sábado, 2 de janeiro de 2021

Um ano para rir (se não fosse para chorar)…

O pior do pior na selva pantanosa da política

Um Governo manipulador, quase sem oposição no Parlamento e sem contraditório na comunicação social, uma esquerda formatada nos métodos do KGB, uma extrema-esquerda calculista e implacável, uma comunicação social obediente, rastejante, veneradora e obrigada, um Presidente-desilusão e uma gestão caótica da maior crise de saúde do nosso tempo marcaram 2020, um ano que só pode agradar à bicharada que habita a selva pantanosa da política nacional. Para a Direita, foi mais um ano perdido.

Hugo Navarro

Dizem que António Guterres se retirou da política nacional por já não poder suportar “o pântano” em que ela se tinha transformado: o cheirete da partidarite cega e da corrupção dominavam já nessa altura a vida pública, embora ninguém pudesse adivinhar que o que então se vivia era uma pálida imagem do que estaria para vir. Imagine-se, pois, o que a delicada pituitária do atual secretário-geral da ONU não teria de sofrer se voltasse hoje às águas lamacentas do partidarismo português, onde cada vez mais predomina o fartum râncido do seu próprio partido.

Este 2020 que hoje termina foi um ano pantanoso, sem qualquer dúvida, marcado pela mais descarada manipulação das nomeações para cargos públicos estratégicos: a esquerda não resiste à tentação de dominá-los, e nessa matéria o PS tornou-se um verdadeiro especialista. Depois de um “acordo” entre o Presidente da República e o chefe do Governo ter feito substituir no cargo de Procuradora-Geral da República a juíza Joana Marques Vidal (a primeira, em muitos anos, a afrontar o poder socialista e a investigar poderosos na sua área de influência) pela juíza Lucília Gago (uma senhora muito simpática mas sem o pulso e o impulso da anterior PGR), António Costa reincidiu: desta vez, informou por telefone o presidente do Tribunal de Contas, o reto e corajoso Vítor Caldeira, de que o seu mandato não seria renovado, e nomeou para o lugar um inócuo funcionário. Isto quando já se anunciava a vinda de uma ‘bazuca’ europeia de muitos milhares de milhões de euros que será necessário fiscalizar e num momento em que cresciam preocupações quanto à aplicação de dinheiros públicos e à lei da contratação pública.

Para que não restassem dúvidas sobre a selva pantanosa em que vivemos, o Governo de Costa fechou com Mário Centeno a contratação do ano: libertou do seu cargo o ministro das Finanças, cuja ambição ameaçava tornar-se excessiva incómoda, aprisionando-o numa gaiola dourada, o Banco de Portugal, onde ele dificilmente estará em condições de fazer ondas. Para o seu lugar, escusado será dizer, avançou João Leão, mais um funcionário sem qualquer peso ou vontade própria.


A nível partidário e parlamentar, o ano que hoje finda ficou marcado pela afirmação do Chega! E pelo afastamento do Bloco de Esquerda em relação à governação socialista.

No caso deste fenômeno urbano de cabeça sem corpo, em que um diretório trotskista-estalinista-spartakista ziguezagueia ao sabor de um eleitorado sazonal também flutuante, sem bases sólidas ou implantação nacional, concretizou-se o que se previa: arredados do poder, mas partilhando com ele a má publicidade, não tendo visto satisfeitas as suas aspirações a dois Ministérios e assustados com o que sucedera aos comunistas leninistas do PCP (que pagaram nas urnas o terrível conluio com a “burguesia) a “coordenadora” Catarina e os seus coordenados amuram e suspenderam o namoro com o PS.

Elevaram assim o seu preço de mercado, para a eventualidade de Costa voltar a precisar de uma “geringonça” para fingir que governa. Caso não precise, o BE lava as mãos da ‘política de direita’ dos socialistas e reassume a sua pose de Rosa Luxemburgo virgem.

Já o Chega veio, talvez involuntariamente, revelar o que de pior há no âmago da esquerda portuguesa: a intolerância, a falta de interiorização democrática, os tiques policiescos, a tendência para ditadura, os métodos KGB.

O modo como André Ventura foi hostilizado e vilipendiado (a começar pela segunda figura do Estado, o inconcebível presidente da Assembleia da República), as tentativas desesperadas para escorraçá-lo do regime e assassiná-lo politicamente (quer pela difamação, quer pelas ameaças de ilegalização) mostram bem o gênero de “democracia que esta gente gostaria de instaurar em Portugal.

Curiosamente, o feitiço voltou-se contra os feiticeiros, e quanto mais as manas catatuas lhe batem mais o eleitorado gosta de Ventura.

Desbocado, por vezes insensato, mas tocando em feridas que ninguém antes se arriscava a apontar, o Chega veio preencher uma lacuna na política portuguesa e equilibrar a balança, que há muitos anos só pendia para o lado da extrema-esquerda.

Mas não é só a classe político-partidária a cheirar mal nesta selva pantanosa. A comunicação social do sistema, sempre obediente, veneradora e obrigada, não tem feito mais do que vênias ao Estado-patrão, representado pelo governo socialista e pelo seu representante máximo, o malabar António Costa.

