automóvel a meu pai, seu avô.
- Pera lá. – ressaltou o jovem.  - E se o senhor viesse junto?
- Segurando vela? Acaso me acha, aos sessenta e cinco anos com cara de castiçal?
- O senhor não coopera. Leva tudo a ferro e a fogo.

- Por essa razão cheguei ao patamar em que estou – arrazoou em obstinada rejeição. - Na sua idade, dava um duro danado para ajudar em casa.
- Não sou nenhum vagabundo. Tenho meu trabalho.
- Sei disso. E o que faz com o dinheiro que recebe?
- Pago a faculdade, invisto em roupas e sapatos. O senhor nunca precisou comprar um caderno para mim.
- Nessa parte lhe assiste inteira justiça. Uma pergunta que não quer calar: por que não junta todo mês uma pequena quantia e dá entrada num carrinho?
- O senhor sabe que ganho pouco. Ainda que essa mixaria fosse juntada à mesada que me direciona, não daria nem para adquirir os pneus. Não tive a mesma sorte que bateu à sua beira. Os tempos mudaram. Quando o senhor tinha a minha idade...  tudo era mais fácil.

QUIZ: Guerra civil na Rússia

Depois da Primeira Guerra Mundial, a Rússia viveu uma guerra civil. Qual o nome dos dois exércitos em confronto?


A  – Exército do Povo e Exército do Czar
B  – Exército Vermelho e Exército Verde
C  – Exército Vermelho e Exército Branco 
D  – Exército Bolchevique e Exército Menchevique

Charada (524)

Se eu sou solteiro 
e o meu irmão é casado,
qual é o meu grau
de parentesco com
o filho do irmão
do pai do marido
da minha cunhada?

A benevolência

Nelson Teixeira

Virtude valiosa para quem a possui, porque tem a possibilidade de transferir ao outro todo respeito, carinho, estima e bondade.

Ser benévolo é ter compaixão para com as dores do outro e ajudá-lo a superar.

Quando trabalhamos essa virtude verdadeiramente somos mais pacientes diante dos irmãos mais difíceis, pois são esses companheiros de caminhada que nos dão o verdadeiro aprendizado.

Não há benevolência quando não conseguimos perdoar, cuidar, doar e amar.

Está aí uma virtude para trabalharmos dia a dia, de desafios em desafios, só no exercício é que conseguiremos a benevolência em nossas ações.

Sejamos benevolentes para com todos a nossa volta e veremos o quanto nossa vida pode mudar!
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 3-4-2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

FC Porto perde a liderança para o Benfica

O FC Porto foi esta segunda-feira derrotado pelo Belenenses, no Estádio do Restelo, por 2-0, no jogo que fechou a 28ª jornada da Primeira Liga. Um desaire que leva os dragões a perderem a liderança do campeonato para o Benfica

Vincent Aboubakar, foto: Manuel de Almeida
Nathan (10') e Maurides (70') fizeram os golos do triunfo dos azuis do Restelo.

Com esta derrota, o FC Porto continua com 70 pontos, menos um que o Benfica e mais cinco que o Sporting. Já o Belenenses sobe ao 11º lugar, com 32 pontos.

Na próxima jornada, os azuis e brancos recebem o Desportivo das Aves (domingo às 18h00), enquanto a equipa de Belém joga em Chaves (domingo às 16h00).
Título e Texto: SIC Notícias, 2-4-2018

Belenenses completou quatro ataques às redes de Iker Casillas, marcou dois gols; o FC Porto completou dezenas de vezes, não marcou nenhum.

Muito mais entendidos do que eu em futebol (não é difícil ser mais entendido do que eu), responsabilizam o treinador, Sérgio Conceição. Confira o que escreve Miguel Lourenço Pereira no blogue “Reflexão Portista”: Sete meses ao lixo.

[Pernoitar, visitar, comer e beber fora] Ginjinha

Conta a lenda que foi um monge da Igreja de Santo António, Francisco Espinheira, que experimentou deixar ginjas a macerar em aguardente, acrescentando açúcar, água e canela. E foi no muito castiço balcão da Ginjinha do Largo de São Domingos, ainda hoje no mesmo canto do Rossio, fundada em 1840 por um galego empreendedor, que se começou a servir aquela que se viria a tornar a mais típica bebida lisboeta.


