Aparecido Raimundo de Souza
FINAL DE ANO, COMEÇO DE OUTRO, nada melhor que falarmos um pouco de um Grande Homem, Jesus Cristo, uma
vez que o Natal e o Ano Novo trazem profundas ligações com seu nascimento,
morte e ressurreição. Todos as senhoras e os senhores devem saber que existe
uma tradição no Antigo Testamento de narrar o surgimento de heróis bíblicos.
Foi assim com Sansão, Samuel, Davi, Jacó, Isaac, os Doze Patriarcas e,
principalmente, Moisés.
Estas
narrativas costumam trazer alguns pontos comuns, como a anunciação do
nascimento por algum sonho ou entidade mística, profecias sobre o futuro da
criança e atos extraordinários desse personagem na juventude. O que, mesmo que
não descartemos a possibilidade da existência de feitos inexplicáveis, ou
acontecimentos sobrenaturais, somente isto não deixa de propagar uma enorme
sombra de dúvidas sobre as Narrativas de infância que aparecem nos Evangelhos
de Lucas e Mateus e mesmo nos Apócrifos.
O problema
mais óbvio, neste caso é: se nenhum dos homens que atuaram nos primeiros anos
da Igreja estava junto com José e Maria, desde a concepção de Jesus, quem teria
narrado a sua infância aos Evangelistas? Sabemos de cor e salteado, que Maria
ainda vivia enquanto se formava a Igreja Primitiva. Por isso, e por ser a
figura ideal para contar histórias sobre o nascimento de Jesus, Maria foi
eleita por alguns pesquisadores como a fonte das Narrativas da sua infância.
Todavia,
devemos ter em mente, existir muita confusão nos dados, como no episódio da
purificação dela, no Templo, após o nascimento de Jesus. A maioria dos doutores
modernos que se dedicam a pesquisar sobre Ele, assume que as tradições que
foram compiladas das Narrativas da Infância são diferentes daquelas que trazem,
à luz, o ministério público do nosso mais ilustre personagem. O que isto quer
dizer? Para as primeiras, não houve testemunhas oculares para corroborar, passo
a passo da vida pública do Nazareno.
Por
segundo, um sem-número de inexatidões históricas, discordâncias e divergências,
contradições e incompatibilidades, lendas e profecias cercam o nascimento do
Filho de Deus. As narrativas dos tempos do menino Jesus —, segundo J. M. Coetzee, reúnem
pouquíssimas informações e, muitas vezes, ‘são absurdamente incoerentes e
desinteligentes’. Fustigam, como algo ao fogo, os pontos de harmonia e
conciliação entre ambos que têm algum valor histórico. Sobre o ano do
nascimento Dele, por exemplo, há consenso entre alguns historiadores, como A
Busca do Jesus Histórico, de Albert Schweitzer e Quem é Jesus Cristo, de
Greg Gilbert.
Os dois
autores acima batem ferrenhamente na tecla de que ‘Ele não nasceu no ano Zero
da Era Cristã, mas sim entre seis e oito a.C’. A confusão seria resultado de
‘um erro grosseiro de calendário romano. Naquele período, toda a Palestina se
encontrava sob o jugo e domínio do Império Romano, os grandes dominadores do
mundo de então’. Leonardo Boff sustenta em Jesus Cristo Libertador, que
‘Tibério César, então imperador, e Herodes, o Grande, governava a Judeia, onde
se encontrava a cidade de Belém...’.