O papel rastejante da televisão e da imprensa que, por opção ideológica ou por indigência, abdicaram dos nobres princípios do jornalismo, tem sido cúmplice da paz podre que impera no pântano.

Casos sintomáticos de partidarite aguda (como o da ruidosa “estrela” cadente, Cristina Ferreira, ou do “entrevistador” mais tendencioso da história da televisão em Portugal, João Adelino Faria [foto]) envergonham o universo comunicacional.

Os magotes de escravos de microfone na mão, que vemos nos telejornais atropelando-se para perguntar banalidades pueris a raposas velhas, têm sido os melhores aliados da política-propaganda de António Costa.

Quase sem oposição no Parlamento e sem contraditório na comunicação social, Costa faz praticamente o que quer, perante um público anestesiado que se contenta com circo e algum pão.

Neste quadro fedorento, a Direita não podia, por mais que o desejasse, estar feliz com o primeiro mandato do presidente Marcelo. Foi o voto dos eleitores liberais e conservadores que garantiu a sua eleição – mas foi à esquerda que ele sempre se anichou ao longo dos últimos cinco anos.

Marcelo bem se esforça agora no início da campanha eleitoral para as presidenciais, por fazer esquecer essa nódoa negra, na esperança de vir a arrebatar as votações norte-coreanas que o seu enorme ego tanto almeja.

Talvez o consiga, mas o primeiro mandato defraudou de modo inesquecível as expectativas de quem o levou para Belém.

No seu estilo ligeiramente esquizofrênico de fazer política, Marcelo perdeu a cabeça com o populismo barato das ‘selfies’ e da comunicação emotiva. Em vez de estar atento e fiscalizar os atos do Governo, passou cinco anos a pronunciar-se sobre tudo o que mexia, auto anulando-se como fala-barato e nisso banalizando o cargo presidencial.

Não houve terra que não visitasse, tema sobre o qual não opinasse, bochecha que não beijasse. Ministério que não dirigisse. E o que fica de tudo isso? Uma enorme mão cheia de nada.

O ano termina com a fantochada propagandística das vacinas. É bem o símbolo da gestão caótica da crise do Covid, do vácuo que foi a governação socialista em 2020 e da selva pantanosa em que grasna, coaxa, muge, zurra, cacareja, palra, ronca, uiva e guincha a bicharada.

Título e Texto: Hugo Navarro, o Diabo, nº 2296, 31-12-2020
Digitação e Marcação de Texto: JP, 2-1-2021

4 comentários:

  1. Enquanto isso, septuagenário ainda não tomou a vacina antigripal, adiada três vezes pelo Centro de Saúde. Sem data prevista para a aplicação.

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    1. Vacina contra a gripe agendada para amanhã, quarta-feira, 6 de janeiro de 2021.

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  2. EU FUI VACINADO CONTRA A GRIPE, COMO TODOS OS ANOS, E TIVE A "SURPRESA" DE CONTRAIR UMA GRIPE MUITO FORTE 3 DIAS DEPOIS.
    SÓ NÃO FUI HOSPITALIZADO PORQUE O EXAME PRELIMINAR DE COVID DEU NEGATIVO , MAS PASSADOS 4 MESES AINDA TENHO SEQUELAS, COMO CORIZA, ESPORADICAMENTE.

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  3. Campos Neto é eleito melhor banqueiro central de 2020 pela Banker
    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi eleito o presidente de Banco Central do ano pela revista britânica The Banker, especializada em finanças. O anúncio foi feito na quinta-feira (31). O prêmio Central Banker of the Year, em sua sétima edição, homenageia os funcionários que mais conseguiram estimular o crescimento e estabilizar sua economia.

    Campos Neto foi premiado na categoria Global e Américas. A publicação cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil.

    Categoria Global e Américas
    A revista, do Financial Times, cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil. Em meados de dezembro, cita, o número de mortes relacionadas à covid-19 no País ainda era o segundo maior do mundo, depois dos Estados Unidos.

    A The Banker pondera que enquanto no início de 2020 as expectativas eram que a maior economia da América Latina teria contração de 9%, as projeções foram sendo revisadas "drasticamente" no final do ano para cerca de metade disso.

    Menciona que a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de recuo de 9,1% para declínio de 5,8% em 2020, enquanto alguns analistas acreditam que a contração será inferior a 4,5%.

    Conforme a publicação, muito desse cenário "promissor" se deve ao trabalho do Banco Central do Brasil. Segundo a revista, a instituição monetária respondeu à crise tomando medidas sem precedentes e eficazes para garantir que a liquidez não secasse no sistema financeiro. Destaca que o BC tomou outras medidas específicas para que as empresas, em particular as pequenas empresas, pudessem continuar a operar.

    No geral, acrescenta a publicação, o programa de liquidez do BC brasileiro representou impressionantes 17,5% do PIB, e foi acoplado a outras medidas que liberaram capital das instituições financeiras que, segundo o banco, tinham potencial para aumentar o crédito pelo equivalente a até 20% do PIB.
    (…)
    CNN Brasil, 3 de janeiro de 2021
    https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/01/03/campos-neto-e-eleito-melhor-banqueiro-central-de-2020-pela-banker

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