Hoje, o negócio desta bebida, prima do kirsh e do marrasquino, vai na quinta geração, selecionando as melhores ginjas (prunus ceresus) e garantindo os quatro meses de repouso para uma produção de 150.000 litros anuais, muitos deles exportados.

Bebida doce e saborosa, serve-se tradicionalmente “com elas” ou “sem elas”, segundo o freguês goste ou não de trincar a fruta curtida no fundo do copo. Uma delícia que confirma os versos escritos há mais de um século no balcão da Espinheira:
“É mais fácil com uma mão dez estrelas agarrar, fazer o sol esfriar, reduzir o mundo a grude, mas ginja com tal virtude é difícil de encontrar.”


Ginja ou cereja ácida (Prunus cerasus), também conhecida como amarena, é uma espécie do género Prunus, pertencendo ao subgénero Cerasus (cereja), nativo de grande parte da Europa e do sudoeste asiático. É um parente próximo da cereja Prunus avium, também conhecida como cereja-doce, mas o seu fruto é mais ácido, sendo útil principalmente para fins culinários.

CNN's Joan Walsh Attacks Parkland Survivor Kyle Kashuv. Guess It's Time For Another Boycott!

Ben Shapiro

Photo: Ilya S. Savenok/Getty Images for SiriusXM

On Sunday, Parkland survivor Kyle Kashuv pointed out that CNN contributor Joan Walsh had been attacking him via her Twitter “likes,” liking a series of tweets that targeted him personally:

Walsh responded by insulting Kashuv, saying “Good luck handling your stress.”

Now, is this worse or better than Fox News’ Laura Ingraham stating that Parkland survivor David Hogg had been “whiny” about his college admissions — a statement for which she later apologized? It’s worth asking, since a dozen advertisers have dropped Ingraham’s show, and the Left is out for blood — they want her tossed off air over that ill-advised but mild-by-Twitter-standards slap at Hogg. At no point did Ingraham ever suggest that Hogg was handling his “stress” poorly because of his political rhetoric. If she had, there’s little question that the boycott efforts against her would have been even more extreme.

[Pernoitar, visitar, comer e beber fora] Âncora Azul: rodízio de peixe

Foto: Âncora Azul
Um restaurante, em Setúbal, que propõe servir um rodízio de peixe.
Fomos, Madame R.P., Messieurs P.P., J.G. e eu.

Os garçons, quase todos brasileiros, vão servindo os peixes do dia... os peixes são pequenos.

Além do choco frito, comi uma sardinha e um linguado... os demais peixinhos passaram por mim, não fiquei chateado.

Não vimos esta salada de polvo... 😡

Foto de cliente, no TripAdvisor

Valeu pela farra!


Imagino como será nos finais de semana!...
Fico com o comentário abaixo que encontrei na página do restaurante no Facebook:

Assis Cardoso avaliou Âncora Azul (Clube Naval Setubalense) —
5 de fevereiro de 2018
Vivo em Setúbal há 40 anos, e fui pela primeira vez almoçar no Âncora Azul a convite de um casal amigo. Eu, por minha iniciativa, não ia; mas como o casal ribatejano é frequentador assíduo deste restaurante, lá me convenceram. Mas a minha opinião é a seguinte: sou um apreciador de peixe assado, conheço bem a ementa e sei bem do que digo, se for vivo e o restaurante existir até lá espero voltar novamente em fevereiro de 2058. 😊

Âncora Azul (Clube Naval Setubalense), Avenida Jaime Rebelo 41, Setúbal, Portugal.
Página no Facebook.

[Pernoitar, visitar, comer e beber fora] Bacalhôa Vinhos de Portugal

Começamos a visita pelo Palácio. Depois passeamos pela Quinta. Terminamos a visita com a prova de vinhos: branco, tinto e moscatel. 

