sábado, 23 de janeiro de 2021

Padre Roger e o seu novo catolicismo

FratresInUnum.com

O Brasil conhece muito bem o “culto à personalidade” enormemente utilizado pela esquerda como técnica para messianização dos seus líderes. O ex-presidente e condenado Lula, por exemplo, foi sempre glorificado pela esquerda católica a tal ponto que recentemente Leonardo Boff chegou a confessar que, em suas missas, quem fazia a homilia era Lula e, falando sobre um carcereiro da prisão em Curitiba, afirmou que “ele se converteu a Lula”. Não é à toa que, sob a organização de Mário Lopes, publicou-se recentemente um livro intitulado: “Lula e a espiritualidade: oração, meditação e militância”.

Pois bem, para a nossa surpresa, após a posse de Joe Biden como presidente da América, o Padre Roger Araújo [foto], da Canção Nova, publicou um tweet em que dizia:

“Os EUA é uma nação de maioria protestante. Dos 46 presidentes americanos este é Segundo presidente Católico e praticante. De missa dominical, oração diária, confissão e direção espiritual. Mantém uma excelente comunicação com os bispos americanos. Deus o abençoe!” (os erros gramaticais pertencem o original, integralmente copiado aqui).

A tentativa de mistificação de Biden foi tão escandalosa que não faltaram pessoas a recordarem ao padre que, apesar de se declarar católico, o atual presidente dos EUA é favorável à política de ampliação do aborto. 

Diante da réplica, Padre Roger escreveu que “membros do partido democrata defendem o aborto. Ele (o presidente Biden) defende a constituição. 400 mil americanos morreram vítimas do pouco caso do presidente que sai e o único problema da humanidade para o conservadorismo doentio e o aborto” (mais uma vez, os erros gramaticais pertencem ao autor). 

Uma fiel respondeu, consternada, que “se o aborto não for o maior dos problemas, qual seria?”, ao que o Padre respondeu:

“A hipocrisia… Jesus falou dela dezenas de vezes e nenhuma do aborto”.

Em outras palavras, para isentar Joe Biden de apoio ao aborto, Padre Roger não se limita a negar os fatos, mas chega a desfocar a discussão para o genérico campo da hipocrisia, como se negar que um nascituro seja uma pessoa humana não fosse a maior de todas as demonstrações de hipocrisia. (Todos sabem que as organizações que promovem o aborto inventaram diversas estratégias linguísticas com a única finalidade de se evitar a todo custo o uso da palavra “criança” para os bebês no útero de suas mães.) 

Se tivesse se encerrado por aqui, o episódio já seria suficientemente vergonhoso, mas o Padre quis gravar um vídeo em seu perfil do Instagram no qual responde ao escândalo dos fiéis quanto às suas declarações.

No vídeo, ele disse que pessoalmente defende a vida e é contrário ao aborto, mas não deixa de “aliviar a barra” de Biden, tanto apresentando-o praticamente como um “homem de Igreja” quanto diluindo as suas posições favoráveis ao aborto na generalidade dos problemas políticos americanos.

Padre Roger critica a agressividade das redes sociais, mas xinga os seus críticos de “esgoto da internet”, “porcos”, “cães”, “nocivos”, “perigosos”, “extremistas”, “chulos” e de outras gentilezas da mesma espécie. É a típica misericórdia bergogliana em ação!

Ele literalmente usa o Papa Francisco como escudo, respaldando tudo o que diz no mais escancarado argumento de autoridade, o qual ele saca outras vezes, dando a carteirada de missionário nos EUA e de conhecedor dos meandros da política americana, tanto na perspectiva civil quanto na eclesiástica.

Em suma, Padre Roger utiliza exatamente os mesmos esquemas psicológicos dos fanáticos esquerdistas: legitima totalmente a conduta dos seus líderes, imantando-os com uma áurea de catolicismo praticante; apresenta-se como pró-vida, mas “não radical”, subliminarmente acusando todos os demais pró-vidas que não compartilham de sua posição esquerdista de fundamentalistas e simultaneamente colocando-se à serviço dos maiores promotores do aborto, favorecendo-lhes com o atenuamento de suas ações políticas pela expansão da morte dos bebês e ridicularizando quem reclamar como “hipócrita”, como “conservador doentio”, relativizando, assim, o aborto pela via do escárnio: “o único problema da humanidade é o aborto!”; por fim, vale-se do fingimento, pois acusa os outros de xingamento enquanto ele mesmo os xinga com palavras polidas, mas maldosamente calculadas para desqualificar – segundo as suas próprias palavras, o pior pecado é a hipocrisia, não é?

Embora tudo isso seja absurdo, o que realmente impressiona é a histeria em que se encontra o Padre Roger. Pelos seus textos e falas, ele realmente acredita que Biden é um católico piedoso, um aliado da Igreja, que deve ser isentado de toda acusação de abortismo ou de outras imoralidades… Desgraçadamente, este sacerdote está num “universo paralelo”, na “ilha da fantasia”, desconectou-se da realidade e vive flutuando em “bolhas de ideias”.

Enquanto isso, no mundo real, com apenas dois dias de mandato, Biden já prometeu revogar a “aliança mundial contra o aborto” e, nas primeiras 24h de governo, impôs cinco novas medidas em favor do movimento LGBT.

Se o Cardeal Hummes dizia em 2005 que Lula era “católico ao seu modo”, parece que o Padre Roger resolveu seguir a mesma estrada e esvaziar o catolicismo num mero rótulo a colocar-se sobre abortistas, LGBTS, feministas, comunistas, enfim, sobre toda a gama que se orgulha de ser radical e ostensivamente anticatólica. 

Título e Texto: FratresInUnum.com, 22-1-2021

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