Foto: Vera Nobre da Costa

No século XIV, a propriedade pertenceu, como quinta de recreio, a João, Infante de Portugal, filho do Rei D. João I. Herdou-a sua filha Dona Brites, casada com o segundo Duque de Viseu e mãe do Rei D. Manuel I. Os edifícios, os muros com torreões de cúpulas aos gomos e o grande tanque mandados construir por Dona Brites chegaram aos nossos dias.

Foto: JP

Foto: JP

Foto: JP
Em 1528, a quinta seria vendida a D. Brás de Albuquerque, filho primogênito de D. Afonso de Albuquerque. O novo proprietário, além de ter enriquecido as construções com belos azulejos, mandou construir uma harmoniosa "casa de prazer" junto ao lago e dois robustos pavilhões junto aos muros laterais. Nos finais do século XVI, a propriedade fazia parte do morgadio pertencente a D. Jerónimo Teles Barreto - descendente de Afonso de Albuquerque. Este morgadio viria a ser herdado por sua irmã, Dona Maria Mendonça de Albuquerque, casada com D. Jerónimo Manuel, conhecido pela alcunha de "Bacalhau". É muito provável que o nome "Bacalhôa", pelo qual veio a ficar conhecida a antiga Quinta de Vila Fresca, em Azeitão, se deva ao facto de a mulher de D. Jerónimo Manuel ser designada da mesma forma sarcástica.

Foto: D.R.
Em 1936, o Palácio da Bacalhôa foi comprado e restaurado pela norte-americana Orlena Scoville, cujo neto encetou a missão, na década de 1970, de tornar a quinta uma das maiores produtoras de vinho em Portugal. A arquitetura do Palácio, bem como a sua decoração e jardins, foram influenciados ao longo dos séculos pelos diferentes proprietários, inspirados pelas suas viagens através da Europa, da África e do Oriente. Merece especial nota a coleção de azulejos portugueses do séc. XV e XVI que a adorna, evocando desenhos mouriscos e representando uma casa no lago com vista para a Quinta. Do interior ao exterior, o visitante poderá apreciar peças únicas de colecionismo, incluindo o primeiro azulejo datado em Portugal, para além dos jardins e vinhas.

Charada (523)

Descubra os
diferentes
nomes próprios
que se escondem
no nome 
MARCELINO.

QUIZ: Consolidação do poder de Hitler

Que fato deu a Hitler a possibilidade de consolidar o seu poder?

A  – O incêndio do Reichstag
B  – Um atentado contra a sua pessoa
C  – A morte de um líder comunista
D  – O incêndio do zepelim Hindenburg


domingo, 1 de abril de 2018

Aposentados, acordem!

O quinto poder se subestima.
Os aposentados franceses deveriam se associar a um movimento destinado a defender os seus direitos e as suas vozes, avalia o jornalista e escritor José-Manuel Lamarque

De acordo com as últimas estatísticas disponíveis, final de 2015, os aposentados franceses eram 16 milhões. O número cresceu, mais ou menos, 152 000 pessoas, ou seja, um aumento aproximado de 1%. Antes de tudo, uma primeira reflexão concernente a tributação dos reformados. Como explicar que os reformados sejam tributados, já que eles descontaram durante toda uma vida para construir a sua aposentadoria e foram, evidentemente, tributados, portanto, pagando também o imposto referente à sua reforma. Assim, hoje reformados, eles pagam um segundo imposto eis que o primeiro foi honrado, é justo isso?

Em seguida, o cálculo de 16 milhões de pensões multiplicados por um mínimo médio de 1 283 euros nos leva ao número de 20,5 milhões de euros mensais que vão diretamente para os bancos. É uma segurança tanto para os bancos como para o Estado, podemos falar de um colchão. E não é tudo. Os aposentados são atualmente o primeiro poder de compra, eles cobrem alguns setores da sociedade como o paramédico ou o turismo, entre outros. Durante as férias escolares os reformados contribuem para a boa saúde do setor de viagens. Todos nós sabemos que os aposentados fazem a alegria da poupança do nosso país. Na verdade, eles são reais protagonistas do funcionamento da França, sem saber. Os aposentados são um pilar da nossa sociedade, começando pela ajuda familiar ou financeira que eles prestam aos filhos e netos. Mas serão eles mais do que tudo isso sem o saber?

Efetivamente, eles são muitos mais e ignoram isso. Porque se se fala de poderes na França, a imprensa sendo o quarto, os aposentados são um quinto poder que se subestima. Refletindo um pouquinho, os reformados não estão todos alojados em asilos ou lares para idosos, longe disso. Uma grande maioria está ainda ativa com um potencial pessoal que vem, em primeiro lugar, da sua boa saúde, e da sua sabedoria adquirida de múltiplas maneiras e, enfim e sobretudo, do seu savoir-faire devido aos quarenta anos de trabalho que lhes trouxeram uma capacidade toda própria.

No primeiro jogo: Vasco, 3 X Botafogo, 2


FIM DE JOGO! Pelo primeiro jogo da decisão do Campeonato Carioca, Vasco vence o Botafogo por 3 a 2. Yago Pikachu (2) e Andrés Ríos marcaram os gols do triunfo!

Amizades coloridas

João Pereira Coutinho


José Sócrates e Lula da Silva: a mesma luta. E que luta é essa? 

Precisamente: tentar convencer os cínicos de que ainda existe amizade verdadeira. Nos dois casos, estamos na presença de ex-governantes que contavam com as propriedades e o dinheiro dos amigos para viverem as suas vidas. Que esses amigos fossem também empreiteiros dos respectivos regimes, eis uma coincidência que não nos deve cegar para a nobreza dos sentimentos. 

Infelizmente, a justiça não tolera esses sentimentos e já condenou Lula a 12 anos de prisão (em segunda instância, aguardando-se decisão final do Supremo Tribunal Federal). O nosso José ainda não foi julgado nem condenado; mas pendem sobre a sua cerviz 31 acusações de patifarias severas.

Perante estes ataques, não admira que os dois amigos estejam dispostos a transportar as suas odisseias judiciais para o campo aberto da política. Lula, se não o prenderem primeiro, vai tentar a presidência já este ano. Sócrates, se também o deixarem, tenciona seguir os passos do patrono em 2020. Um perigo?

No caso de Lula, as sondagens são unânimes: ele vence à primeira volta e vence à segunda (contra Jair Bolsonaro). No caso de Sócrates, eu ainda tenho uma réstia de confiança no sentido de humor dos meus compatriotas. 
Título, Imagem e Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 726, de 28 de março a 4 de abril de 2018

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Viver em Lisboa é caro?

João Pereira Coutinho

Foto: Caio Guatelli/VEJA
Pois é. Mas confesso que não suporto as lamúrias constantes da classe média que chora de horror por não morar em pleno Chiado. Quem não pode viver no Chiado, vive nas Olaias. Quem não pode viver nas Olaias, vive em Sacavém. Ou então atravessa a ponte sobre o Tejo e encontra casas – excelentes – a metade do preço. Qual é o drama?

Nenhum. Exceto para quem não aceita as leis básicas da oferta e da procura – ou, melhor ainda, a desigualdade de rendimentos que é inevitável em qualquer sociedade livre.

Verberar os preços elevados da habitação em Lisboa faz tanto sentido como criticar as pessoas que viajam em 1ª classe; que comem em restaurantes com selo Michelin; ou que se abastecem naquelas lojas de roupa da Avenida da Liberdade que fazem as delícias da elite angolana.

No fundo, o que incomoda o arrivista ressentido não é o facto, normalíssimo, de os preços serem mais elevados no centro de uma capital. É a evidência dolorosa de que existe neste mundo quem tem dinheiro suficiente para isso.
Título e Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 726, de 28 de março a 4 de abril de 2018

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Teremos sempre Israel?

Helena Matos

Depois do voto na AR sobre a Catalunha como vai agir o parlamento perante a crise em Gaza? O "realejo de disparates" vai continuar a ser dirigido pelo ativismo de votos de pesar do BE e do PCP?


Enquanto escrevo sente-se nos sites noticiosos aquela espécie de calma que precede as grandes tempestades noticiosas. Ela lá está a notícia que já não é apenas uma, mas duas, às vezes três sobre a situação na faixa de Gaza.

A discussão sobre a manipulação das imagens já começou, pois esta “guerra” perdida que foi pelos árabes no campo de batalha, ganha-se com imagens. Ou será que já esquecemos a importância que tiveram imagens como as da morte de Mohammed al-Dura, o menino palestiniano baleado em Setembro de 2000 enquanto o pai o protegia com o seu próprio corpo? E de Huda Ghalia, gritando diante da família morta numa praia de Gaza onde faziam um piquenique?

Infelizmente quando novos dados questionaram a responsabilidade do exército israelita nestas atrocidades já era tarde. Sendo certo que todos os exércitos têm o seu rol de atos condenáveis – e o israelita não é excepção – convirá que não se esqueça que do outro lado estão movimentos terroristas que há muito perceberam como o Ocidente das causas e do ativismo consome as mais grosseiras manipulações sejam elas protagonizadas por mulheres, invariavelmente apresentadas como mães avós de crianças mortas por soldados israelitas mesmo que essas mulheres apareçam sucessivamente chorando a perda doutros filhos e netos noutros dias e noutros locais. Ou os depósitos de material de guerra que são sempre apresentados como escolas e hospitais. Ou as crianças feridas na faixa de Gaza que afinal são crianças sírias e feridas no conflito sírio…

Pessoalmente espero viver o suficiente para ainda ver os palestinianos libertos desse estatuto subalterno a que a fanfarronice da Liga Árabe os condenou há setenta anos, em maio de 1948, quando, em vez de terem apoiado a declaração de independência do estado Palestiniano (previsto na mesma resolução da ONU que criou o estado hebreu) optaram por atacar Israel.

Se a violência continuar, tudo isto e muito mais será provavelmente debatido com o fervor do costume nos próximos dias. Entretanto cabe perguntar: e nós de que lado estamos? Sim, Portugal que posição vai tomar?  Teremos sempre Israel como “o nosso lado”?

O regime que estamos a fazer

Alberto Gonçalves

Uma “comunicação social” domesticada, uma resma de partidos vendidos à caridade alemã, a gratidão dos privilegiados e um presidente com fobia do confronto explicam parte das coisas. Não explicam todas

6 minutos e 47 segundos. Parece o título de um filme americano, mas é um filme português. Trata-se do tempo – contado pelo Miguel Santos Carrapatoso em reportagem neste jornal e incluindo o pedacinho em que a maquineta encravou – que o dr. Costa demorou a limpar a Serra de São Mamede e a dar o exemplo em matéria de prevenção de fogos florestais.

De agora em diante, o cidadão consciencioso já não tem desculpa para desleixar o matagal. Basta acordar, vestir o casaco verde mais impecável que a alta costura Líbia conseguiu conceber, apanhar um helicóptero patrocinado pelo contribuinte, rumar a um bosque à escolha, enfiar caneleiras, viseira, protetor dos ouvidos e capacete, pegar na roçadora, garantir que as televisões filmam o exercício, fingir que decepa dois tufos de musgo, remover os adereços, regressar ao helicóptero e a casa e aguardar o justo reconhecimento popular por tão destemida saga em prol do bem comum. Não custa nada: ao dr. Costa não custou um cêntimo.

Os cínicos, leia-se a “direita inorgânica do Observador” (cito Sua Excelência, o primeiro-ministro), reduzirão a proeza a um gesto de propaganda reles, assaz propenso a burlar as massas e pouco propenso a burlar as matas. Ou seja, para esses sujeitos de má-fé, viúvos de Pedro Passos Coelho e lacaios do “neoliberalismo”, logo que volte o calor voltará a arder o que sobrou do ano passado (e que, feliz ou infelizmente, não foi muito). O próprio dr. Costa admite a hipótese.

O que ele não admite, para descanso da população ansiosa, é demitir-se em consequência de eventuais calamidades. Isso é o que a “direita inorgânica” queria (a direita orgânica está bem assim, obrigado): mal se reiniciem os incêndios, o dr. Costa tomará a atitude que o seu cargo exige e, aposto, partirá para uma praia espanhola, a coordenar remotamente as operações de propaganda. Em seguida, fará um discurso condoído, promessas de medidas inadiáveis, apelos à participação da “comunidade” e a conscrição forçada ou voluntária de cabras sapadoras. Daqui a um ano, nos intervalos do Benfica, dedicará outros 6 minutos e 47 segundos ao arvoredo, com o espetacular casaco verde, a permanente gargalhada de respeito pelas vítimas e o jornalismo patriótico a tiracolo. O dr. Costa é um líder autêntico, um farol cuja luz atrai tudo para os calhaus, incluindo os ditos.

O modelo Moro

Alexandre Garcia  

Um juiz que tem em mãos processos envolvendo tanta gente poderosa e que aceita ser o alvo das perguntas e câmeras de um programa como Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, tem que ser uma pessoa extremamente confiante em sua própria sensatez. O risco é enorme. Qualquer pré-julgamento, qualquer opinião fora dos autos, pode ser argumento para ser contestado pelas defesas - que por tantas vezes já pediram seu afastamento de processos de corrupção. Pois por hora e meia o juiz Sérgio Moro correu esse risco, submetendo-se a perguntas de cinco jornalistas e aos olhares implacáveis das câmeras que acompanharam seus gestos, feições e olhos de todos os ângulos. E não tropeçou nenhuma vez; nenhum vacilo, nenhuma irritação, nenhum arroubo de estrelismo diante das luzes daquele plenário que o cercava.

Em pergunta alguma perdeu a naturalidade. Mostrou que é um juiz equilibrado, calmo, racional, sem paixões e preconceitos. Com profundo conhecimento do mundo que o cerca, respondeu, no entanto com humildade, com simplicidade, passando a imagem de sinceridade nas posições. Em nenhum momento foi além dos limites da lei e de seus deveres como julgador. Depois do que se viu e ouviu na semana passada no Supremo Tribunal, Moro foi um jato de esperança a robustecer a aposta na Justiça, no país que vai perdendo referências civilizatórias. Quando o programa terminou, ficou a impressão de que o Brasil teve muita sorte quando a operação que começou num lava-jato de Brasília, envolvendo pessoas com domicílio no Paraná, tenha ficado na Vara Federal do juiz Sérgio Moro.

Quando tinha em mãos o caso do escândalo do Banestado (Banco do Estado do Paraná), com evasão em dezenas de bilhões em divisas, o juiz Sérgio Moro foi criticado por excessos e levado, por isso, ao Conselho Superior de Justiça, que arquivou o caso. Com humildade, inscreveu-se em cursos da Polícia Federal para aprender mais sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Sentou-se nos bancos escolares da PF e acabou considerado pelos policiais como um exemplo de juiz que se aproxima da origem da Justiça - o inquérito policial - para aprender. O juiz mostrava então que a toga serve com mais justiça quanto mais conhecimento tiver do crime. Por isso suas sentenças têm sido irrepreensíveis. Ao se expor no programa da TV Cultura, em nenhum momento foi acuado por perguntas de jornalistas que certamente se prepararam para o interrogatório.

QUIZ: Chanceler da Alemanha

Em que ano Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha?

Adolf Hitler, 1937

A  – 1927
B  – 1930
C  – 1933
D  – 1936

Charada (522)

Qual é o
próximo
número
da seguinte sequência?

19, 28, 37, 46, ...

Aprendizado

Nelson Teixeira

Um dia vamos olhar para trás e lembrar de momentos que nos fizeram sofrer, e poderemos constatar que tudo passa e se renova em nossa vida, não haverá um dia sequer sem a oportunidade de mudar e fazer tudo diferente.

Essas mudanças estão em nossas mãos, e só nós podemos fazer algo para mudar e transformar o que não nos faz bem.

Não devemos nos amargurar hoje para que nosso futuro não seja amargo e cheio de desencantos.

Mas poderemos fazer do hoje algo grandioso, cheio de aprendizado e conhecimento para nossa evolução.

Evoluir é a nossa meta, pois quando evoluímos, vamos adquirindo mais sabedoria e com sabedoria vamos saber lidar com todas as dificuldades da vida.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 1-4-2018